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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

04
Jan11

Em Frente

Minuto Zero
        Mundo Alternativo

             Ontem, em pleno Programa Minuto Zero foi abordada a cada vez mais evidente falta de militância que a maioria dos clubes de dimensão menor tem sido alvo. Quando me foi pedida a minha opinião sobre o assunto considerei importante destacar a transformação de que o futebol foi alvo nos anos 90.
                Devem ter passado dez anos – talvez um pouco mais – desde que eu assisti ao Bento Pessoa cheio para receber a Académica. Na altura, lembro-me perfeitamente de se poder sair ao intervalo do estádio para se ir comer algo ao café ou para se poder ir comprar o tremoço. Eram os mais velhos na bancada atentos ao jogo, enquanto ouviam o relato num pequeno rádio que traziam num bolso, eram os mais jovens em plena festa nas superiores. Mais ao menos, na mesma altura, fui a Alvalade ver um jogo com o Alverca – primeira vez que vi um jogo ao pé das claques do Sporting. Estava a bancada lotada e a maioria de pé a cantar. Eram as roulottes à entrada, eram as queijadas de Sintra a circular de um lado para o outro, eram grupos que se encontram só em dia de jogo, enfim toda a vivência de um dia de bola era diferente.
                Não fazia a mínima ideia na altura, mas então o futebol estava a transformar-se. Os clubes estavam a tornar-se empresas, os sócios a tornarem-se clientes e a ida à bola a aproximar-se cada vez mais do esperado quando se vê um jogo em casa no sofá. Antigamente, se tivesse que ser, as pessoas até à chuva viam os jogos. Se quisessem sentar-se, muitas vezes nem cadeiras havia. Era sentar em pedra, ou então ver de pé. No entanto, os estádios enchiam. E, tanto enchiam Alvalade, Dragão e Luz, como enchiam os restantes estádios em Portugal.
Fonte: sportingmemorias
                Agora, não há jogo que não passe na televisão (mesmo assim existe as tardes de Taça de Portugal, que não perco hipótese de acompanhar via rádio). Os clubes têm academias, centros de estágios longe dos estádios (antigamente, até os treinos tinham constante assistência, agora só quando se ganha). Entre ir ao estádio (“que chatice”) ou ver em casa, onde a experiência é quase igual, a escolha recai no conformismo. Enfim.
                Eu não gosto do futebol moderno, não gosto do futebol estatístico. Gosto do futebol enquanto paixão, enquanto gerador de amizades, enquanto momento único da minha semana. A ânsia em chegar o dia em que o meu clube jogue é sempre grande. Infelizmente, são cada vez menos os que pensam assim e, cada vez mais, parece que a própria massa que vai aos estádios é inerte. Vai por ir.
                A maioria, ao ler o que escrevi em cima acerca da melhoria de condições que a modalidade foi alvo, certamente pensará que sou parvo. Não me importo. Para haver essa melhoria, perdeu-se muita da alma inerente ao futebol. São raros os jogos ao domingo à tarde com os estádios cheios. São raros os momentos em que o futebol consegue fugir ao mundo empresarial. E mesmo que não concordem, os estádios vão estando cada vez mais vazios, havendo para mim uma parte essencial do desporto que morreu nestes últimos anos.
               
Saudações Leoninas,
by Jorge Sousa

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