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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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14
Dez10

Em Frente

Minuto Zero
 Liderança e Complexidade por António Conceição Junior

Peço imensa desculpa por esta semana não conseguir um artigo, no entanto, ao fazê-lo certamente teria de me remeter para actual crise leonina, nomeadamente para a falta de liderança gritante com a qual o clube se depara. Assim, deixo uma crónica publicada já esta semana no site Sporting Apoio, da autoria do presidente do Sporting Clube de Macau, António Conceição Júnior, intitulada “Liderança e Complexidade

“Esta reflexão foi suscitada pelo afastamento do Sporting Clube de Portugal da Taça de Portugal. Não é, nem será, uma fixação obsessiva, nem importa o facto em si, mas sim o que ele revela em relação aos seus desempenhos e dos outros candidatos tradicionais, a que há a juntar um Sporting de Braga que vem crescendo de modo impressionante.
Edgar Morin, na sua formulação de Complexidade, toma como premissas primeiras os conceitos de ordem e desordem. O conceito de ordem extrapola as ideias de estabilidade, rigidez, repetição e regularidade, unindo-se à ideia de interacção, e imprescinde, recursivamente, da desordem, que comporta dois pólos: um objectivo e outro subjectivo. O objectivo é o pólo das agitações, dispersões, colisões, irregularidades e instabilidades, em suma, os ruídos e os erros.
O pólo subjectivo é “o da impredictibilidade ou da relativa indeterminabilidade. A desordem, para o espírito, traduz-se pela incerteza”; traz consigo o acaso, ingrediente inevitável de tudo que nos surge como desordem. E neste raciocínio onde a ordem e a desordem dialogam com a interacção e a organização, somos remetidos a uma ideia de organização situada num plano em que a organização possui elementos influenciadores, tanto internos, quanto externos. Ela deve ser entendida em termos da disposição de relações entre componentes ou indivíduos, produzindo uma unidade complexa, garantindo tanto solidariedade relativa a estas ligações, como a possibilidade de duração, apesar de perturbações aleatórias. Daí fazer-se entender através do macroconceito “trinitário”, sistema-interacções -organização, em que temos:
1. o sistema que exprime a unidade complexa e fenomenal do todo, bem como o complexo das relações entre o todo e as partes.
2. as interacções que expressam as relações, acções e retroacções realizadas num sistema.
3. a organização que representa “o carácter constitutivo destas interacções – aquilo que forma, mantém, protege, regula, rege e se regenera”.
De toda esta complexidade que emula o Universo, constata-se que toda a visão parcial, unidimensional é pobre, porque está isolada de outras dimensões (económica, social, biológica, psicológica, cultural, etc.), por não reconhecer também que somos seres simultaneamente físicos, biológicos, culturais, sociais e psíquicos, ou seja, seres complexos.
Ora a liderança é a resultante de uma visão holística, de uma compreensão da complexidade que é instaurar uma ordem objectiva num terreno subjectivo, consonante aos objectivos a atingir e que, no campo desportivo, determinam que seja o líder – enquanto chefe da tribo clubística – a determinar, a aunar, no dizer de Almada, a orientar, a consolidar. É o homem do timão, aquele que assegura a estabilidade, que compreende a essência dos anseios, que nutre a nação Sportinguista do afecto e da crença que importa ter e que, concomitantemente, arma os jogadores com o espírito de luta necessário, a união em alternativa à dissensão, e lhes confere a estabilidade de que precisam para um balneário forte, coeso, transparente e aguerrido, e uma nação Sportinguista unida em torno de uma estabilidade vencedora, objectivo primeiro da sua existência.
O líder não se nomeia, não se candidata sequer. Emerge, à maneira de Alexandre Magno, Afonso Henriques, Afonso de Albuquerque e todos aqueles que, por feitos valorosos…
O líder sabe encontrar, em cada momento, quem saiba fazer do que há, uma formação estável, coerente, consistente, encorajada e determinada.
O líder, à semelhança dos Pretorianos, não se rende nem se torna refém. Muito menos de si mesmo.
O líder une, não divide. O líder é inevitavelmente consensual, inquestionável. Essa inevitabilidade resume a sua condição de líder, de condutor de homens.
Mahatma Ghandi e Nelson Mandela foram/são líderes cuja força residiu sempre na sua abnegação, coerência e superioridade moral, a que aliaram a profunda solidez da sua razão.
Enquanto não surgir quem torne o nosso Sporting num clube financeiramente viável, apaziguado e vencedor, dificilmente deixaremos de continuar como titubeantes candidatos esperançosos. Por muito que a verdade doa e o sol se não coe por detrás de uma peneira.”

Fonte: Sporing Apoio
Saudações Leoninas,
by Jorge Sousa


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