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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

05
Dez10

Fogo sem Fumo

Minuto Zero
Honra Lusitana

Na passada semana, a FIFA escolheu o país que ficará responsável pela organização do Mundial de 2018. A escolha foi o país dos czares, a Rússia. Rapidamente, a imprensa, nomeadamente aquela proveniente dos países que perderam a organização – inglesa, espanhola e portuguesa – iniciaram a sua campanha contra a FIFA e a sua legítima escolha. Cheirou a dor de cotovelo. Quanto ao nosso belo país, candidato a co-organizador da competição com Espanha, acabou por apenas obter um género de “vitória moral”.

Nos dias que precederam a decisão, multiplicaram-se as notícias que demonstravam as características que faziam de Portugal e Espanha a escolha certa, hospitaleiros por excelência e a loucos pelo desporto rei. Por outro lado, também se falou de vantagens, de lucros, de receitas. Ao que parece já havia gente a esfregar as mãos. Aquilo que se falou não corresponde totalmente à verdade, como se pode ler no artigo do Público “Mundiais de futebol não são tão bons para o turismo e comércio como se pensa” onde o alemão, Wolfgang Maennig, professor de Economia da Universidade de Hamburgo que se tem dedicado ao estudo dos efeitos económicos de grandes acontecimentos desportivos, explicita. Mesmo após a decisão tomada, continuou-se a lusitana (e não só) lamuria.

Contudo, há uma questão que me continua a intrigar, Portugal sairia beneficiado por organizar este Mundial? A minha opinião é que seríamos apenas uma mera “moleta” numa operação de fachada que pretendia dar a ideia aos outros países de uma União Ibérica com estofo para organizar eventos em conjuntos. Basta ver a distribuição dos jogos para se verificar o papel de “moleta” que iríamos ter. Apenas 19 jogos dos 64 seriam realizados em Portugal. Para não falar de que apenas Alvalade, Luz e Dragão seriam contemplados devido às suas capacidades permitirem a recepção de jogos de uma competição como um Campeonato do Mundo. O resto do país, esse que tantas vezes é valorizado nos discursos que pretendem transmitir a ideia de que Portugal não é só Lisboa e Porto, seria mais uma vez – e com as devidas formalidades – esquecido. O “centralismo” ganharia mais uns trunfos. Com isto não quero dizer que quero receber um Brasil-França em Mangualde ou em Ponte de Lima, não chego a tanto, mas que o facto de apenas duas cidades do nosso país serem seleccionadas deveria colocar os responsáveis portugueses a reflectir se foi uma boa decisão avançar com esta candidatura. Aceitar que apenas um terço da competição era realizada em Portugal? Temos de ter a noção de que se não temos condições, então não vamos só para preencher lugares.
Costumo dizer que “se é para sair de casa, ou se sai em primeiro ou então não se sai” e esta cruzada ibérica sempre me pareceu que era um frete aos nuestros hermanos. É uma questão de honra. E com isto da candidatura, fomos mais uma vez, vergados aos pés dos nossos vizinhos. 

By Alexandre Poço