05
Out10
Em Frente
Minuto Zero
Roquettismo
A convite da equipa do programa “Minuto Zero” inicio este espaço semanal que, abordando temas de uma forma generalizada terá o cuidado de ter como pano de fundo a actualidade leonina e, em certos momentos, uma certa nostalgia de momentos de relevo deste clube centenário.
O nome da crónica pretende recordar um momento de enorme importância na história do clube – a época de 1981/1982. A época em que o futebol leonino atingia uma brilhante conquista do campeonato nacional, à custa de jogadores como Jordão e Manuel Fernandes. “Em frente” foi a música gravada pela equipa após tal conquista, que ao longo dos tempos persistiu e que ainda hoje, ocasionalmente, é ouvida em Alvalade. Eram tempos áureos, eram tempos – agora saudosos- onde um presidente leonino era admirado e respeitado. De facto, João Rocha conseguiu enquanto presidente tornar o Sporting um clube moderno, grande, respeitado.
Bem, um clube moderno, grande, respeitado até um certo momento… Há quinze anos atrás começou a degradação leonina que hoje apresenta níveis críticos. Era eleito Pedro Santana Lopes, o primeiro de uma geração designada Roquettista, uma geração que às mãos do seguinte presidente, José Roquette, iniciaria o infame Projecto Roquette. De uma forma breve, este projecto teria como fim acabar com o passivo existente, construir um novo estádio e fundar uma SAD (na altura uma novidade no mundo futebolístico) que tornaria o Sporting uma máquina funcional capaz de tornar o clube um dos maiores da Europa. Os sportinguistas perante esta medida, perante tamanha promessa, batiam palmas, previam um grande sucesso futuro. Infelizmente haviam sido enganados.
Quinze anos passaram e chegamos a este ponto. Um projecto saturado, um passivo insustentável – o clube está actualmente em falência técnica – uma equipa de futebol incapaz de lutar por títulos, um estádio que renega o sportinguismo, uma direcção que actua em proveito próprio (fugindo à Auditoria Externa a todo o custo), tratando os sócios friamente como se de clientes de uma qualquer empresa se tratassem e um património totalmente destruído (via reestruturação financeira, que de ano a ano tem sido apelidada como uma “prancha de salvação” pelas direcções, apesar dos resultados práticos demonstrarem o contrário). Enfim, chegámos a uma degradação de tal forma notória que se torna caricato como existem sócios que ainda são capazes de apoiar presidentes como José Eduardo Bettencourt, o qual tem conseguido humilhar todo um universo sportinguista, onde eu me insiro enquanto sócio.
Fonte: Record Online
Estive presente no protesto do passado dia 29 de Setembro, éramos poucos (pouco mais de 115 pessoas), mas já se nota uma onda de descontentamento de tal forma elevada que nem a vitória categórica na Liga Europa irá conseguir esfriar os ânimos (escrevo sem ainda saber o resultado da equipa em Aveiro, acreditando que um resultado positivo terá o mesmo efeito do jogo anteriormente referido). Os balões de oxigénio vão-se acabando e no próximo dia 13 de Outubro, na Assembleia Geral que se irá realizar, o ambiente quente esperado poderá ser a estocada final nesta direcção e de toda uma geração que tem vindo a arruinar o Sporting. Mesmo que tal não ocorra, a luta da tão famosa minoria irá permanecer activa e certamente nos próximos tempos o cântico ouvido no protesto irá ecoar bem alto pelos corredores de Alvalade. “A Auditoria não querem fazer, porque têm algo a temer. São quinze anos de má gestão, vão todos para a prisão!”
Saudações Leoninas
by Jorge Sousa

