Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
Buzzer - Beater

Sem descanso

       Esta semana decidi pensar em basquetebol no feminino. Não há muita coisa escaldante a acontecer na NBA de momento, e além disso é bom pensar em quem é ‘underrated’ na modalidade. A WNBA começou a operar em 1997, e hoje em dia grande parte das equipas já têm donos independentes da NBA, mas partilham pavilhões por se realizarem em alturas diferentes. A NBA joga de Outubro a Junho, enquanto a WNBA joga de Maio a Agosto.
         As grandes estrelas femininas do basquetebol passaram por lá: Cynthia Cooper nos anos 90, Lisa Leslie, Sherryl Swoopes, Lauren Jackson, Diana Taurasi, Candace Parker, e, claro está, o nosso orgulho nacional, Ticha Penicheiro. Destas, apenas duas (e as únicas de sempre) realizaram afundanços em jogo: Leslie primeiro, Parker depois.
Fonte: sportsillustrated.cnn.com
Esse costuma ser um dos preconceitos ao falar-se de basquetebol feminino: a falta de capacidade em realizar afundanços. Pessoalmente acho sobrevalorizado, pois vale 2 pontos como os restantes lançamentos. Outro dos problemas (este na minha opinião mais grave) tenho vindo a constatar que apenas as melhores jogadoras conseguem evitar: o lançamento. Uma boa mecânica técnica de lançamento costuma ter a bola a ser arremessada ligeiramente acima da cabeça, porém na maioria das jogadoras femininas o lançamento vem do peito. Falta de argumentos físicos? Talvez. Em Portugal sei que passa um pouco por inércia dos treinadores em não insistirem muito para que seja feito de outra maneira, há alguma conformação com a realidade.
Mas de resto, o basquetebol feminino é de altíssima qualidade no mais alto nível. Jogadas geniais surgem, por vezes com mais complexidade que as da NBA, sendo um espectáculo desportivo muito interessante.
Porém, os calendários são muito ingratos para as atletas. Pouco mais de 30 jogos para cada uma das 12 equipas, e disputando-se na sua maioria no Verão. É natural que, financeira e fisicamente, devido à falta de ritmo, a maioria das atletas precise de competir noutros locais. Muitas, como Ticha Penicheiro, têm rumado à Europa no resto do ano para jogar em grandes clubes. No caso da portuguesa, já conquistou uma Eurocup pelo Spartak de Moscovo, já tendo jogado na Polónia, Itália, França e Lituânia. Resultado? Inexistência de férias e períodos de descanso. Da mesma forma que jogar fora se torna a solução para a falta de ritmo desportivo num grande período de tempo (e também alguma estabilidade financeira), acaba por se tornar num problema de excesso de ritmo, que durante a carreira das atletas lhes toma grande parte da vida pessoal. Por vezes, como está Penicheiro a fazer este ano, estabelecem-se contratos de alguns meses (como acontece com o Algés no caso da atleta), não garantindo épocas inteiras, o que, sendo melhor para estas atletas, é mau para os clubes. Porque não estender os calendários da modalidade nos Estados Unidos, onde é tremendamente popular, mesmo do lado feminino? Não me parece que a WNBA tenha que estar condenada a ser o substituto de entretenimento de Verão enquanto a NBA vai de férias: penso que em certa medida há lugar para as duas competições em simultâneo.
Destaque positivo da semana: Erik Spoelstra, treinador dos Miami Heat, concedeu definitivamente a responsabilidade da posição de base ao jovem Mario Chalmers. Até aqui o veterano Carlos Arroyo, mais ofensivo que Chalmers mas também com mais quilómetros nas pernas, e já no declínio da sua carreira, tinha assegurado a posição. Chalmers surge como um base com maior capacidade defensiva, pois as 3 estrelas da equipa já têm talento ofensivo suficiente. Além disso, promete alguma evolução significativa para os próximos anos, tendo apenas 24 anos. Destaque negativo: Richard Hamilton não joga um único minuto desde 10 de Janeiro. Inicialmente envolvido nas negociações da troca de Carmelo Anthony, agora que estas foram por água abaixo, que espera o treinador dos Pistons John Kuester? Será esta maneira de tratar o jogador da poderosa equipa que venceu o título em 2004? Pode já não estar no seu prime, mas é certamente um jogador de 5 inicial em Detroit. Mesmo que vá embora, pode estar a contribuir de forma muito positiva até ao final. Sinceramente, já mudavam era o treinador da equipa pela qual torço…

by Óscar Morgado



publicado por Minuto Zero às 16:15
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