Sábado, 19 de Março de 2011
Porque ao Sábado se destaca...
Gerir ou descansar? Correr atrás da bola ou fazer a bola correr?
Estudar futebol ou entreter os adeptos? Ganhar ou ser equipa do quase?


A presente edição da Liga dá-nos as melhores equipas nacionais dos últimos 15 anos. Desde o início do penta do Porto (1994/1995) que nunca vimos duas equipas tão demolidoras no nosso campeonato. O actual Porto e Benfica são bem melhores que os últimos 15 campeões nacionais. O Porto soma 21 vitórias em 23 jogos. O Benfica conseguiu em todas as competições nacionais a proeza de 25 vitórias em 26 jogos. Palavras para que? Benfica e Porto rumo aos calcanhares das grandes potências mundiais. O Porto pode ser o melhor campeão de sempre. O Benfica nada pode fazer contra isso.
Nesta epopeia europeia e nacional o Porto está acima do Benfica. Qualidade individual? Super Hulk. Aimar, Saviola. Falcão- Cardozo. Álvaro Pereira- Coentrão. Não me parece… Qualidade técnica? Muito menos. Futebol espectáculo? Claramente menos.
Tão iguais e tão diferentes. Tão próximos e tão distantes. No fundo o Benfica ressuscitou a sua história e galvanizou o seu jogo, fazendo triangulações perfeitas, acelerações formidáveis, sincronizações de olhos fechados e golos artísticos. Na verticalidade de Salvio… o talento de Chalana. No pé direito de Eusébio… o esquerdo de Cardozo (destaque para a potência não é como é óbvio uma comparação entre os dois jogadores). Na astúcia de Simões… as diagonais de Gaitán. No talento de Valdo… a dádiva de Aimar. Um Benfica que faz os adeptos ingleses pedir mais e adorar vê-lo jogar.
No Porto uma liderança, uma identidade, uma táctica. Um futebol apoiado, um futebol no chão, um futebol pragmático, um futebol largo. A técnica no passe e na recepção, a genialidade artística na genialidade táctica. Atacar a defender, defender a atacar. Forte nas transições. Forte em ataque continuado e em contra-atque. Forte em tudo, fraco em nada. Defesa sólido, ataque sólido. A bola corre de Hélton a Falcão passando um por um pelos restantes 9 jogadores, uma triangulação, uma mudança de flanco, uma subida do lateral, um movimento interior do extremo, uma explosão de Hulk um refinar da orquestra de Moutinho. No fundo a mistura com o previsível e o imprevisível. Um ritmo certo… uma explosão. Perder a bola e pressionar, recuperar e ter linhas de passe. Campo Grande a atacar, campo pequeno a defender. Recuperar, entregar atrás e devolver ao dono da orquesta (Moutinho) que depois decide mudar o pop do ritmo para o jazz (improviso) de Hulk sem desequilíbrios. O Porto é a crença do futebol moderno. Do saber atacar, do saber defender. Da supremacia do espectáculo como forma de guardar a bola e não de dar goleadas, de sofrer faltas quando ganha, de empurrar o adversário à sua baliza sem se desequilibrar. O triunfo dum treinador que estuda e está atento às mudanças do futebol. O Porto descansa a jogar, o Benfica cansa-se a jogar. O Porto faz correr a bola, os jogadores escolhem o ritmo do movimento. O Benfica faz correr os jogadores, com bola no pé, com tabelas, com movimentações desgastadíssimas… grandes golos, grandes perdidas, Javi Garcia fica só na perca de bola e tem de se desgastar. No Porto Fernando divide com Belluschi e Moutinho.
O Porto nunca saí desgastado. Porque o Porto gere o jogo como quer independente do adversário. O Porto pode fazer entrar o seu melhor onze e jogar de dois em dois dias que a sua equipa recupera sempre? Porquê? Porque tem qualidade nos suplentes e alterna os intocáveis. No Benfica Coentrão, Gaitán, Saviola, Salvio fazem jogos a fio e rebentam. No Porto, Moutinho é uma daquelas pérolas raras que até podem jogar 80 jogos por ano. Belluschi emerge e estagna… Guarín afirma-se e explode. Fernando sente o peso da carga de jogos, baixa o Guarín fresco, joga Belluschi. No jogo seguinte Belluschi retoma o banco. James Rodriguéz prepara-se durante 4 meses e rende um Varela a acentuar a quebra de forma. Falcão melhor que nunca depois da lesão (sem desgaste). Nas laterais Álvaro Pereira recupera aos poucos o seu estatuto de indiscutível. Sapunaru rigoroso e Fucile ambicioso alternam. No centro da defesa o seguro Maicon alterna com o imponente Otamendi. Sem perder qualidade, mas sim aumentando. Em função da subida de forma física e mental. Na gestão da motivação. Cada um destes jogadores acredita que pode ser titular. No Benfica temos 12 jogadores (Martins), os outros não estão preparados para serem lançados. Por isso o Porto apresenta sempre a melhor equipa e nunca se cansa, o Benfica joga como diz o seu treinador para entreter todos os adeptos (até aqueles que não são do Benfica) a equipa desgasta-se o Coentrão arrasta-se , Aimar e Cardozo pedem substituições. Uma equipa explode e desequilibra-se. Outra mantém o mesmo ritmo do início ao fim e nunca se parte. Uma ganha o campeonato… outra é a equipa do quase. Porquê? Porque o Benfica ataca melhor que o Porto. Só que o Porto defende a atacar e o Benfica apenas defende, quando perde a bola. Esta é a diferença. Esta é a viragem do futebol. A ideia romântica …a ideia eficaz. A ideia prática de quem jogou (Jesus)… a ideia teórica de quem estudou (Vilas Boas). A gestão descansando os jogadores, a gestão rodando os jogadores.
Por isso o Porto ganha, o Benfica é a equipa do quase… O Benfica não desiludiu, foi mais do mesmo da época passada. O Porto inovou o seu jogo face ao exacerbamento da táctica e da gestão em prol do espectáculo e da individualidade… no fundo da nova sustentação do futebol actual… que tem a Espanha a pontificar de forma máxima a caminho da conquista de três títulos internacionais seguidos (algo inédito). Porque será?



By João Perfeito


publicado por Colaborador Minuto Zero às 13:59
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1 a zero:
De stevefg_8 a 19 de Março de 2011 às 16:24
exacto, disse isto no programa de segunda. é esta a diferença entre Porto e Benfica. O Porto com menos um jogo apenas, que nao justifica nada, nao se desgata. O Benfica anda há sucessivos jogos a desgastar-se...pode ser que a perda da liga tenha um cenário positivo e dê para o descanso. Só assim o Benfica pode vencer algo. Se lutasse pelo título até ao fim, arriscava-se a nao ganhar nada.
Só uma coisa importante que nao referiste: método de treino. Nao vejo nenhum dos dois, como é obvio, mas calculo que o do Porto seja eficiente, adapatado ao futebol moderno, o que mantém a equipa num nível superior. método de treino com ensinamentos do mestre. Jesus, como vem directamente do campo e nao do estudo, como referiste, certamente que terá métodos ainda um pouco antiquados. Um métod de treino que, entre outras coisas, deve privilegiar o descanso, como li há uns dias. Quanto mais jogos, menos treinos.
Uma análise para fazer outro dia.
Concluindo, boa crónica apesar de nao ter gostado da analogia de jogadores de outros tempos (e sim, sei que nao comparaste)

ps: estava para escrever algo parecido para quinta, LOL sendo assim...
em breve escreverei sobre 'treinadores de faculdade/treinadores vindos do campo'
Abraço


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