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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

06
Out10

Buzzer-Beater

Minuto Zero
O “efeito MVP”


O basquetebol é um desporto? Resposta demasiado óbvia. O basquetebol já é mais que um desporto? Nem precisava de argumentos para o comprovar, mas é esse o meu objectivo nas próximas quartas-feiras. Mas vá, às vezes falaremos apenas do desporto em si. Aceitei com muito gosto o convite do Programa Minuto Zero e espero contribuir positivamente com a minha reflexão e incitar outros a uma reflexão também.

Comecemos pela discussão mais recorrente do outro lado do atlântico. Qual o perfil do Most Valuable Player? Baseado em estatísticas, resultados da equipa ou ambos? Impacto de um único jogador numa equipa? Ultimamente, todos estes factores têm contribuído para a decisão. Na NBA, o debate é aceso quanto ao derradeiro “face-off”: Kobe Bryant ou Lebron James? Nas últimas duas épocas, a decisão tem pesado para o segundo. Média de 29.7 pontos, 8.6 assistências, 7.3 ressaltos, 1.6 roubos de bola e 1 desarme de lançamento, tudo isto por jogo. Números impressionantes para o “King” que já vai para a sua 8ª época como profissional. Para a sua equipa dos Cleveland Cavaliers, melhor record da época regular da liga: 61 vitórias e 21 derrotas. No que diz respeito ao prémio em si (respeitante apenas à época regular, antes dos playoffs), estes números em si parecem justificar a escolha. Mas será que não há mais nada que se possa dizer daquele que tem sido, de facto, o jogador mais valioso de toda a NBA?

Há realmente um factor que o torna o mais valioso de todos, embora isso não se veja em qualquer performance de James em campo. Para aqueles que possam não ter noção, existe a cidade de Cleveland antes do Lebron James, a cidade de Cleveland depois do Lebron James, e adivinha-se a cidade de Cleveland do depois da saída do Lebron James.
Fonte: opposingviews.com
O impacto económico que o MVP das últimas duas épocas tinha na cidade era imenso. Estamos a falar de mais de 20000 pessoas por jogo na assistência da Quicken Loans Arena (casa dos Cavaliers), o que resultou num sem número de casas cheias durante a época, e de pessoas fora da cidade, ou seja, todo o estado do Ohio viajava para ver James jogar. Daqui facilmente se parte para um efeito “bola de neve”: restaurantes, bares, lojas, hotéis (nem sequer contabilizando a receita dos ingressos), todas estas actividades económicas fomentadas por multidões em dia de jogo (não esquecer que, numa semana de jogos em casa, o número de jogos chega por vezes a ser 4). E os impostos para o estado pagos pelo jogador? Nem precisamos de fazer as contas para saber que um salário anual de quase 20 milhões de dólares tem avultadas contribuições para a Receita (embora metade das contribuições vão parar a outros estados, visto que metade dos jogos realizados são fora do estado de Ohio, o que implica que James cumpre jogos e treinos fora dele). Aqui podemos passar pela quantidade de investimentos realizados na cidade nos últimos anos e toda a sua projecção a nível nacional e mundial: por exemplo, os jogos da NBA durante a época regular têm um limite de 25 transmissões televisivas a nível nacional por cidade. Facto: os Cavaliers tiveram direito a cada uma dessas transmissões devido ao poder mediático de James; nem os Lakers, os Celtics ou os Magic conseguiram registar essa marca durante a época, tendo usufruído de menos um. Adivinhem quantos jogos a cidade de Cleveland vai ter direito esta época? Não, não vão ser 0, mas sim 1 jogo. E alguém consegue imaginar contra que equipa será? Pois. Nada mais nada menos que os Miami Heat, onde James agora joga (ouch!). Não querendo entrar em mais detalhes, pensem ainda que os Cavaliers têm um valor monetário como empresa, e que a felicidade das pessoas da comunidade envolvente aumenta os índices de produtividade.

Concluindo, não será demasiado assustador pensar no impacto que uma única pessoa consegue ter sobre os alicerces económicos de um local apenas por jogar basquetebol? Certamente. E, nestes termos, terá Lebron sido nestas últimas 7 épocas o MVP mais valioso de sempre? É discutível. Na altura que Michael Jordan deixou os Chicago Bulls, o impacto sobre a equipa fez-se notar na assistência e nos resultados da equipa, mas uma imensa metrópole como Chicago suportou bem os efeitos económicos. Quanto a Cleveland? Esperemos que as previsões não se confirmem.

by Óscar Morgado

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