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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

16
Mar12

Buzzer Beater

Óscar Morgado

Doidas doidas doidas andam as equipas

 

Terminou hoje o prazo de transacções de jogadores da época 2011-2012 da NBA. E portanto Dwight Howard acabou por ficar em Orlando. Mais um ano pelo menos, exercendo a sua opção de contrato. Tanta persuasão ao longo do ano por parte da organização, e o melhor poste do mundo ficou. Ninguém se acreditava, mas realmente aconteceu. É claro que pode ser só um adiamento, porque maus contratos em Orlando podem significar que durante o Verão ou a próxima época ninguém de significativo virá para ajudar Dwight Howard. Isto foram más notícias para os New Jersey Nets, que esperavam atrair Howard e juntá-lo com Deron Williams, este último ainda não segurado por um contrato de longo termo.

Mas quem saiu a ganhar e a perder da confusão toda?

 

Vencedores

   Washington Wizards: Enviando Young para os Clippers e McGee para os Nuggets, os Wizards conseguiram Nené Hilário, poste da equipa de Denver. É uma forma de lhes dar maturidade, e alguma orientação para John Wall. Além disso, com mais um ano além deste, termina o contrato de Rashard Lewis, e a equipa pode contratar uma estrela. Devagarinho, vão assentando.

   L.A. Lakers: Enviar Fisher para os Rockets e conseguir um talento jovem em Jordan Hill é uma melhoria, mas conseguir melhorar na posição de base com Ramon Sessions a vir de Cleveland a troco de uma escolha de 1ª ronda de draft que não será muito significativa e jogadores dispensáveis parece-me natural como uma evolução po

itiva.

   L.A. Clippers: OK! A falta de Billups fica relativamente colmatada com a potência no marcador que Nick Young traz ao plantel. Não tem a mesma presença veterana nem a mesma inteligência e empenho em campo, mas no que toca a um marcador energético, que remedeie a falta de Billups,

tudo certo.

   Golden State Warriors: Um poste forte em Adrew Bogut, vindo dos Bucks, ainda que a troco de Monta Ellis, é uma melhoria (salvo lesões que costumam ser frequentes), fazendo um duo de grandes com ele e David Lee, a temer no Oeste. Stephen Curry também é apto a lesionar-se, mas tirando esse factor, esta equipa melhorou.

   Orlando Magic: Ficaram com Dwight Howard. O que quer dizer que continuam entre os potenciais 4 poderosos no Este, e têm um ano para rodear definitivamente o poste de talento à sua altura. Como chegaram a sentir o seu bilhete para um eventual campeonato fugir-lhes das suas mãos, o relógio está a contar. Mais um ano para vir, provavelmente nunca um Kevin Durant, Lebron James ou Dwayne Wade devido à falta de moedas de troca, mas, combinando o melhorado Ryan Anderson e o contrato venenoso de Hedo Turkoglu, atrair pelo menos mais um All-Star, e outros jogadores sólidos a todas as posições.

 

Derrotados

   New Jersey Nets: Podem ter conseguido um veterano empenhado e que traz defesa à equipa, e a tão necessária companhia a Deron Williams, mas a partir do momento que Howard deixa de ser uma opção, os Nets saem por baixo. Após tanta indicação como o destino mais provável para o poste, a sua decisão de ficar em Orlando pode fazer Deron Williams sair com zero contrapartidas. A não ser que as fichas dos Nets (Brook Lopez e Marshon Brooks) surtam uma boa troca no draft ou no Verão.

   Portland Trailblazers: Até podem não o ser, mas enviando Camby e Gerald Wallace embora, vindo apenas uma quiçá preciosa escolha de draft dos Nets que, a calhar abaixo do nº 3, é dos Blazers, e então poderá (uma eventual providencial número 4) relançar esta equipa malograda de tantas lesões ao longo dos últimos anos. Resta saber se irão conseguir aproveitar o auge de carreira que atravessa LaMarcus Aldridge em tempo útil. Nicolas Batum, e um possível renascimento de Johnny Flynn poderão ajudar. Quanto ao mesmo para Hasheem Thabeet, não me parece.

   Indiana Pacers: A ter, como se previa, um ano sólido a discutir o 3º lugar do Este, conseguiram uma boa adição para os pontos vindos do seu banco com o brasileiro Leandro Barbosa...a preço de saldo, por uma mera escolha de 2ª ronda do draft. Pechincha.

   Milwaukee Bucks: Estou a arriscar aqui, até porque muitas equipas poderiam fazer bom uso dos talentos sobrenaturais ofensivamente que Monta Ellis possui. Mas trocou-se um poste (ainda que propenso a lesões) por um base-extremo mais baixo do que é comum. Embora pontos seja coisa que falte aos argumentos dos Bucks, esta jogada dependerá de sorte na lotaria e subsequente draft, bem como algumas adições de peso antes da próxima época. Porque Jennings e Ellis são um bom começo, mas nada de conclusivo.

   Houston Rockets: Fizeram trocas que convinham a outros. Se eu tivesse esta equipa em mãos, iria ter que forçosamente desfazer algumas coisas para os tornar competitivos sem ser naquela zona inglória de roçar o playoff todos os anos. Agora não desfazendo-me de sólidos 'role players', ainda jovens, como Jordan Hill ou Johhny Flynn, ou mesmo Thabeet, que tendo sido uma desilusão após ser segunda escolha da geral de alguns drafts atrás tem uma estatura tremenda, e é sempre um bom projecto para negociar talento aliciante com outras equipas E nunca para atrair 'velhos' no final de carreira, como Derek Fisher ou Marcus Camby.

15
Mar12

3x4x3: Deitando sortes

Minuto Zero

Barcelona, Real Madrid, Bayern, Milan, Apoel, Marselha, Benfica e Chelsea: são estas as 8 equipas ainda em prova na Liga dos Campeões. Esta sexta-feira, em Nyon, serão estes os nomes que irão ser sorteados, num processo sem protecção nacional (equipas da mesma federação podem defrontar-se).

 

A grande questão, pelo menos para nós portugueses, será de fato, quem calhará em sorte ao Sport Lisboa e Benfica. Em 2005/06, na altura sob o comando técnico de Ronald Koeman, os encarnados encontrariam o Barcelona de Riijkaard, numa eliminatória de grande intensidade, não conseguindo no entanto aguentar a pressão no jogo da segunda-mão em Camp Nou.

Hoje, o Benfica parece mais próximo do nível da elite europeia, com um plantel com mais soluções e um técnico bem mais ambicioso. Pensar numa hipotética final, parece no entanto uma miragem, mas que uma grande exibição pode tornar bem mais real.

A evitar, claramente, Barcelona e Real Madrid, gigantes espanhóis, parecem de fato os adversários mais complexos. Depois, numa segunda linha, defrontar o Bayern ou Ac Milan seria também tarefa dificil, sobretudo, tendo a segunda eliminatória fora.

Olhando para as características e potencialidades dos adversários, diria que o Marselha ou Apoel seriam os adversários ideias. Os franceses, ainda na temporada passada foram eliminados pelo Benfica na Liga Europa, e apesar da boa prestação frente ao Inter de Ranieri parece uma equipa ao alcance dos encarnados. Quanto ao Apoel, a desconfiança passa sobretudo pelo jogo fora. Estamos a falar de uma equipa organizada, mas que em termos de valor individual está de fato bem longe dos restantes 7 concorrentes nesta fase.

Neste ponto de vista, uma visita a londres para defrontar um Chelsea problemático, poderia ser um mal menor, uma equipa que pelo que já se percebeu tem algumas limitações esta temporada.

 

Outra grande questão para este sorteio, tem que ver com o caminho de Real Madrid e Barcelona até à final de Munique. Fico a torcer para que o sorteio os afaste até à final, ao contrário do que aconteceu na temporada passada. Tudo poderá acontecer, sobretudo se as duas equipas se defrontarem num único jogo. Não tenho dúvidas que, mais tarde ou mais cedo, seja qual for o resultado do sorteio se irão defrontar.

 

Depois, perceber se das parelhas dos quartos-de-final duas equipas de menores aspirações se irão encontrar. Benfica, Marselha e Apoel, partem como outsiders, num grupo de colossos europeus. Dos restantes 5, penso que o Chelsea será a equipa que mais dúvidas deixa...

 

Resta esperar pelo mais importante sorteio da temporada, naquela que é ao nível de clubes a mais exigente competição do mundo.

 

 

By Tiago Luís Santos

14
Mar12

Lado B

Bruno Carvalho

Dois exemplos de profissionalismo

 

Este fim-de-semana ficou marcado por dois grandes exemplos de profissionalismo: Pedro Emanuel e Melgarejo.

 

No sábado, Pedro Emanuel mostrou que é um grande profissional ao impor um empate (1-1) frente ao clube do seu coração (o FC Porto). Na minha opinião, Pedro Emanuel consegue separar a profissão dos sentimentos ao contrário de outros, como Domingos Paciência, que no Sporting não conseguiu fazer essa separação entre “portismo” e profissionalismo. Confesso que sou um grande fã de Pedro Emanuel enquanto treinador, pelo facto de conseguir desempenhar o seu trabalho com qualidade e sem qualquer tipo de constrangimentos de ordem pessoal, mas também pelos resultados positivos que tem obtido esta época, nomeadamente a qualificação para a final da Taça de Portugal e os empates com FC Porto, Benfica e Sporting para o campeonato nacional.

 

No domingo, foi a vez de Lorenzo Melgarejo, avançado do Benfica emprestado ao Paços de Ferreira, mostrar que é um verdadeiro profissional ao dar tudo em campo, tendo inclusivamente atirado uma bola ao poste da baliza do Benfica. Neste caso, Melgarejo consegue separar o clube que representa (Paços de Ferreira) do clube a que está vinculado contratualmente (Benfica). Também ao contrário de outros, como Urreta (jogador emprestado ao Vitória de Guimarães), que se recusou a defrontar o Benfica, Melgarejo mostra que em primeiro lugar está o clube com o qual trabalha todos os dias, neste caso, o Paços de Ferreira.

 

Concluindo, Pedro Emanuel deve ser visto como um exemplo para os restantes treinadores que nutrem um sentimento especial por um clube, mas que têm que o defrontar por estar numa equipa adversária.

E Melgarejo deve ser visto como um exemplo para todos os jogadores que estão emprestados a outros clubes, mas que têm de defrontar a sua entidade patronal.    

13
Mar12

Porque a vida também é feita a correr...

João Perfeito

Apoel- Um milagre que a PlayStation (ficção) quis dar à realidade

 

Não caro leitor, não vou falar dos 5 golos do Messi como obra de jogo de PlayStation. Na verdade os 5 golos do astro Argentino perante um destroçado Bayer Leverkusen numa eliminatória já decidida apesar de serem surpreendentes estão longe de ser utópicos.

Neste espaço já manifestei a minha satisfação pela consolidação do projecto do Apoel, contudo face à continuação do seu desenvolvimento, não me canso de continuar a elogiar a equipa cipriota. Fá-lo-ei até que esta incessante odisseia chegue ao seu fim, até a realidade tirar a ficção deste conto de fadas.

Depois de surpreender o universo futebolístico do Velho Continente ao suplantar 3 dos últimos 4 vencedores da Liga Europa o Apoel conseguiu apurar-se para o lote mágico de 8 melhores equipas do futebol Mundial. Deixando pelo caminho o heptacampeão francês Lyon, equipa onde pontificam internacionais das potências com maior gabarito no panorama futebolístico mundial.

No fundo, este Apoel, não é mais que o melhor exemplo de futebol colectivo da actualidade.

Assente numa estrutura de transição e com uma das melhores defesas do Mundo protegida por um sempre-inspirado Chiotis, o Apoel é uma equipa equilibrada, solidária e muito inteligente.

A criatividade, liberdade e fluência de jogo intersectam-se com o calculismo, penetração vertical no espaço vazio e multiplicidade de espaços.

O conjunto cipriota está órfão de estrelas e esta premissa é a grande chave do seu jogo.

Na eliminatória contra o Lyon foi a disponibilidade física inigualável dos seus jogadores que permitiu ao conjunto cipriota ser fortíssimo nas transições.

Ofensivamente, com uma enorme disponibilidade de passe e desmarcação abortando todas as perspectivas de verticalidade individual e fintas; defensivamente com uma recuperação rapidíssima, um encurtamento de espaços criteriosa e uma pressão cautelosa sobre a zona da bola. O adversário tinha apenas espaço para construir o seu jogo, mas na hora de desequilibrar caía no labirinto cipriota, direccionando o seu jogo para tentativas fortuitas de jogo aéreo.

Na baliza Chiotis resolveu todos os problemas derivados das poucas falhas da defesa, demonstrando e transmitindo confiança para a equipa.

Paulo Jorge, mais uma vez demonstrou ser dos melhores centrais da actual Champions, com uma exibição irrepreensível. No meio-campo luso, Hélder Sousa  e Nuno Morais transmitiram tranquilidade suficiente para a equipa respirar no momento defensivo e sair com critério no momento ofensivo.

Na ala, Manduca revelou-se um excelente jogador na equação desequilíbrio atacante/enraizamento colectivo.

Por fim, destaque ainda para o virtuoso Marcinho, que deu imaginação à fluência de jogo da equipa e à incisão, remate fácil e posicionamento exímio de Airton Almeida.

Uma equipa construída rigorosamente num dos sistemas mais enraizados do futebol actual, alicerçada pelos maiores carregadores de piano do futebol europeu que viram a sua qualidade submersa no futebol português e por uma criatividade brasileira também ela com escassez de oportunidades de triunfo.

Este é o triunfo dos revoltados… O triunfo de jogadores desrespeitados e desaproveitados pelo paradigma do futebol contemporâneo: técnica e individualização de acções.

Esta qualificação não é mais que a constatação que o futebol tem ainda muito por evoluir e que estamos longe duma estabilização final conceptual do seu paradigma.

O colectivo, a solidariedade, o enraizamento de jogadas em laboratório cada vez mais vem contrariar a imprevisibilidade da liberdade individual dos jogadores.

Talvez por isso, não seja só na PlayStation em modo de Campeão que um Apoel consegue figurar entre os 8 melhores clubes da Europa.

A realidade é esta e o que ontem estava gravado nas memóricas card da PlaySation hoje preenche os mais emblemáticos estádios do futebol europeu.

Apoel, uma equipa, um sonho, uma realidade, um milagre, ou talvez  não, que a ficção quis dar à realidade, que a final os nossos sonhos utópicos as nossas convicções, os nossos desejos tem todos uma componente realística muito importante que só precisa de ser consolidada, trabalhada e desenvolvida.

Obrigado Apoel, acompanharei cada passo desta incessante odisseia até ao Game Over final.

Apoel o triunfo da entropia da ficção e da realidade, não sabemos onde começa uma e acaba outra, mas para o bem e para o mal guardarei na minha memória card todo este caminho glorioso independente do desfecho final.

12
Mar12

Livre Directo

Cláudio Guerreiro

Fim-de-semana de atletismo

 

 

Neste fim-de-semana, ocorreram em Istanbul os Campeonatos do Mundo de Atletismo de Pista Coberta que não contaram com a presença de muitos dos grandes atletas do panorma mundial. No entanto, outros atletas reconhecidos internacionalmente estiveram presentes na Turquia e conseguiram prender a atenção dos amantes do atletismo.

 

Destaco em particular o regresso de Yelena Isinbayeva aos grandes resultados, no salto com vara, que passou 4,80 m. É certo que a concorrência não era grande, pois o outro nome que poderia fazer frente à atleta russa era a alemã Silke Spieglburg, que acabou por ficar na 4ª posição atrás da francesa Vanessa Boslak, que ficou com a prata, e da inglesa Holly Bleasdale, que ficou com o bronze. Na mesma prova, mas no masculino, a vitória foi para Renauld Lavillenie que com 5,95m tornou-se o líder mundial.

 

No lado feminino há a destacar várias vitórias. Nos 60 m a vitória sorriu a Veronica Campbell-Brown que se tornou a nova líder mundial. Destaque ainda também para Sally Pearson nos 60 m barreiras que mostrou que se poderá tornar numa das maiores atletas de sempre. Uma das maiores surpresas no lado feminino foi a derrota da selecção dos Estados Unidos que perdeu para uma equipa da Grã-Bretanha que apresentou uma equipa bastante forte.

 

Por último, no lado masculino também há a destacar algumas provas. Os 60 m foram das provas mais aguardadas. Aqui a medalha de ouro foi para Justin Gatlin (6,46s) que bateu Nesta Carter(6,54s) e Dwain Chambers (6,60s). A maior surpresa no lado masculino foi a vitória do grego  Dimitros Hondrokoúkis, no salto em altura, que ao passar 2,33m conseguiu superar a maior concorrência dos atletas russos em prova.

11
Mar12

Área de Ensaio

Pedro Santos

A Primeira Vitória dos Lobos

 

 

 

    Regressou esta semana o rugby internacional de alto nível, e numa altura em que o Torneio das 6 Nações se aproxima do fim, muita coisa está ainda em disputa, e apesar das apostas recaírem sobre Gales, nada está ainda decidido.

 

    Mas vamos por partes. No Sábado, Portugal recebeu a Espanha em Coimbra, em jogo a contar para o Torneio Europeu das Nações. Depois de 3 derrotas, Portugal ameaçava entrar numa espiral negativa que poderia trazer efeitos psicológicos graves. Por seu lado a Espanha vinha de uma moralizadora serie de óptimos resultados, tendo como ponto alto a vitória sobre a Geórgia. Na verdade ambas as equipas tinham muito a perder, sobretudo a Espanha que ainda ambicionava vencer o Torneio deste ano.

    Na equipa portuguesa destacavam-se as ausências de Bardy e Gardener, sendo a linha defensiva composta quase em exclusivo por homens do CDUL. Já a Espanha perante tão importante partida, trouxe as principais armas de França e Inglaterra, de facto o rugby espanhol tem evoluído bastante e hoje em dia individualmente podemos considerar que são uma equipa superior a Portugal.

    A primeira parte foi disputada em ritmo lento, com Portugal a acumular erros (desaproveitados pelos espanhóis) e sem grande capacidade de construir, salvando-se os pontapés de Pedro Leal.

    A segunda parte trouxe maior organização ofensiva e como tal não foi de estranhar os dois ensaios, primeiro por David dos Reis e depois por Mike Tadjer Barbosa, ambos magistralmente assistidos por Pedro Leal.

    No final o resultado fixou-se em 23-17 a favor de Portugal.

De positivo destaca-se a continuidade do poderio das formações ordenadas, o maul dinâmico que parece uma aposta desta equipa técnica (e durante tantos anos tivemos tantas dificuldades em defender maul’s), a exibição de homens como David dos Reis, Pedro Leal (é defesa, perde-se como formação), Francisco Pinto Magalhães e Lourenço Kadosh.

De negativo, os alinhamentos continuam a ser descoordenados, em certos momentos parece que a equipa está “ao sabor da maré” sem uma estratégia coordenada de ataque, e a exibição de Yannick Ricardo, que não tendo jogado mal, e sendo um jogador de qualidade, não parece ao nível da titularidade nesta selecção, principalmente para quem vê regularmente Duarte Cardoso Pinto jogar na Agronomia.

    Enfim, é uma vitória positiva, fruto do trabalho colectivo e que deve servir de base para Torneio Europeu das Nações do próximo ano, quando se começará a definir os lugares no RWC.

 

    O Torneio das 6 Nações arrancou no sábado com o País de Gales a receber a Itália. Os transalpinos procuravam a primeira vitória neste certame, onde apesar das boas exibições não têm logrado vencer, tendo neste momento zero pontos. Já Gales, apenas pretendia a vitória, pois são a única equipa que ainda pode chegar ao Grand Slam (torneio apenas com vitórias).

    A primeira parte foi algo amorfa, sem ensaios e com a defesa italiana a evidenciar-se, embora cometendo algumas penalidades que Halfpenny tratou de converter.

No segundo tempo, a Itália não aguentou o ritmo e os ensaios de Jamie Roberts e Alex Cuthbert dilataram o resultado que acabou em uns expressivos 24-3. Destaque (mais uma vez) para Leigh Halfpenny com 10 pontos e uma bela exibição, e a possibilidade de se tornar no melhor jogador do torneio.

    De seguida a Irlanda recebeu e bateu a Escócia num excelente jogou de rugby. Emotividade, boas jogadas e sobretudo um jogo agradável de ver.

A partida iniciou com a Escócia a meter um ritmo fortíssimo e nos primeiros dez minutos apenas a equipa escocesa teve bola, tendo a Irlanda defendido muito bem. Contudo a Escócia apenas conseguiu 6 pontos, e a partir daí a Irlanda tomou conta do jogo. A Escócia tanto acusou a pressão e a ansiedade, os jogadores queriam fazer tudo e tão rápido que acabavam por cometer erros, salvando-se o excelente ensaio de Richie Gray.

    O último jogo desta jornada opôs a França e a Inglaterra, num dos duelos mais interessantes do rugby europeu. A França tentava a vitória para decidir tudo no último jogo em Gales, já a Inglaterra tentava continuar os bons resultados mostrando que uma equipa jovem pode mostrar serviço.

Contudo os ingleses dominaram a posse da bola e do território, e apesar de alguns erros estiveram melhor que a França que não mereceu a vitória. O ensaio francês de Wesley Fofana (uma agradável surpresa neste certame) não foi suficiente para igualar os de Tom Croft, Ben Foden e do poderoso Manu Tuilagi.

    Na próxima jornada Gales recebe a França e vencendo o jogo vence também o torneio, apenas com vitórias. A França está arredada do título. A Inglaterra necessita de vencer a Irlanda em casa e esperar que a França vença Gales para poder vencer o Torneio. Itália e Escócia encontram-se para decidir que será último e levará para casa a Colher de Pau.

 

By Pedro Santos

09
Mar12

3x4x3: Liga Europa em revista

Minuto Zero

 

1. Não poderia passar em claro: enorme vitória do Sporting frente ao lider da Premier League Manchester City. Mais do que a discussão da eliminatória, fica clara a ideia que de facto os leões tem no seu plantel soluções capazes de lutar por algo mais do que o conseguido esta temporada.

No Ethiad, o nível de dificuldade pode crescer, mas a verdade é que a equipa de Sá Pinto marcou uma clara posição frente a um colosso do futebol europeu, mas que vem demonstrando dificuldades na Europa, sobretudo fora de portas.

Terá de ser um Sporting cuidadoso, mas sem esquecer que marcando terá a vitória na eliminatória na mão. Com Xandão em principio titular ao lado de Polga (a mais improvável das duplas leoninas), está garantida a capacidade sobretudo no jogo aéreo, mas a verdade, é que apenas com duplo-pivot na frente dos centrais, este Sporting europeu ganha consistência.

A chave do jogo do City esta na movimentação entre linhas de David Silva e Aguero, aparecendo em zonas do terreno diferentes ao longo dos 90 minutos. Com Dzeko, mais posicional, ficou facilitada a tarefa de Xandão. Em Inglaterra, o enfant terrible Balotelli deverá regressar à titularidade, mais móvel em combinações com El Kun Aguero.

Mais do que falar de nomes, será sem dúvida mais um duro teste, à maturidade deste Sporting mas também à capacidade de resposta da equipa orientada por Roberto Mancini, que certamente quererá na próxima temporada estar na discussão pela Liga dos Campeões.

 

2. Esperava-se um grande jogo em Old Traford, na recepção do Manchester United ao Atletic Bilbao de Bielsa, mas as expectativas foram totalmente ultrapassadas. No teatro dos sonhos, a formação manteve-se fiel a si mesma, com posse de bola e futebol apoiado. Notaram-se alguns erros defensivos, que provocariam para além de dois golos sofridos algumas outras situações para o United, mas a verdade é que o futebol de toque e movimento da equipa de Bielsa acabaria por surpreender a Europa do futebol num jogo fabuloso, dentro e fora de campo.

É reconhecida a capacidade do Atletic em casa, puxado pelos seus fervorosos adeptos, mas a chegada do ex-seleccionador argentino levou esta equipa para uma outra dimensão. Para além do bom futebol, vai demonstrando qualidade, com jogadores como Muniain, Martinez ou Llorente a mostrarem que de facto podem jogar em clubes de maior dimensão. Para além destes, revelações como De Marcos, Ander ou Iturraspe deram aos bascos um estilo decalcado no futebol do Barcelona de Pep Guardiola, mas com uma dimensão física tipicamente basca.

Para a segunda mão, as expectativas são ainda maiores, depois do heroico 3-2 no teatro dos sonhos... na próxima semana será a Catedral de San Maméz a receber duas das equipas que mais empolgantes do velho continente.

 

By Tiago Luís Santos

08
Mar12

Buzzer Beater

Óscar Morgado

No Flow

 

Hoje penso que seja oportuno abordar questões psicológicas complexas e pouco exploradas, que há já muitos anos se adequam ao mundo desportivo, concretamente à NBA. O conceito de 'flow', vindo da psicologia (traduzindo à letra 'fluxo'), designa um estado mental que faz um indivíduo operar numa dada tarefa com um grau de concentração e envolvimento completo, no limite do que um ser humano consegue fazer, levando-o ao seu potencial total de aprendizagem e performance em qualquer tarefa. É um estado impossível de desbloquear propositadamente, embora certas condições devam ser satisfeitas: a actividade em questão deve ter objectios claros para o executante, o qual deve estar ainda bem ciente desses objectivos e da sua real capacidade para os cumprir, vendo-se a si próprio como absolutamente capaz de estar à altura da execução, e a tarefa deve proporcionar um feedback imediato nas suas várias fases.

Ora, vendo por partes, isto serve que nem uma luva a um jogo de basquetebol. O objectivo é o de vencer a equipa adversária, e o jogador pretende ter um desempenho superior ao dos seus adversários para o conseguir. Além disso, é expectável que o seu treinador transmita a cada atleta os seus objectivos específicos para servir o propósito geral da equipa. O jogador, assim posto, sabe o que tem que fazer, bem como o treinador, que lhe delega as tarefas em função da sua capacidade para as cumprir. No caso da NBA, o seu estilo orientado para a iniciativa dos atletas em muitas situações, dada a sua qualidade, faz com que haja uma grande capacidade criativa na execução em campo.

E depois chegamos ao feedback imediato: o rugir do público com um lançamento de 3 pontos convertido, o 'dá cá mais 5' do colega depois da assistência concluída ou a palmadinha nas costas do treinador no final de um jogo bem conseguido são mais que suficientes.

E isto tudo para quê? Eu tenho a certeza que vi um jogador no flow no passado Domingo. Deron Williams, base dos New Jersey Nets, despejou 57 pontos nos Charlotte Bobcats numa vitória de 104-101 sobre estes.

E agora voçês dizem: "Ah mas são só os Bobcats que estão quase em último...". Mas se vos disser que este é o marco pontual mais alto da época regular da NBA desde 22 de Janeiro de 2006, quando Kobe Bryant despedaçou os Toronto Raptors com os seus 81 pontos, já agora 2ª melhor performance pontual desde os 100 pontos de Wilt Chamberlain há 50 anos, a perspectiva muda.

Mas não foram só os pontos que me chamaram à atenção. Podiam ter todos vindo de jogadas fáceis, de assistências exímias, de factores quase externos ao jogador. Mas não. Uma postura quase animalesca de Williams, que normalmente é já um jogador de elite, com uma confiança tremenda a jogar, que põe uma equipa inteira a funcionar e com um jeito já de si natural para marcar pontos, neste jogo ele estava sob o efeito do flow, claramente. A confiança estava acima do que alguma vez esteve para Williams na NBA, que lançou triplos em corrida e os converteu, jogou de costas para o cesto, qual poste, e sabia exactamente o que tinha que fazer, quando fazer, e como fazer. E provavelmente não sabe explicar como é que aquilo aconteceu, nem conseguirá, conscientemente, replicar as condições novamente para fazer algo semelhante. Acredito que poderá voltar a fazê-lo até ao final da sua carreira, mas não o poderá antecipar.

NBA, where amazing happens? Nah, NBA, where out of this world psychological phenoms happen!

07
Mar12

Lado B

Bruno Carvalho

A primeira derrota de Sá Pinto

 

 

Sá Pinto sofreu a primeira derrota enquanto treinador principal do Sporting, frente ao Vitória de Setúbal, por 1-0. É de sublinhar este resultado (1-0), que parece ser a imagem de marca do novo treinador do Sporting. As três vitórias deste “novo Sporting” foram todas elas por 1-0 frente ao Paços de Ferreira, Rio Ave e Légia de Varsóvia e a única derrota também foi pelo mesmo resultado. Apenas o empate a duas bolas, na Polónia, com o Légia foge a esta regra.

É ainda curioso o facto de todos estes golos terem sido peculiares. Senão vejamos: um autogolo frente ao Paços de Ferreira, um golão frente ao Rio Ave e um cruzamento-remate frente ao Légia. Já o golo sofrido contra o Vitória de Setúbal também foi peculiar, no sentido em que a bola transpôs por muito pouco a linha de golo.

Para além de todas estas curiosidades, apraz-me registar o fraco futebol que a equipa de Sá Pinto mostra. São escassos os remates à baliza e o futebol ofensivo praticado pela equipa de Alvalade é muito pouco atraente, mostrando apenas como fator positivo uma aparente maior coesão defensiva (com Sá Pinto ao leme, em 5 jogos, o Sporting sofreu apenas 3 golos). Em suma, o Sporting tem feito más exibições, excetuando um pouco o jogo contra o Rio Ave onde o Sporting teve uma exibição melhor.

Em termos individuais, Anderson Polga tem mostrado aqui e ali alguma intranquilidade, o que é de estranhar para um jogador já com alguma experiência e que foi campeão do Mundo em 2002, pelo Brasil.

Não entendo como é que Daniel Carriço continua a ser utilizado como trinco, quando todos nós sabemos que Carriço é um defesa-central de raiz, e ainda para mais tendo André Santos disponível. André Santos, sim, já demonstrou ter qualidade suficiente para desempenhar o papel de trinco com qualidade.

Também é de notar a má forma de Elias, um jogador que já mostrou no início da época que pode fazer mais e melhor.

A ausência de Matías Fernández na equipa titular do Sporting, em jogos internos, é uma situação que não compreendo, pois Matías parece estar num momento de forma superior ao de Elias.

A seca de golos de Ricky van Wolfswinkel é algo que não deve ser esquecido e que deve preocupar os adeptos e o técnico do Sporting.

Seba Ribas tem-se revelado até aqui como o maior flop da época do Sporting, na medida em que passa sempre ao lado do jogo. Agora percebo porque é que este jogador nunca jogou no Génova.

E por fim, as lesões que têm assolado o plantel sportinguista são algo que têm contribuído e muito para os maus resultados desportivos desta temporada. Principalmente a ausência de Rinaudo é a que mais se faz notar, visto que o jogador argentino é um elemento fundamental para as transições da equipa. Mas também, Alberto Rodríguez e Jeffrén, que estiveram a maior parte da época parados.

Concluindo e com o campeonato praticamente perdido, o Sporting está a 14 pontos do líder FC Porto (com 27 em disputa) e já foi eliminado da Taça da Liga, restando a final da Taça de Portugal (com a Académica) e uma Liga Europa em que é claramente “outsider”.

 

05
Mar12

Livre Directo

Cláudio Guerreiro

Benfica: problema central

 

 

 

No último Benfica-FC Porto após a lesão do central benquista Ezequiel Garay, Miguel Vítor entrou para o seu lugar. Já nesta temporada quando algo se passava com Luisão ou Garay que os impedisse de continuar em campo, o jovem central era sempre chamado para os substituir. Apesar da dupla Luisão-Garay ser a que mais vezes joga, Miguel Vitor cumpre o seu serviço quando entra em campo. Não foi pela lesão de Garay e pela entrada de Miguel Vítor em campo que o Benfica perdeu o jogo.

 

Contudo, no jogo seguinte à indisponibilidade de um dos centrais habitualmente titulares quem surge entre os titulares é Jardel e não Miguel Vítor. Não coloco em questão as exibições de Jardel e a qualidade do jogador, que até nem compromete a equipa, mas sim a falta de critério de Jorge Jesus. Seguindo a lógica de muitos treinadores o central que levam para o banco de suplentes seria ele o central que substituiria um companheiro aquando da sua indisponibilidade.

 

Isto só passa a ideia de que Jorge Jesus não tem a confiança necessária para colocar o central português entre os 11 titulares. Caso esta situação continue não me admiraria que Miguel Vítor reivindicasse a saída do clube que o formou. Só a jogar com regularidade é que Miguel Vítor poderá se desenvolver enquanto jogador e aspirar a chegar à Seleção Nacional