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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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06
Out10

O "novo" Real Madrid

Minuto Zero
Na época 2009\2010, um velho conhecido dos madrilenos chega à presidência do clube mais bem sucedido de sempre: o Real Madrid.
Com ele o regresso das velhas políticas que o mesmo anos antes tinha posto em prática. No entanto a necessidade de resultados fala mais alto. Esta nova ideia de Real Madrid afasta-se dos "Galácticos" do primeiro mandato de Florentino Peréz. Vencer é agora a palavra de ordem, longe vão os tempos dos Zidanes e dos Pávons...

Sempre tive a ideia de que Florentino de futebol percebe muito pouco. O Real Madrid deste inicio de século falhou por isso mesmo. Como poucos Florentino sabe como fazer render a imagem do clube e dos seus jogadores "estrela", que, mesmo pagando somas exorbitantes por eles, sabe como fazer render, como um investimento a fazer rentabilizar em poucos anos, mas os "seus" planteis sentiam sempre a falta de jogadores trabalhadores- de qualidade mas não super-estrelas- que estabilizassem a equipa.
retirado de: 
                                                                      blogdosmanos.com

A época 2009\2010 foi como que um ano 0, no qual chegam novas vedetas, Cristiano Ronaldo, Kaká, Xabi Alonso, Benzema; um treinador de transição chega também: Manolo Pellegini; nasce aqui um novo projecto que aguarda cautelosamente a sua pedra de toque: José Mourinho. No currículo 2 Champions, os campeonatos de Itália, Inglaterra e Portugal, e uma ambição enorme de trazer para Madrid "La Decima", inscrevendo nas estrelas o seu nome como o do treinador que venceu os 3 principais campeonatos europeus.
Sem as loucuras do ano transacto, o Real Madrid de Mourinho, que derresto não venceu qualquer prova no seu ano "0", chega agora ao ano 1 com ambições renovadas: objectivo nos próximos 3 anos fazer do Real Madrid campeão europeu e espanhol, destronando a "máquina" de Guardiola que por estes dias encanta a Europa do futebol.

Olhando para este novo Madrid, vemos que Mourinho mais uma vez percebe perfeitamente onde chegou, as características que tem a sua nova equipa, e como um grande treinador não impõe à força a sua forma de jogar predilecta.
Nos últimos anos, tanto em Milão como em Londres, Mourinho tem preferido o seu 4x3x3, embora tanto no
Chelsea como Inter jogassem não raras vezes no 4x4x2 em losango.
O que tem isto em comum ? Simples. Ambos os sistemas jogam com um único pivô defensivo, servindo de ancora de um meio campo forte nas transições ( Mikel ou Makelelé no Chelsea, Cambiasso no Inter), com interiores que fazem a equipa saber esperar para atacar no momento certo, mais do que tudo controlando a partida. No Chelsea os mais notáveis foram talvês Lampard e Essien, enquanto no Inter e até pelas diferentes características do futebol italiano, as opções recorrentes eram Motta, Muntari, Stankovic ou até mesmo Sneijer embora este com um papel distinto.

No Porto a lógica aproximava-se mais da do Real Madrid do que destes dois exemplos: Costinha era sempre pivô de referencia, mas muitas vezes Maniche jogava ao seu lado num duplo-pivôt, ficando com maiores responsabilidades nas transições ofensivas, onde derresto era o dínamo da equipa.  Com o tempo também o Porto passou para a lógica 4x3x3 ora 4x4x2 (losango), dependendo dos jogos, e muitas vezes dependendo dos "momentos do jogo", quando Mourinho quase com um estalar de dedos pedia para os jogadores mudarem o seu posicionamento.

Vejam alguns dos 11 ideias para Mourinho nos últimos anos e tentem entender a lógica:

Porto 2003\2004:  Vitor Baia; Ferreira, Carvalho, J.Costa, Nuno Valente; Costinha; Maniche, Deco; Alenichev; Mccarthy e Derlei (4x4x2 losango)

Porto 2003\2004:  Vitor Baia; Ferreira, Carvalho, J.Costa, Nuno Valente; Costinha; Maniche, Deco; C.Alberto, Mccarthy e Derlei. (4x3x3)

Chelsea:   Cech; Ferreira, Carvalho, Terry, Bridge; Makelele; Essien (Tiago), Lampard; Robben, Drogba (Crespo), Duff  (4x3x3)

Chelsea:  Cech, Ferreira, Carvalho, Terry, A.Cole; Makelele; Essien, Lampard; Ballack; Drogba e Shevchenko (4x4x2 idílico de Mourinho que não se viria a concretizar por muitas lesões e pelo péssimo rendimento de Shevchenko)

Inter 2009\2010 : Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Zanetti (Chivu), Cambiasso; Sneijer , Motta; Pandev, Milito, Eto'o. (4x3x3 com que acabou a época)

Inter 2009\2010: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu ; Cambiasso; Zanetti , Motta; Sneijer ; Milito, Eto'o. (4x4x2 losango com que inicia a temporada sobretudo na Champions)

Que têm em comum todos eles?? O pivô defensivo com 2 interiores à sua frente.

Olhemos agora o Madrid de Mourinho:

Cassillas; Ramos, Pepe, Carvalho, Marcelo; Khedira, Xabi Alonso*; C.Ronaldo, Ozil, Di Maria; Higuain
(4x2x3x1)

Diferença? Duplo-pivô no meio campo. Porque? Xabi Alonso. É ele quem manda no meio-campo do Real. Não recupera muitas bolas, não "engole" o adversário como Makelelé; vive o seu jogo sempre sem grande correrias, ocupa bem o seu espaço, mas sobretudo entende o jogo de uma forma superior à media dos outros jogadores, sabe quando pôr gelo, quando acelerar o jogo da equipa. Parte da posição de pivô, como sempre o fez tanto na Real Sociedad como depois no Liverpool, sempre tendo ao lado um jogador feroz, ora  Mascherano no Liverpool, ora Busquets na Espanha campeã do mundo, ora agora a revelação alemã Khedira, um jogador intenso, que utiliza a sua boa condição atlética e capacidade técnica para dar força ao meio-campo do Real, ora até o "feroz" Lass.


retirado de: 

                                                                           sportige.com


Dificilmente imagino Xabi num meio campo 1x2 (como no 4x3x3 ou 4x4x2 utilizados por Mourinho nas outras equipas), a única hipótese seria colocando dois jogadores interiores sobretudo com vocação defensiva, um pouco como faz ao longo do tempo o Milan, onde Pilro funciona como um "regista" recuado, com dois fieis escudeiros Gatusso e Ambrosini que vivem para destruir o jogo do adversário.
Mas isso seria aldulterar os principios fundamentais do futebol das equipas de Mourinho: dois interiores que jogam com alta intensidade, correm 90' ora transição defensiva ora ofenciva, com igual críterio, permitindo ser a espinha dorsal de toda a equipa, jogando sempre para o colectivo sem rasgos individuais, deixando os desequilíbrios para os avançados ou para os laterais que sobem (Maicon no Inter, A.Cole no Chelsea) ou aproximando se de zonas de finalização já sem a bola (quanto e quantos golos não marcou Lampard e Maniche desta forma).

Por tudo isto, José Mourinho define para o "seu" Real o 4x2x3x1, que se pode desdobrar em 4x3x3 (com meio campo 2x1, 2 pivô defensivos e um médio de transição ofensiva, uma espécie de 10 se é que eles ainda existem), ou em 4x4x2 (4x2x4 praticamente), em casos de necessidade extrema, passando Ronaldo para um espaço interior e entrando um novo ala para dar largura, prescindindo do médio mais ofensivo.

Este novo Real joga em largura, mas também sabe afunilar o jogo, jogando mais pelo centro, rotina que Pellegini privilegiava, com Ronaldo a viver com um extremo como nos tempos de Manchester, procurando diagonais e movimentos de fora para dentro, em explosão, mas também com Di Maria ou o até agora pouco utilizado Leon, médios-ala de vocação, que dão mais largura ao jogo merengue.
Ozil, é a estrela emergente. Surge da posição 10, desequilibrando em drible, progressão, passe de ruptura. Tem tiques de grande jogador, decide quase sempre bem como conduzir os ataques rápidos, jogador ideial para uma equipa forte nas transições rápidas.
De quando em vez, Mourinho recupera a lógica dos 3 avançados em rotação, que pressionam alto em 4x3x3 puro, mas com 2x1 no meio campo, vivendo Ozil um pouco mais recuado, e lançando Benzema, o "enfant terrible" da equipa.

Na defesa, por onde Mourinho gosta sempre de começar a construir a equipa, Ramos aparece ainda como lateral, raçudo, por vezes em demasia, sobe bem, mas tem de corrigir alguns erros para ser um grande lateral... ou central. Carvalho e Pepe conhecem-se bem e formam uma dupla que dá garantias; na esquerda o jogador que mais tem surpreendido: de potencial suplente a titular, Marcelo é hoje um lateral ofensivo como sempre, mas que sabe muito melhor o quando deve subir e quando não deve.

No meio campo, Xabi é o patrão, com um fiel escudeiro box-to-box, Khedira, cada vez mais jogador, cansa só de ver.

Na frente a qualidade é mais que muita... Ozil como o 10, Canales espreita uma oportunidade; Benzema procura o seu espaço, Ronaldo, Higuain são garantia de golos e qualidade; Di Maria e Leon garantem opções para dar largura ao jogo.


retirado de: 
                                                                 faltouogol.blogspot.com
Pragmatismo e sobretudo uma capacidade superior para entender o jogo e os seus momentos, são o paradigma das equipas de Mourinho, que espera fazer deste Real uma verdadeira Equipa e não uma súmula de estrelas!

By Tiago Santos

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