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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

10
Nov10

Buzzer - Beater

Minuto Zero
Jogando na lotaria

Se mais uma vez o título levou alguém a pensar que o tema desta semana envolveria números outra vez, peço desculpa pelo equívoco. Para esta semana tenciono desenvolver um pouco algo que tenho vindo a mencionar em posts anteriores: o sistema de “draft” de jogadores. 
Em teoria, a coisa funciona na perfeição: a NBA tem 30 equipas, pretende-se que todas as épocas se fomente a competitividade entre elas, e para isso todos os anos se favorecem as equipas com piores resultados. As equipas que não vão a playoff num ano têm direito de entrar na “draft lottery”, onde disputam o privilegiado lugar de poder escolher em primeiro lugar um jogador de entre os muitos que vão entrar na NBA. Para isso a equipa com pior resultado da época têm 25% de hipóteses de calhar no primeiro lugar, a 2ª pior 12,5%, e por aí fora. As restantes equipas (de playoff) distribuem entre si os últimos lugares de escolha, creio eu, linearmente baseando-se em resultados da época regular. E muitas vezes o equilíbrio de coisas acontece, com equipas a levarem voltas de 360º por vezes à conta de um só jogador, ou por uma adição que passa a ser chave para uma equipa. Vejam-se os exemplos de Shaquille O’neal que fez furor ao entrar na NBA pelos Orlando Magic no início dos anos 90, ou mais recentemente Lebron James em 2003 a estrear-se no basquetebol profissional pelos Cleveland Cavaliers. Ambas as equipas eram fracas ou medíocres e passaram a ser equipas de playoff, e por vezes candidatas ao título. 
Mas este sistema é realmente uma espécie de lotaria, onde muitas vezes as probabilidades estão contra quase toda a gente. No ano em que Michael Jordan entrou na NBA, este foi só a terceira escolha do pote, tendo a primeira sido Hakeem Olajuwon, pelos Houston Rockets. E MJ fez imensos estragos na sua primeira época, fora o resto da sua ilustre carreira. Mais exemplos? Tracy Mcgrady foi apenas nona escolha, o seu primo Vince Carter quinta, e, mais recentemente, Kevin Durant segunda. Quanto a T-Mac, ainda que se revelasse um jogador bastante forte ao jogar com Carter em Toronto, apenas quando foi trocado para os Orlando Magic é que fez sérios estragos. Originalmente era suposto ser o “wingman” de Grant Hill, mas uma grave lesão do último levou a que Mcgrady fosse primeira opção de lançamento, tendo ascendido ao estrelato como a máquina que marcar pontos que foi, arrecadando dois títulos de melhor marcador da época. E nos Rockets o seu legado continuou. Porém, nos últimos anos com esta equipa, nada faria prever que as graves lesões que sofreu nunca mais o deixariam ser o mesmo. Eventualmente foi trocado para os New York Knicks, onde ainda se sonhou com o velho T-Mac, com um primeiro jogo de 26 pontos, mas a lesão falou mais alto. Agora nos meus queridos Pistons, nada faz prever que o jogador volte a sua velha forma, embora o próprio acredite que para meio da época chegará a esse nível.
E assim equipas fazem apostas em jogadores que pensam que vão ser grandes estrelas, ou pelo menos peças úteis para os seus plantéis, mas muitas vezes são as lesões ou a falta de evolução efectiva, contrário ao previsto, que ditam a sentença. E para lá do Atlântico as coisas não se resolvem como cá, onde uma nova injecção de capital faz com que uma equipa volte ao mercado e procure a sua nova estrela. Na NBA, absurdos contractos são feitos com jogadores em números que muitas vezes não correspondem ao que um jogador produz em anos futuros, e, dado que muitos destes contractos chegam a durar 5, 6 anos, trocar um jogador (porque não se pode simplesmente rescindir um contracto) torna-se complicadíssimo na medida em que os parceiros de negócio não pretendem arcar com responsabilidades avultadas para o seu tecto salarial e planos de desenvolvimento das suas equipas.
Infelizmente o treino de jogadores não é uma ciência exacta, e muitas vezes resume-se a um simples lançar de dados, apostando muito num lado do cubo que nunca chega a sair. Uma verdadeira lotaria é esta do desporto profissional.
Agora introduzo algo que tenciono fazer todas as semanas, um destaque de coisas da liga ou da modalidade em geral. Positivamente quero destacar duas coisas: a primeira é Paul Gasol, atleta espanhol dos Lakers, que se tem revelado neste início de época não um “wingman” de Kobe Bryant, mas o jogador mais produtivo da equipa, tendo mais pontos, ressaltos e assistências de média que o último. A lesão de Bryant pode explicar muito disto, mas esperemos para ver o que acontece. A segunda coisa é a equipa de New Orleans Hornets. Com excepção dos Lakers, é a única equipa que permanece invicta neste arranque de época, onde finalmente as peças chave de Emeka Okafor, Trevor Ariza e David West parecem estar a dar frutos sob a liderança de Chris Paul. Aqui também tenciono estar atento ao desenrolar da época para este grupo. Relativamente ao aspecto negativo, a nota vai para Michael Beasley: a jovem promessa dos Memphis Grizzlies afirmou perante a imprensa após um jogo que a sua equipa era a pior de toda a liga no presente momento. Por muita razão que possa ter (Ok, o rapaz tem de facto razão), nada de bom para a equipa pode vir deste tipo de declarações, toda a moral do grupo pode vir a ser afectada e assim é que não começam a aparecer as vitórias. Poderá estar na mente do jogador alguma frustração de ter ficado de fora do projecto dos Miami Heat, onde até ao ano passado jogava?

by Óscar Morgado

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