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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

14
Out10

Evolução do futebol

Minuto Zero
O futebol ao longo dos tempos passou por fases de constante mudança, tanto em ternos tácticos (sistema\ dinâmica), como em termos de intensidade, mudando a sua própria face; de Hugo Meisl a Rinus Michels, de Cruijf a Mourinho, novas formas de jogar, mas sobretudo "reinvenções", foram surgindo, conduzindo àquilo que é o futebol hoje em dia.

Numa época em que parece já não existir nada para inventar, as mudanças vão aparecendo faseadamente, sobretudo como resposta a uma anterior mudança. Estas alterações devem-se sobretudo a uma lógica de procura de novos espaços no terreno de jogo. Se à 20 anos atrás os jogadores quando recebiam a bola tinham 2 segundos para pensar e executar, agora, são por vezes pequenas fracções de segundo. O campo parece cada vez mais curto face a tamanha intensidade; os espaços mais reduzidos em função das  mais apuradas ocupações dos mesmo por parte dos jogadores, tanto no momento ofensivo, como no momento defensivo.

Quais então as novas tendências para o futuro imediato do futebol (europeu sempre na vanguarda)?

Olhando para o terreno de jogo, nos sistemas mais habituais (4x4x2 clássico, 4x3x3, 4x4x2 losango ou 4x2x3x1 nas suas diversas variantes), os últimos "espaços" livres para progredir com bola situam-se sobretudo na defesa. Cada vez reduzidas a menos toques, as transições ofensivas, salvo raras e meritórias excepções (falo do tiki-taka Espanhol ou de Guardiola no "seu" Barça por exemplo), partem ou da subida dos laterais, ou da bola tocada rapidamente pelo pivô-defensivo, colocando esta nos interiores, ou em jogo mais directo, tanto para uma das faixas, na procura das diagonais de "falsos" extremos, como nos pontas-de-lança com cada vez maior "amplitude" de movimentos, que surgem atrás para tabelar.
Os desequilíbrios, aparecem em movimentações vindas de trás, sobretudo de laterais-ofensivos e dos interiores box-to-box, que cada vez mais surgem em zona de finalização, aparecendo nas costas da defesa, ludibriada pelos movimentos de avançados móveis.

Duas novas tendências:

Fim do ponta-de-lança estilo poste de basquetebol, ideais para jogo mais directo, mas que vivem essencialmente na área, entre os centrais, normalmente com pouca capacidade técnica, finalizadores natos, sobretudo de cabeça, que baseiam o seu jogo em receber passes longos, de costas para a baliza, para tabelar ou rodar. Cada vez se lhes pede que saibam transportar bola, não que deixem de saber receber-segurar, mas que sejam mais evoluídos, aproveitando espaços entre-defesas, movimentando-se com e sem bola. No processo defensivo cada vez se lhes pede mais que não fiquem sozinhos na frente (típico de 4x1x4x1),mas que pressionem  alto, fazendo parte do bloco, quer seja ele médio-alto ou baixo, sempre em sintonia com a equipa.
É o novo mundo, de Drogbas, Ibraihmovics...


retirado de: dailymail.com.uk


Mas é na defesa a mais interessante das novidades:

Aos centrais pede-se cada vez mais que saiam em posse, que sejam os próprios a iniciar as transições ofensivas, deixando a típica imagem do "durão com pés de tijolo" que atribuímos aos centrais.
O principal "espaço" a aproveitar no futebol actual está nesta mesma zona, a dos centrais.
Se os defesas/laterais se emanciparam em termos da sua importância ofensiva à cerca de duas ou três décadas, surge hoje em dia a necessidade de os centrais se "voltarem" a emancipar. Digo voltar porque a invenção do libero, antiga como se sabe, foi talvez a sua primeira "formula". No entanto nessa altura acabou por ser combatida, e deixou de fazer sentido, como sempre o futebol evoluí nesta lógica de contra-posição ao estilo definido.
Se hoje em dia os sistemas de 4 defesas passaram a ser referência do equilíbrio entre sectores (defesa-meio-campo-ataque... e porque não guarda-redes também), a verdade é que, e face também ao movimento mais afastado da área dos avançados-centro (um pouco como referi antes), deixa de fazer sentido existirem 2 centrais de marcação. Sendo assim, um deles fica com mais espaço livre, tanto no momento defensivo no qual se liberta da marcação para aparecer nos espaços descobertos sobretudo (tal como o antigo libero), como no movimento ofensivo, onde, e mesmo que o adversário jogue num pressing alto, face à tendência de jogar só com um avançado (ou 1x1 com "segundo-avançado" mais recuado) existirá sempre mais espaço para um dos centrais poder ser ele a sair a jogar.
Outro dado importante, é a cada vez maior tendência dos pivô-defensivos serem a "ancora" da equipa, ocupando espaços entre o meio-campo e os centrais, sendo normalmente jogadores que na transição ofensiva se limitam a um passe curto, podendo assim simplesmente "abrir" caminho para um central sair em posse até uma zona mais avançada.
retirado de: zimbo.com

Basta olhar para duas equipas para perceber esta nova tendência de "vanguarda":

No Barcelona, equipa que sustenta a transição em posse, Pique surge como a figura do novo "libero"; no Arsenal de Wenger, Vermaelen, central belga, é talvez o exemplo mais óbvio desta nova lógica, saindo muitas vezes até meio do meio-campo adversário, rematando até de longe, ou dando a bola a um dos avançados "interiores" dos arsenalistas. Isto porque no futebol inglês, mais físico e com menos preocupação em fechar os caminhos para a baliza, as equipas se expõe mais, permitindo este maior aproveitamento de espaços.

Estes "novos-liberos" são certamente um fenómeno a ter em atenção, e se por agora surgem sobretudo em equipas que jogam mais em posse, rapidamente, começaram a aparecer em equipas de jogo menos apoiado. Uma mudança não só na forma de executar transição-ofensiva desde trás, mas sobretudo ao nível da ideia do central "moderno".

By Tiago Santos