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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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15
Out10

Voleibol à Sexta

Minuto Zero
Brasil revalida o título
Foi no domingo que o Brasil bateu Cuba por 3-0, na final do Campeonato do Mundo de Voleibol. Num jogo que teve, surpreendentemente, uma única direcção, a mais forte selecção da actualidade do voleibol conquistou o terceiro campeonato seguido, repetindo os feitos de 2002 e 2006.
Apesar de prometer muito, depois da partida entre estas formações que resultou numa vitória para Cuba por 3-2 (primeira ronda do campeonato), o jogo pautou-se por um desequilíbrio claro desde os momentos iniciais: o Brasil chegou ao primeiro tempo técnico a vencer por 8-3. Este sentido único de jogo manteve-se praticamente até ao fim do parcial, com a formação cubana a finalmente oferecer alguma resposta quando já tinha sido ultrapassada a barreira dos 20 pontos. Ainda assim, os futuros campeões fecham o set a 25-22 numa vitória fácil.
O segundo parcial foi, sem dúvida, o pior dos três, com Cuba a não oferecer qualquer tipo de resposta a uma equipa brasileira que fez um jogo perfeito: finalmente, com uns estonteantes 25-14 no marcador, fazem o 2-0 e ficam a um set da vitória do campeonato.
No terceiro set, o mais equilibrado, Cuba pareceu finalmente acordar e deu aos cerca de 11.500 espectadores um momento de voleibol de grande qualidade, estando mesmo em posição de liderança até meio do parcial. No final, no entanto, a formação brasileira deu a volta e, novamente com 22-25, fechou o encontro e sagrou-se campeã pela terceira vez consecutiva – tudo na era de Bernardinho.
Se é verdade que, como já referi, o jogo prometia mais no seu todo, não o é menos que o Brasil jogou provavelmente o seu melhor voleibol dos últimos tempos: esta foi uma exibição em que não mostrou erros, apesar de não ter jogado pelo seguro. Uma combinação de potência e qualidade técnica que andava a faltar a esta equipa providenciou a vitória sobre uma selecção cubana que – lá está a juventude a falar – pareceu acusar a pressão e os nove jogos disputados nos 15 dias anteriores.
Vissotto foi o melhor pontuador da partida e, sem dúvida, o melhor jogador: os 16 pontos de ataque que conquistou foram quase todos de jogadas fantásticas e demonstraram um oposto que está no topo da forma. Justiça poética: foi ele quem fez o último ponto para a selecção canarinha. Apesar da supremacia deste oposto, que teve sem dúvida um dia sim, não podemos esquecer todos os outros jogadores: Dante e Murilo estiveram impecáveis da entrada da rede, Lucas e Rodrigão cumpriram – e bem! – como centrais e Bruno e Da Silva estiveram a 100%.
Já do lado cubano, obviamente, as coisas não correram tão bem: o jovem Leon foi o melhor pontuador, com 15 pontos, mas cometeu muitos erros de ataque, nada normais para este jovem sensação. Seria a pressão? – afinal quantas vezes temos 17 anos e estamos a representar a nossa selecção num campeonato mundial? Na minha opinião, foi Simon, o capitão, o melhor jogador cubano, apesar de alguns serviços falhados: cumpriu como central, fazendo mesmo alguns pontos ao mais alto nível e, além disso, transmitiu a experiência e tranquilidade que a equipa precisou para não ser levada a um desaire maior.
                Contas feitas, o Brasil ganhou justamente, jogou ao mais alto nível frente a uma formação cubana que errou muito e onde faltou potência. Foi, mais uma vez, o serviço a desempenhar um papel fundamental no resultado: no anterior jogo entre as equipas foram os erros brasileiros e os potentes serviços cubanos que pesaram na vitória para Cuba; desta vez, os papéis inverteram-se. No final, Cuba entregou ao Brasil 27 pontos provenientes de erros directos, mais do que o suficiente para ganhar um set, e não conseguiu jogar ao seu melhor nível.
                Apesar do jogo menos bom da selecção cubana na final, não deixa de ser totalmente merecido o segundo lugar para esta jovem equipa que luta para voltar a colocar Cuba no topo da modalidade.

 by Sarah Pires Saint-Maxent