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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

25
Out10

Segunda é o dia

Minuto Zero
Por amor à camisola

Numa semana em que o futebol monopolizou a atenção de grande parte dos amantes de desporto em Portugal, com os jogos das equipas portuguesas nas competições europeias, alguns acontecimentos acabaram por passar despercebidos. Mas são essas conquistas de atletas portuguesas que, na verdade, dão outra alma ao desporto e de que importa falar.


Esta semana ficou a saber-se que Bruno Pires, antigo campeão nacional de ciclismo de estrada, vai juntar-se aos irmãos Frank e Andy Schleck na nova equipa de ambos, com base no Luxemburgo. Mais uma boa notícia para o ciclismo português que vê, assim, mais um atleta a internacionalizar-se. Se, em Portugal, o investimento na modalidade tem sido cada vez menor, no estrangeiro continuam a existir grandes patrocinadores a financiar grandes equipas e alguns ciclistas portugueses têm conseguido aproveitar para melhorarem as suas performances.

No ténis de mesa, Tiago Apolónia conquistou esta semana o Open da Áustria, ao derrotar Timo Boll, que é considerado o melhor do mundo na modalidade. O jovem atleta formado no Estrela da Amadora e que se tornou profissional na Alemanha, conseguiu recuperar de uma desvantagem de 3-1 para acabar por vencer por 3-4. Apesar da vitória, que deveria encher de orgulho todos os portugueses, é importante realçar que o ténis de mesa é uma das modalidades com menos apoio em Portugal e que, para este torneio, Tiago Apolónia não contou sequer com a companhia de qualquer treinador da selecção nacional.

Estes dois exemplos provam como o desporto vai muito mais além do futebol. As grandes vitórias, no fundo, não são só aquelas que dão maior visibilidade a um país ou clube, mas principalmente aquelas que, pela sua dificuldade, levam ao rubro os adeptos. Por exemplo, no campo do futebol, terá muito valor o Inter de Milão ter vencido a Liga dos Campeões no ano passado. Mas não terá Mourinho sentido muito mais prazer e uma alegria muito maior quando conseguiu a conquista com o Porto, um clube muito mais pequeno e com muito menos recursos?

A vitória de Tiago Apolónia, por exemplo, parece-me ainda mais meritória na medida em que teve que contar quase só consigo mesmo para o conseguir. Tal como as vitórias de Sérgio Paulinho, Tiago Machado, Manuel Cardoso e Rui Costa, no ciclismo, são consequência apenas do seu mérito próprio e/ou do investimento que equipas estrangeiras fizeram nos atletas. Tanto no caso destes quatro ciclistas, como no caso de Tiago Apolónia, João Monteiro e Marcos Freitas (que actualmente jogam ténis de mesa na Alemanha), o sucesso é reflexo do trabalho realizado fora de Portugal e, muitas vezes, com elevado esforço pessoal.

Eu sei que estamos fartos de textos que apelem a uma maior defesa das pequenas modalidades. Mas cada pequena vitória que um atleta luso consegue numa grande competição é, para mim, mais um motivo para continuar a apelar. Se há pequenos países que conseguem ter grande expressão em diversos desportos, por que é que Portugal não consegue?

Em tempos de crise económica, não é altura de pedir mais dinheiro para o desporto nem de exigir a construção de infra-estruturas. Mas, para memória futura, fica o apelo para que, quando possível, se comecem a redireccionar fundos para longe do futebol e a aplicá-los nos atletas que realmente se esforçam por amor à camisola e à modalidade.

By João Vargas

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