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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

13
Out10

BUZZER-BEATER

Minuto Zero
WBA

Antes de mais, para aqueles que não saibam, isto é um buzzer-beater. Passando ao tema desta semana, devo desde já agradecer ao Tiago Santos pela sugestão do mesmo. E não, eu não me enganei a escrever a sigla da Women’s National Basketball Association (a irmã da NBA). A ideia do post seria algo como “World Basketball Association”.
O tema da expansão da NBA a algumas das equipas da Europa é algo que tem vindo a ser discutido: em 2003 surgiram propostas, bem como em 2008. E o mesmo tem acontecido nas últimas semanas, tal como todos os anos por esta altura em que a NBA faz a sua digressão “NBA Europe Live” pelo Velho Continente. A ideia? Criar uma divisão da NBA sediada na Europa, com 5 equipas (tal como as restantes divisões nos EUA) cada uma das quais disputando o calendário de 82 jogos com as equipas já existentes (atenção que se iriam criar novas equipas na Europa, não jogar com as lá existentes, como já defendeu o Real Madrid, que já manifestou o seu interesse em jogar para lá do Atlântico).
O facto de o Europe Live existir bem como a discussão desta proposta apenas revelam aquilo que na minha perspectiva é algo de muito positivo: a globalização do fenómeno do basquetebol e, especificamente, da NBA. E claro, o meu objectivo aqui é mostrar a todos as várias posições tomadas face a esta possibilidade, portanto vejamos…
Do lado oficioso da NBA, David Stern, o comissário da liga, via como principal entrave a este projecto (isto em 2003) as infra-estruturas europeias deficitárias em relação aos padrões da NBA. A Europa, sem grande tradição na modalidade, não possuía pavilhões com o tamanho, por exemplo, dos que existem na América. Porém, hoje em dia, as duas O2 Arena (uma em Londres e outra em Berlim), e outras (que não tenho a certeza se estarão ainda em construção) em Roma e Madrid já reúnem as condições necessárias. Mas será que isso chega para começar a mudança?
Fonte: NBA.com
A nível competitivo, também é hoje em dia discutível a competência das equipas europeias actuais para jogar com as da NBA. Porém, como já foi provado nestes últimos dias (com a vitória do Barcelona sobre os campeões Lakers) que estas equipas conseguem rivalizar. Já relativamente ao jogo físico e a um calendário de 82 jogos não creio que qualquer equipa europeia fosse capaz de discutir campeonatos com as americanas, porém, isso passa muito pela habituação dos jogadores. E mesmo relativamente aos jogadores, há que ter noção que os melhores dos melhores vão para a NBA e não estão na Europa (mas de vez em quando há uns casos, o prodígio espanhol de 19 anos Ricky Rubio, base do Barcelona, ou mesmo o nosso Carlos Lisboa, há uns anos atrás), daí que haja sempre alguma diferença qualitativa entre as equipas.
Mas para mim o caso mais problemático seria o da gestão do esforço dos jogadores. Se já dentro dos EUA a sequência de jogos fora de casa de uma equipa já é algo extremamente regulamentado, visto que há, salvo erro, 4 fusos horários no país, e as viagens em si são cansativas, imagine-se o que seria uma “road trip” na Europa. Seria todo um “jet lag” desgastante que poderia condicionar a performance desportiva.
Agora repliquem isto para uma verdadeira liga mundial de basquetebol (sim, porque equipas como os Raptors já vão esta época fazer um ou outro jogo da época regular em Pequim) e equacionem as possibilidades. É que nem a própria Liga dos Campeões faz as equipas jogarem todas as semanas. E se uma das equipas sediadas na Europa chegasse a um playoff, com uma série de 7 jogos? Era semana e meia de voos América-Europa-América?
Concluindo, defendo que se deve descentralizar o basquetebol ao mais alto nível para fora dos Estados Unidos (e Canadá), mas não me parece que nos moldes actuais haja condições para o fazer sem que se percam aspectos essenciais da modalidade. Mas a Europa já começou a adaptar o seu jogo: alargou-se esta época a linha de 3 pontos para os padrões norte-americanos. E apesar de os melhores jogadores se encontrarem na NBA, muitos defendem que o melhor basquetebol, mais táctico, se joga nas ligas europeias, em contraste com o jogo mais físico, e objectivamente menos complexo a nível táctico, na NBA. Mas se é melhor ou pior, não me cabe a mim julgar. Vejo este projecto de alargamento da NBA então, como uma ideia positiva que necessita de uma melhor construção.

By Óscar Morgado

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