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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

13
Nov10

Porque ao Sábado se Destaca

Minuto Zero


O Barcelona será eternamente muito bom, mas jamais será excelente

Caro leitor parece contraditório, ou até mesmo um pouco confuso, mas na verdade este título patenteia a realidade futebolística do Barcelona.
O Barcelona tem no seu futebol o seu ponto fraco da continuidade. No hóquei em patins, andebol e basquetebol temos uma equipa constantemente a lutar para ser campeã europeia, década após década, após década. No futebol as finais europeias escasseiam comparado com as restantes modalidades e existe uma grande alternância entre o super e o intermitente Barcelona.
A razão é muito simples. O futebol do Barcelona vive de ilusões. Sim de ilusões. Ilusão de ter o melhor jogador do Mundo (Messi), ilusão de ter o melhor treinador do Mundo (Guardiola), ilusão de ter a melhor equipa do Mundo.
O futebol tal como a Humanidade evolui. O que ancestralmente era suficiente para vencer hoje é precário. O futebol evoluí como um futebol complexo e interligado onde cada vez mais os caminhos para a vitória são mais amplos e difíceis.
É preciso entender que ganhar por 5-0 é o mesmo que ganhar por 1-0. Que o que interessa são 3 pontos. Fundamentalmente é preciso entender que o melhor ataque não é aquele que factura 100 golos por época, mas sim aquele que consegue marcar mais golos a Inter, Real ou Chelsea.
Ser melhor é ganhar aos melhores. O Barcelona de Guardiola tem esquema de jogo fantástico, o melhor esquema da história do futebol. Os jogos do Barcelona são pura arte. Eu sento-me, meto o meu caderno de apontamentos entre os braços e como o jogo quase nunca para, tenho de fazer um esforço tremendo para tirar notas. Ao longo duma época encho o caderno só com jogos do Barcelona. Passou horas a fio a aprender futebol com o Barcelona, a analisar os movimentos de Xavi e Inista, as arrancadas de messi e as finalizações de Eto’o. Depois deste árduo trabalho, depois desta equipa ser campeã europeia arranca nova época e o meu caderno de apontamentos fica quase em branco. Porquê? Porque o Barcelona já não me ensina nada de futebol. O futebol do Barcelona é o mais previsível do Mundo(depois de estudado), só que é tão bom que raramente é contrariado. O problema é que são essas excepções que confirmam a regra. O futebol do Barcelona não tem um modelo alternativo, não sabem jogar de outra forma. Os míudos com 10 anos que entram nas escolas do Barça já começam a formular o futebol sénior. É uma escola de futebol, desde o berço até ao fim da carreira. Sempre a jogar da mesma maneira desde Cruijff até Guardiola. Os anos passam e as inovações carecem, a dinâmica mantém-se. Os outros evoluem o Barcelona estagna. O Barcelona continua a ser muito bom. Vivem na ilusão de que são a melhor equipa do mundo porque tem os melhores jogadores do Mundo.
Mas o futebol é um todo inteligível e dinâmico. É necessário ganhar com 30%, 40%, 50% ou até 80% de posse de bola. O Barcelona só sabe jogar com mais de 60%. O Barcelona só sabe jogar no célebre tic-taca. O Barcelona não sabe o que é fazer transições rápidas, ou iniciar o ataque com passes longos. São incompletos. Nesta dinâmica colectiva as individualidades estagnam quando encontram pela frente equipas com um esquema defensivo fortíssimo, onde todos os movimentos do Barça estão definidos ao pormenor.
Daí que o Barcelona pudesse estar a jogar mais 500 minutos contra o Inter que 11 para 11 não marca, ou contra o Chelsea.
O futebol atacante do Barcelona é tão exuberante que nem se preocupam com a defesa. As transições defensivas são péssimas. O Barcelona sofre demasiados golos para a quantidade de ataques que o seu adversário produz.
No futebol actual não basta ganhar com o ataque. É preciso saber defender e saber ganhar. Ganhar de qualquer maneira, ganhar sobretudo com as circunstâncias que o nosso adversário nos obriga. Mas quando o tic-taca cai em teia alheia o futebol do Barcelona é como um água a passar apenas dum filtro para um recipiente. É unidireccional e previsível e sintomaticamente quebrado.

By João Perfeito

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