Domingo, 24 de Abril de 2011
A Guerra das Rosas

          

Não Estamos Sozinhos

 

 

 

            Caros leitores, ventos de mudança abatem-se sobre o basquetebol português. Na última assembleia-geral da Federação Portuguesa de Basquetebol, foi aprovada, por imposição da legislação da União Europeia, a lei Bosman para a Liga Portuguesa de Basquetebol.

            Muito sucintamente, a lei Bosman, já vigente em muitas ligas de basquetebol (entre outros desportos) na Europa, defende que os jogadores comunitários (naturais de qualquer país da UE) contariam como jogadores nacionais em qualquer país onde esta lei se encontra activa. Essa medida seria extremamente benéfica para ligas com limite de jogadores estrangeiros (agora extracomunitários), sendo que se usufrui assim de um mercado muito mais amplo, sem no entanto exceder esse tal limite.

            Mas francamente, se analisarmos bem a questão, será que essa medida será realmente benéfica para o basquetebol português? A resposta é simples: não.

            A Federação estava de mãos atadas nesta questão, não tendo muita hipótese de escolha, sendo que a aprovação foi quase que forçada para a Liga Portuguesa de Basquetebol entrar em conformidade com as leis laborais Europeias. Mas os efeitos de tal medida são previsíveis e, infelizmente, bastante negativos.

            Primeiro, será claro que com a contratação de jogadores comunitários, a quantidade de jogadores portugueses de valor a sair para o basquetebol profissional diminuirá em grande quantidade. Isso é certo e sabido. Tivemos praticamente tantos talentos a emergir do nosso basquetebol nos últimos dois ou três anos sem Bosman, como nos dez anos anteriores, em que a Bosman estava em vigor na nossa extinta LCB. Uma liga com mais estrangeiros dá menos possibilidades para portugueses encontrarem o seu espaço e crescer como basquetebolistas.

            Ora esse facto, aliado a uma Selecção Nacional seriamente envelhecida e necessitada de uma renovação (basta olharmos para a convocatória do Eurobasket 2007 e para a ultima convocatória da Selecção Nacional pelo ex-selecionador Moncho Lopez, para constatarmos que as diferenças são reduzidas), e à progressiva perda de capacidade económica da maioria das equipas da liga, o que pode desencorajar vários futuros talentos, cria uma crise bastante grave na nossa futura Selecção, porta-estandarte do basquetebol nacional, a qual esperemos que Mário Palma consiga resolver com sucesso.

            Outro grande senão nesta lei Bosman é que de facto um grupo muito restrito de equipas portuguesas (Porto, Benfica, e possivelmente a Académica, a Ovarense e o CAB) poderá vir a beneficiar destas medidas. Devido à sua maior capacidade financeira em relação às restantes equipas, elas poderão tirar partido do mercado europeu de jogadores, com especial atenção à Espanha ou à Europa de leste. Mas vejamos: uma equipa com um baixo orçamento anual como certas equipas da liga têm não consegue comportar um jogador espanhol, croata ou francês que receba praticamente todo esse orçamento ou mais ao ano. Mas talvez uma equipa rica já tenha essa capacidade de adicionar mais dois comunitários e ainda manter a sua equipa do ano anterior mais ou menos intacta. Ou seja, traduzindo para a sabedoria popular, o rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre. Uma liga que desde a primeira jornada distribui prognósticos entre Porto e Benfica terá um fosso qualitativo ainda maior a partir do momento em que os clubes mais ricos começarem a tirar partido da Bosman.

            Agora, não nos podemos esquecer que o Porto e o Benfica têm duas das melhores formações do país, e ver as suas equipas profissionais recheadas de jogadores estrangeiros não é com certeza a melhor maneira de incitar o jovem basquetebolista português a seguir esse caminho, o que pode bloquear a saída de novos talentos portugueses dessas equipas.

            Francamente, todos sabemos que a Bosman é má para o basquetebol, mas a verdade é que trazendo jogadores de outros campeonatos pode abrir mais portas para jogadores portugueses saírem para a Europa, e essa maior visibilidade internacional pode e tem que ser considerada como o melhor de toda esta má situação.

            Após uma reunião com os clubes para discutir este tema, a Federação Portuguesa de Basquetebol terá uma última palavra a dizer acerca deste assunto. Aguardamos por mais notícias...



publicado por Pedro Salvador às 12:00
editado por Minuto Zero em 18/04/2011 às 00:00
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
Voleibol à Sexta

Mais Benfica


     Começa amanhã a fase final do campeonato nacional de voleibol masculino, que oporá o SL Benfica e a AJ Fonte Bastardo. O primeiro jogo é na capital, onde se prevê uma afluência significativa, tendo em conta a experiência do ano passado, onde disputou este mesmo título com o SC Espinho.

     A surpresa é, de facto, a chegada da equipa açoriana a esta fase: apesar de nestes últimos jogos ter demonstrado grande valor e ter conseguido grandes resultados, é uma formação que não se apontaria como favorita a chegar à final no início do campeonato, há largos meses. Lembremo-nos que esta equipa apenas chegou ao escalão principal do voleibol português na época 2005/06.

     Apesar dos bons resultados, e como já aqui referi, considero que a equipa da Luz é favorita a conquistar o título: um plantel que se tem tornado cada vez mais forte e completo ao longo da época faz a diferença. Há uns meses, nas primeiras jornadas, ainda eram visíveis alguns erros completamente evitáveis; agora, com a consolidação de uma equipa e de alguns novos jogadores de valor, são poucos os que contestam a supremacia do Benfica.

vermelhoslb.wordpress.com

     Recuemos um pouco no tempo: quando vi os reforços encarnados para esta época, achei que Flávio Cruz e Hugo Gaspar fariam toda a diferença no plantel. Não estava enganada, mas não posso deixar de referir, agora que nos aproximamos a passos largos do fim da competição, a participação valiosa de Tony Ching. O jogador americano começou tímido e um pouco irregular, mas apenas para se ir afirmando como um peso pesado da equipa: foi a sua consistência que permitiu a José Jardim preterir Raidel Toiran, tão inconsistente no ataque – capaz do melhor, sem dúvida, mas também do pior – e tão pouco seguro na defesa. Essa foi, na minha opinião, uma das maiores diferenças deste Benfica

para o do ano passado; não nego o valor do cubano, mas parece-me que a sua cabeça nem sempre está onde deveria estar.

     Outra grande diferença foi a contratação de Rafinha, como libero, e as opções para a distribuição: André Tavares foi, sem dúvida, importante para assegurar alguns jogos, mas a diferença fundamental está, na minha opinião, na contratação de Dustin Shneider e Olivier Faucher, aquando da lesão do primeiro.

      Por tudo isto e também por tudo aquilo que aqui referi ao longo destes longos meses, cheira-me que amanhã vamos ter um grande jogo, mas a pender para o lado dos lisboetas – com muita pena minha, na verdade. Gosto da Fonte Bastardo. Espero estar enganada.

 

ADENDA: afinal estava mesmo enganada. AJ Fonte Bastardo consegue um resultado importantíssimo ao vencer na luz por 3-1. Um jogo que, por merecer algumas palavras, não deixarei de trazer à baila nas semanas vindouras. No próximo sábado joga-se nos Açores,  a oportunidade é grande: os açorianos carimbar o seu nome como vencedoraes do campeonato nacional A1.

 

By Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico



publicado por Sarah Saint-Maxent às 12:01
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
Steve Field

Venceram os melhores

 

          Como benfiquista, preferia não escrever o que irei escrever. Só que, acima de tudo, gosto de futebol, bem mais do que gosto do Benfica. Portanto, o que é verdade é para ser dito.

          O jogo de hoje, uma vez mais, mostrou quem é a melhor equipa. Uma equipa que todos consideravam não ter hipóteses de vencer. Uma equipa que parecia confirmar a maioria das previsões com o nulo ao intervalo.

          Só que os campeões vêem-se nas alturas mais difíceis. E assim foi. Com o nulo ao intervalo e uma desvantagem de 2-0 na eliminatória, só uma grande equipa vira tudo a seu favor. Só uma equipa forte táctica e emocionalmente consegue contrariar as adversidades e vencer na casa do maior rival.

         

           Acima de tudo, tal feito tem um nome: André Villas Boas. Já aqui o referi na crónica anterior e reforço o que foi dito. André Villas Boas é, claramente, um génio. E pouco mais há a dizer. Se fosse o Benfica a ter que virar uma desvantagem no Dragão, jamais conseguiria.

Por um lado, fico contente. A vitória foi mais que justa. Pode ser que desta vez os mais fervorosos adeptos do Benfica desçam à terra e vejam que este Benfica é inferior ao do passado, que este Benfica é inferior ao Porto, que este Benfica não consegue gerir vantagens confortáveis (veja-se o jogo na Holanda contra o PSV) pois vai contra o seu habitual estilo de jogo. Um Benfica que toda a época treinou para um certo tipo de futebol, um futebol ofensivo com transições rápidas, obviamente a necessitar de gerir uma vantagem vê-se obrigado a abdicar dos seus princípios e torna-se vulnerável.

Aqui atribuo culpas a Jorge Jesus. Tal como lhe atribuo culpas por depender de certos jogadores e não ter alternativas. O Porto tem 15/16 jogadores de alto nível, o Benfica perde 2 e ressente-se de imediato.

          Além disso, este jogo transmitiu que nunca se deve festejar antes de tempo. O futebol é rico em imprevisibilidade, sobretudo quando o adversário é de elevada qualidade.

Resta a Liga Europa onde, caso o adversário seja o Porto, “não há duas sem três”. Será o desfecho perfeito para uma época de sonho do “Special Two”. Uma época inteiramente justa que premeia todo o grande trabalho realizado. Parabéns Futebol Clube do Porto, a melhor equipa de futebol em Portugal!

 

ps: Adoro Ronaldo quando tem espaços. Adoro Ronaldo quando joga em contra-ataque. Porém, apenas nestas situações o considero um jogador de top. Hoje foi um jogador de top.

Quanto a Mourinho, mais uma vez provou que não é preciso ter melhor equipa para ganhar e mais uma vez provou que não é preciso ter sempre a bola para ganhar. Mais uma vez calou todas as (injustas) críticas que lhe têm proferido. Mourinho provou, de novo, que é melhor. A maneira como os jogadores festejaram com ele no final do jogo revela a força de todo o seu trabalho, revela o poder que um treinador tem num balneário, revela que é mesmo Special. Parabéns, rei Mourinho!

 

by Steve Grácio



publicado por Steve Grácio às 00:41
editado por Jorge Sousa às 16:07
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
Buzzer - Beater

Brandos? De certeza?

          Na NBA joga-se duro. Na América, em geral, joga-se duro. E os atletas norte-americanos são, em geral, duros. Faz parte da sua formação: extremamente atléticos, com técnica espantosa. Além disso, são grandes. Muito grandes mesmo. Pelo menos no basquetebol, isso traduz-se num estilo de jogo agressivo, especialmente entre postes e jogadores mais interiores.

         Mas a liga tem vindo a internacionalizar-se, e já não são apenas norte-americanos a jogar, pois cada vez há mais atletas internacionais. Isto traz alguma diversidade à cultura de jogo norte-americana. Mas será que toda a gente lida bem com isto?

         Estudo de caso: a posição de extremo-poste (ou número 4) tem sido a que, discutivelmente, tem visto mais jogadores internacionais singrarem na NBA. Estou a falar de dois atletas específicos: o espanhol Pau Gasol e o alemão Dirk Nowitkzki.

         Mas então que se passa? Há visões tradicionais das habilidades de cada posição em campo, que supostamente são o modelo de jogador: um base deve ser um excelente passador e organizador de jogo, um base-extremo tem que ser bom lançador, um extremo ser o mais versátil possível, um poste um grande ressaltador e defesa exímio, e um extremo-poste deveria ser uma versão mais versátil do poste, com mais mobilidade e capacidade explosiva.

         Temos, portanto, exemplos: Kevin Garnett, dos Boston Celtics, tem uma grande capacidade defensiva e de combatividade nas tabelas. Já Amare Stoudemire tem toda a explosividade que se deseja da sua posição. E depois temos Dirk Nowitzki, que é mortal a finalizar perto do cesto, e mais mortal ainda de longa distância. Para juntar à festa, é um bom ressaltador. Que chatice não é? Se puserem um base a defendê-lo para conter o tiro exterior, ele coloca-o perto da tabela e os seus 2.13 metros são avassaladores; se puserem um poste ou um extremo-poste a conter o seu jogo ofensivo interior, ele afasta-se e lança a bola de uma distância que necessita de jogadores que defendam melhor com um centro de gravidade baixo (o que é difícil para os postes).


fonte: champaignschools.org


         Bolas, isto é versatilidade não é? Por essa razão Nowitzki averbou 23 pontos e 7 ressaltos de média na época regular, e levou os Dallas Mavericks ao terceiro lugar da sua conferência. Agora em playoff, a parada tem subido, com o alemão a marcar 30.5 pontos por jogo e a capturar 8.5 ressaltos.

         Depois há Gasol, semelhante ao anterior no jogo interior, mas bem menos eficiente do exterior. Porém, é muito melhor ressaltador. Averbou 18.8 pontos e 10.2 ressaltos por jogo na época regular, sendo a segunda opção dos Lakers após Kobe Bryant.

         São dois jogadores extraordinários. E mesmo assim há quem lhes chame de “brandos” ou “bonzinhos”. Stoudemire já fez essa crítica a Gasol, e Charles Barkley a Nowitzki, argumentando que, em momentos críticos do jogo, não fazem faltas pesadas, ou defendem de forma muito permissiva. Mas será possível ser-se brando a ganhar 10 ressaltos por jogo e a desarmar uma ou duas vezes (a melhor média esta época foi de Andrew Bogut, com 2.58) o lançamento adversário (Gasol)? Ou a fazer a vida negra a treinadores e defensores adversários ao marcar de qualquer zona do campo e ainda assim ganhar 7 ressaltos (Nowitzki)?

         Estas acusações são, no máximo, jogos mentais interessantes. Também Chris Bosh tem sido criticado pela sua falta de agressividade nos Miami Heat, mas já provou em inúmeras ocasiões o contrário. Pau Gasol ganhou dois campeonatos da NBA com os Lakers nos últimos dois anos, tendo sido a peça-chave para o sucesso da equipa quando foi trocado de Memphis há uns anos. Dirk Nowitkzki já foi às Finais da NBA e apenas teve o azar de apanhar um Dwayne Wade endiabrado que lhe custou o título. De resto, critica-se a falta de sucesso dos Mavericks de Dirk nos playoffs, tendo já sido diversas vezes eliminados na primeira ronda contra equipas teoricamente mais fracas. Mas a margem de 2-0 à melhor de sete que os Mavericks estão a ter contra os Trailblazers está a mostrar, neste momento, qual é a melhor equipa, bem como quem é o melhor em campo.

         Se ganha jogos, é porque é bom, e não porque tenha que seguir um modelo de jogador específico a uma posição. Nowitzki é, discutivelmente, o melhor extremo-poste da actualidade. Gasol está muito próximo, talvez depois de Stoudemire. Brandos? Não me parece.

 

by Óscar Morgado



publicado por Minuto Zero às 14:18
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
Em Frente

  Silly-Season     

        

                Um adepto desmotivado, uma equipa demolida, uma história já contada. Pensa lá jornalista, como raio vais dar a volta a este problema, vender o jornal, colocar o dinheiro no bolso e fazer sonhar alguém. Pensa, pensa… Não sabe como? Então toca a pegar na velha fórmula mágica da Silly-Season onde todos são grandes, todos são campeões, nada se perde, tudo se ganha e “agora é que é”.

                Sabem do que falo? É Robinho, meus amigos! É Tomasson que chega hoje, é Buffon a interessar a alguns. É o Taiwo no Benfica, é o Pavlyuchenko no Sporting. Enfim, é o momento em que o jornalista, como eu em casa, entra na base de dados do Elifoot, do CM, do FM e, toca a fazer as suas equipas de sonho. Ver quem ficava bem aqui, ali, toquezinho aqui, paus mágicos ali e, pronto, eis que se alcança o novo campeão nacional. O adepto come, o jornal também e na pior das hipóteses (pior, mas igualmente mais recorrente) um simples suspiro pelo jogador que estava certo e que fugiu-nos entre a ponta dos dedos.

                A mim sempre me soube bem ler estas notícias em casa, ainda para mais nas distantes épocas do início do novo século, onde do meu clube se ouvia falar de dois ou três destes quase-quase-nossos-jogadores durante toda a pré-época e do rival da segunda circular uns quantos todas as semanas. E que bem que sabia ler sobre o jogador da gigante Lázio que vinha, para depois vir o Pesaresi, ou do roubo do milénio aos rivais para no final aparecerem o reformado Drulovic e o Quim Berto.

 

               

                Pois, o pior é que o feitiço aos poucos vai mudando de dono. Se para vender aos adeptos do Benfica nessa altura era preciso motivá-los com supostas estrelas vindas de galáxias distantes, o mesmo parece agora suceder-se no Sporting. A Silly-Season, bela e sonhadora, que tinha início lá para os finais de Maio, este ano ainda não parou.

                Não têm notado? A equipa do Sporting já saiu praticamente toda e já foi substituída por meio mundo novo. Artur, Wendt, Rodriguez, Garay, Alex Silva, Zahavi, Jô, Bobô, são já os primeiros que entre confirmações, desmentidos e, mesmo quase a assinar, sempre segundo “fonte segura”, entraram na roda-viva que será este Verão quente em Alvalade. E, atenção, que até ao nível do treinador, a história não terá fim tão próximo quanto isso, que isto de ter Paciência não deve ser assim um dado tão certo. E graças a deus que já lá vai as eleições, ou então entre treinadores, jogadores e olheiros, o Sporting arriscava-se a ter para o ano um departamento capaz de alinhar numa partida de Futebol Americano, com uma equipa ofensiva, outra defensiva e ainda uma especial.

                Suspira Sportinguista que bem precisas, pois isto apesar de não alcançar níveis de outrora em Portugal, leva ao riso natural de quem acompanha esta Silly-Season, que ainda nem a Maio chegou. Nunca mais chega o início da próxima época…

 

Saudações Leoninas,

by Jorge Sousa



publicado por Jorge Sousa às 05:03
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011
Terceiro Anel

Na Luz “com respeito, sim, com medo, não!” -  parte 2


 Mais uma semana de boa memória para o Benfica, o facto de ter conseguido atingir as meias-finais da Liga Europa, trouxe também para mais perto as garantias financeiras que necessita devido ao investimento que fez no início da temporada. (Relembro que após a eliminação prematura da Liga dos Campeões o Benfica necessitava de chegar à final da Liga Europa para garantir um saldo positivo na época desportiva 2010/2011.

Interessante também vai ser o facto de termos dois árbitros estrangeiros a apitar jogos entre equipas portuguesas. Talvez tenhamos mais justiça ou talvez cheguemos À conclusão que os nossos árbitros não são assim tão maus quanto os fazemos.

Fonte: Associated Press


Mas antes disso temos ainda a meia-final da Taça de Portugal, onde volto a pedir aquilo que pedi na primeira mão: “Com respeito, sim, com medo, não!”.

Apesar de todas as vozes que se unem em redor de um “super-Porto”, que o tem sido, não me chega a convencer que será superior ao Benfica. Primeiro porque o futebol encarnado no seu expoente máximo é um rolo compressor capaz de vencer qualquer equipa, excepto o Barcelona ou o Real Madrid. Depois porque este Porto não é exuberante e uma concentração extrema como se viu no Dragão em Fevereiro é capaz de reduzir o Porto a uma equipa normalíssima.

Espero estar no Jamor, mas espero também que os adeptos do meu clube, tal como os dirigentes honrem a camisola e o clube que representam, tornando a noite de quarta-feira, numa noite de espectáculo que é o futebol.
 
by Simão Santana


publicado por Simão Santana às 19:18
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Domingo, 17 de Abril de 2011
Fogo sem Fumo

Ponto Final

 

 

Muito dificilmente o Sporting conseguirá terminar o campeonato no 3º lugar que pretendia, após se ter visto precocemente arredado da luta pelo título. O Sporting perdeu hoje na casa do campeão nacional, FC Porto, por 3-2 e poderá ver o Braga distanciar-se caso a formação minhota vença o jogo de amanhã na Madeira, frente ao Nacional. Se já era uma época triste e devido a tudo o que aconteceu dentro e fora dos relvados, caso a equipa não consiga alcançar o último lugar do pódio é uma época para esquecer e que começa a dificultar a vida à equipa do próximo ano, pois já nem às pré-eliminatórias da Liga dos Campeões o Sporting poderá ir.

 

Poderá dizer-se que é justo, tendo em conta a produtividade leonina ao longo da época, mas para José Couceiro é certamente um final bastante amargo que o próprio, pelo amor que demonstrou ao aceitar o fardo de levar os leões até ao fim da época, não merecia. O ‘grande’ objectivo de Couceiro não será alcançado e o Sporting arrasta-se até ao bendito dia em que terminar este malfadado campeonato.

 

A equipa de Alvalade ainda tinha a esperança que os jogos europeus de Porto e Braga desgastassem as respectivas equipas e permitissem a concretização de um milagre: vitória do Sporting no Dragão e em Braga e a conquista do 3º lugar da liga portuguesa. Os dragões vencem o cansaço com a motivação e com a vontade de continuar a ganhar, os bracarenses aguentam a pressão leonina e conseguem derrubar qualquer desgaste com a verdadeira epopeia que a equipa está a realizar na Liga Europa. Provavelmente, o Sporting – que se desloca ao reduto do Braga na última jornada – irá ao Minho ser o bobo da corte de uma torcida entusiasmada e orgulhosa dos marcos históricos que a formação de Domingos Paciência tem alcançado. A vida não vai fácil em Alvalade. A derrota de hoje encerrou uma das piores épocas do Sporting.

É hora de começar a preparar a próxima época para construir um projecto que assente numa outra mentalidade, num outro treinador e num conjunto de reforços de qualidade que tragam valor, bom futebol e vitórias ao Sporting Clube de Portugal. Quanto a 2010/2011 – o pano caiu e não há palmas para ninguém.

by Alexandre Poço



publicado por Alexandre Poço às 23:50
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Sábado, 16 de Abril de 2011
Porque ao Sábado se Destaca...

O Todo é muito mais que a soma das partes

Milhões vs Tostões

A Realidade concreta e a realidade ficcional 

Braga vs Manchester City

 

     Benfica, Braga e FC Porto qualificaram-se na passada quinta-feira para as meias-finais da Liga Europa. Desta forma, Portugal conseguiu pela primeira vez na história colocar 3 equipas simultaneamente numa meia-final duma competição europeia, feito apenas compartilhado com as gigantes: Alemanha, Inglaterra, Espanha e Itália. Sendo que apenas no que diz respeito à Liga Europa apenas Espanha e Alemanha já tinham alcançado também este feito.

Num plano geral em que o nosso país passa por uma grave crise económica e política o futebol mostra a outra face da moeda, nesta fase sem milhões mas com qualidade mandamos nós na Europa.

     Em primeiro lugar temos de enaltecer tamanho feito e acabarmos de uma vez por todas por descredibilizarmos o nosso mérito porque as grandes potências não se esfolam nesta prova. Esta é uma das maiores mentiras do ano, uma mentira onde o estatuto é usado como forma de deturpar a falta de competência.

     Pois bem na competência é que está o cerne da questão. Se a nossa imagem económica é vergonhosa no plano geral, no plano futebolístico ela também não é mais animadora. Pois bem, mas enganemo-nos de olhar para a realidade e traduzi-la por euros e milhões. Entendamos que a realidade é mais complexa e onde quer queiramos quer não duas palavras fazem toda a diferença: trabalho e cultura.

     Na cultura dum povo é que está o seu suor, a sua capacidade de sofrimento, a sua maneira de encarar os desafios e superar as dificuldades, de encontrar mecanismos para resolver todas as contrariedades. O desporto em geral e o futebol em particular são uma escola de vida, o reflexo da sociedade. E por isso tanto no desporto como na vida as ideias, o trabalho, a competência prevalecem sobre o dinheiro. Uma luta titânica entre o bem adquirido e o bem recebido.

     No futebol em Portugal forma-se treinadores, formam-se departamentos fortíssimos de prospecção, encontram-se mais rápido as pérolas prateadas sul-americanas para as vender a preços de platina. Por isso em Portugal formam-se ideias, estabelecem-se sistemas de jogo, formulam-se alternativas, adquire-se uma identidade de jogo forte mas ao mesmo tempo flexível com a qualidade do adversário. Em Portugal não temos 9 milhões de euros para pagar a um jogador por ano. Mas em Inglaterra a equipa desse jogador foi goleada por uma equipa que foi eliminada pelo Braga. Ora no Braga a maior parte dos jogadores não ganha numa vida inteira o que esse jogador ganha num mês. No Braga investe-se 10 milhões, nessa equipa investem-se quase 300 milhões. O Braga está na meia-final, essa equipa nem chegou aos quartos.

     O dinheiro caído do céu não nos transcende, não nos faz buscar a perfeição, não nos faz trabalhar, mima-nos e descontraí-nos com facilidades. Mas na hora da verdade, na hora do jogo, na hora das decisões tanto na vida como no futebol milhões mais milhões podem dar  0 e tostões mais tostões podem dar milhões. Estes sim são os verdades milhões, os milhões do sucesso, os milhões de festejos, os milhões de gritos os milhões de cânticos numa cidade em polvorosa por estar nas meias-finais duma competição europeia. Porque o todo é mais que as somas das partes. Porque jogadores de classe mais jogadores de classe mundial não dão necessariamente equipa de classe Mundial.


     O todo a equipa… o todo o país é um sistema inter-relacionado. Onde existe simultaneamente uma apetência autónoma e uma apetência integradora de cada parte. O sistema é hierárquico e existem dois tipos de informação dependente desse mesmo carácter hierárquico. A informação prática vem da parte superior do sistema para a parte inferior. São as ideias, a identidade de jogo, a filosofia de jogo, o modo de conceber e tratar a bola, de ocupar os espaços, de ter coerência tendo em conta as necessidades do jogo, essa mesma ideia abstracta formulada pelo treinador é executada pela parte prática dos jogadores. Aqui o mecanismo de execução prima pelo concreto. Contudo simultaneamente existe uma flexibilidade do sistema. Daí que os relatórios que as partes inferiores enviem aos seus órgãos superiores façam moldar a estratégia… moldar a ideia abstracta em prol do mesmo objectivo comum, mas como novos mecanismos de execução mantendo a identidade autónoma da estrutura. De modo a tornar a própria execução mais próxima da realidade e o mais simplificada possível. Nesta função integradora cada parte inferior responde bem e executa o seu papel com clareza. O todo regozija-se e fortalece deste modo a sua autonomia e a sua competência, mesmo não dependo excessivamente de nenhuma das partes. Este é o sistema da vida… este é o sistema do futebol… o sistema da ocupação defensiva do Braga, do encurtamento de espaços defensivos, e nas transição rápidas, com 3 homens bem abertos, com mecanismo simples e com uma filosofia concreta e identitária.

     Noutras equipas as partes perdem a sua função integradora e tentam-se transcender, o todo diminuí os fluxos de ligação com as partes e o sistema quebra-se, a identidade multiplica-se na exacerbação das partes e perde-se os elos de ligação. Por isso as partes de milhões passam a tostões.

No Braga a simplicidade acontece com recurso às limitações das partes, à consciência dessa mesma limitação que faz a equipa trabalhar e colmatar a pouca autonomia das partes, mas devido ao entrosamento colectivo fortalece o todo.

     Por isso o Braga ganha, por isso o Braga surpreende-nos, por isso o Braga faz história.

     Esta é a nossa mensagem: primeiro a identidade e as ideias, a cultura e o modelo de jogo, depois o sucesso e o seu usufruto, os milhões e as conquistas.

     Primeiro o trabalho depois o dinheiro. Primeiro formar uma equipa depois vender jogador. Esta é a gestão do futebol português, que exporta o ouro e os diamantes a preços baixos e os vende em mercados elevados a preços exorbitantes. Esta é a nossa filosofia desportiva, esta é a nossa identidade cultural. Por isso somos um sistema organizado que tem sucesso. Outros gozam connosco mas agora ficam a ver-nos pela televisão.

     Este é o nosso património para o Mundo: trabalho, competência e coerência. Porque só assim podemos vencer. Por isso Alan+ Paulo César + Lima dão mais do que Tévez+ Dzeko+ Silva. Esta é a realidade pura acabemos com as nossa ficções, com os nossos deslumbramentos e valorizemos o produto nacional.

     Este é o nosso destino que funciona no futebol, porque não há-de funcionar na vida? Futebol é cultura e cultura é Futebol e daremos as voltas que quisermos, perdemos ou ganhemos mas a realidade será sempre complexa e o todo será eternamente mais que a soma das partes.

     Por isso eu acredito que esta será a nossa vitória? E tu?

 

 

by João Perfeito

 



publicado por João Perfeito às 10:50
editado por Sarah Saint-Maxent em 22/04/2011 às 12:21
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
Voleibol à Sexta

Em jeito de resumo


Eu gosto de ter razão. É uma coisa que me dá prazer, mesmo que, por exemplo, percam equipas de que gosto. Foi o que se passou com as equipas que chegaram ao playoff final do campeonato nacional: SL Benfica – decidido há que séculos – e AJ Fonte Bastardo – que conquistou o lugar na jornada passada.

 

Eu tinha dito que nem em sonhos esta equipa (ou mesmo o Castêlo da Maia) ia deixar que o SC Espinho ficasse com a segunda posição: parece que acertei. Ora bolas!, eu até gosto do SC Espinho. Mas, lá está, um plantel quase totalmente renovado tem efeitos mais a longo do que a curto prazo: esta época foi a prova. Vitórias pontuais – e importantes, não o nego – permitiram a este SC Espinho chegar à final da Taça de Portugal, que disputará no próximo dia 16 com o SL Benfica. Mas a falta de regularidade custou-lhe uma posição de topo, ao nível que nos tem habituado.

 

Ainda assim, e contra mim falo, a prestação do Vitória SC ficou muitos furos abaixo do que esperava no início da época: um plantel em que vários jogadores já se conheciam (muitos deles vindos mesmo do SC Espinho) devia ter uma coesão muito maior do que aquela que demonstrou ao longo deste campeonato. Terminará a sua prestação em 5º lugar, apenas ultrapassando, na fase final, o Leixões SC.

 

 

 

 

Ótima surpresa foi a prestação da AJ Fonte Bastardo: apesar de um início de época tímido, conseguiu chegar à fase final e, aí sim, mostrar o que vale. É por isso que – embora atribua um favoritismo mais que claro ao SL Benfica – acho que a formação açoriana nos vai proporcionar um espetáculo agradável e bater-se como grande. Espero que o faça, para bem do voleibol.

 

Acredito que o que poderá ajudar mais a esta formação vai ser um pavilhão cheio nos açores – afinal, nem todos os benfiquistas se podem deslocar às ilhas para apoiar a sua equipa. Este apoio do público será fundamental numa fase final que se disputará à melhor de três, a partir de 23 de Abril. Ainda assim, este esforço das viagens constantes para cá e para lá poderá refletir-se negativamente em ambas as equipas, mas mais na equipa da luz… afinal, uma viagem a Espinho não é o mesmo que uma viagem à Terceira.

 

by Sarah Saint-Maxent

Esta crónica foi escrita ao abrigo do novo acordo ortográfico.



publicado por Sarah Saint-Maxent às 01:00
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
Steve Field

O fantástico Villas Boas

13 de Outubro de 2010. Este dia, certamente, ficará na história do desporto nacional, em particular do futebol. Dia em que Villas Boas assinou pela Académica após a saída da equipa técnica de José Mourinho. Não foi a sua primeira experiência como técnico, pois em 2000 com apenas 21 anos treinou a selecção das Ilhas Virgens Britânicas, mas foi o seu primeiro grande desafio.

Estava assim consumada a estreia de um dos técnicos mais promissores no nosso futebol. Na académica, pegou na equipa no último lugar e, face à qualidade das exibições do clube, assegurou tranquilamente a manutenção.

Com a crítica rendida às exibições da sua equipa, os rumores que seria treinador de um “grande” num curto espaço de tempo começaram a surgir. Primeiro, foi o Sporting que avançou para a sua contratação. Só que depois do acordo estar consumado, Costinha chega ao clube e rompe-o. Surge, então, convite de Pinto da Costa para suceder a Jesualdo Ferreira que tinha abandonado o clube face ao título do maior rival Benfica.

No Porto, tem vindo a mostrar que vai ser um caso sério de sucesso. Com uma estrutura com base na posse e circulação de bola, sempre com uma forte organização defensiva, este Porto conquistou a Supertaça, o campeonato com apenas dois empates até ao momento (!) e prepara-se para conquistar a Europa. Muito para tão pouco tempo.

Sempre o início do jogo na conferência de imprensa, este Porto de Villas Boas é, de facto, uma equipa “moderna”. Defende a atacar, ataca a defender. Raramente se sente que tem um jogo fora de controlo. Muitas vezes, “congela” o jogo de forma a melhor o controlar. A atacar, privilegia sempre a posse, o toque de bola, quase sempre com passes curtos e precisos. A saída de bola vai, na maioria das vezes, para os centrais para iniciar a construção ofensiva. A equipa usa toda a largura do campo, fazendo campo grande. A defender, campo pequeno com a baliza “a sete chaves”.

Dá gosto ver esta equipa a jogar. Muitas vezes injustamente criticada pelo pragmatismo apresentada, é uma equipa que a continuar assim fará uma óptima liga dos campeões, como o próprio Mourinho destacou, dizendo que é uma equipa “com qualidade para a maior prova europeia”. A prova da qualidade da equipa é o facto de ir ser o melhor campeão de sempre em Portugal, algo que é de frisar face às grandes equipas que o nosso futebol já teve.

Por incrível que possa parecer, calculo que André Villas Boas irá um dia superar o mestre Mourinho. É cedo para previsões deste género, é certo, mas qualidade para isso Villas Boas tem. Seja como for, este novo talento emergente comprova que o futebol português está num patamar muito elevado, sobretudo no que diz respeito a técnicos.

Torço por ti Villas Boas!



publicado por Steve Grácio às 22:21
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