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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

18
Out10

Segunda é o dia

Minuto Zero
A crise toca a todos


Na semana passada realizou-se, como se sabe, a Assembleia Geral do Sporting. Além da elevada percentagem de votos contra o Relatório e Contas apresentado pela direcção (mais de 30%), o grande acontecimento desse dia foram os desacatos e cenas de violência entre os adeptos presentes. Não existem imagens do sucedido e apenas se conhece a história segundo as versões de alguns adeptos que falaram com a comunicação social mas, seja como for, é certo que algo se passou.

Assembleias Gerais com cenas de pancadaria não são propriamente uma novidade. Mas, é um facto, não aconteciam há muito tempo em Portugal. O que é que motivou este episódio? Numa análise muito rápida somos tentados a culpar o mau desempenho desportivo do Sporting e a alegada má gestão de Bettencourt. Contudo, eu penso que o que aconteceu na AG do Sporting é apenas um reflexo do que se vive um pouco por todo o país.

E não é só a AG que ilustra o que digo. O apelo da direcção do Benfica para os adeptos não assistirem aos jogos fora de casa, por exemplo, é também um exemplo de que, em Portugal, anda tudo com os nervos à flor da pele. Somos um pouco um barril de pólvora que, com uma qualquer pequena acha, corre o risco de rebentar.

Não digo que a culpa dos desacatos na AG do Sporting tenha sido exclusivamente da crise e do nervosismo generalizado que se vive entre os portugueses. Mas não tenho dúvidas nenhumas que foi um grande contributo. E o que se passou com o Benfica é, também, um reflexo disso. Nos momentos de crise, é inevitável procurar um refúgio algures e algum alvo em que descarregar as frustrações. Para os sportinguistas, Bettencourt surgiu como o alvo perfeito.

Eu não sou o maior fã de José Eduardo Bettencourt. Muito pelo contrário, acho até que tomou algumas medidas que critico veementemente. Contudo, não nos podemos esquecer que assumiu a presidência do Sporting numa altura muito complicada, em que falta tudo a esta equipa: dinheiro, resultados, jogadores, união. Infelizmente, o Sporting não tem uma massa adepta como, por exemplo, o Benfica para quem o clube será sempre o melhor, por mais jogos que perca. Os adeptos do Sporting são, por um lado, muito mais conformados com a derrota e, por outro, muito mais dispostos a “revoltas”. A prova disso é que, no Benfica, mudam os treinadores mas fica o presidente; no Sporting, os presidentes quase que acompanham os treinadores.

A mística que se diz existir em torno do Benfica não é, na verdade, tão disparatada quanto isso. Eu não lhe chamaria mística, mas a verdade é que os adeptos do Benfica são muito mais benfiquistas que os adeptos do Sporting são sportinguistas. Por isso, se o Bettencourt hoje viesse apelar aos seus adeptos para não entrarem nos estádios dos adversários, ninguém o levaria a sério.

Não obstante, não aplaudo nem o apelo do Benfica nem os desacatos na AG do Sporting, por muitos motivos que direcção e/ou sócios possam ter. Mas hoje resolvi abordar este tema por um motivo muito simples e que exponho em forma de pergunta que, sendo retórica, aguarda respostas: se todo o empenho e envolvimento que se tem quando se trata de futebol (seja das direcções, seja dos adeptos) fosse direccionado para problemas que de facto interessam ao país e não apenas para discussões de vão de escada, não daríamos um grande passo para a saída do estado a que chegámos?

by João Vargas