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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

12
Nov10

Voleibol à Sexta

Minuto Zero
Hoje é dia de falar de pontuação
Confesso, isto hoje estava difícil. Durante o fim-de-semana (de jornada dupla), nada de muito surpreendente. Teria que ser destacada, no entanto, a primeira derrota do Castêlo da Maia – até aí, a única equipa invicta na divisão principal do campeonato nacional. Essa derrota, aliás, é o motivo desta crónica.
Depois deste resultado, alguém me perguntou: como é possível que o Castêlo estar em quarto lugar, com 15 pontos, se foi a única equipa com apenas uma derrota, enquanto o SC Espinho está em primeiro com 19 pontos? A explicação é bastante simples e prende-se com o novo sistema de pontuação, adoptado esta época: uma vitória por 3-0 ou 3-1 vale 3 pontos, por 3-2 vale 2 pontos e uma derrota por 2-3 vale um ponto.
Vou então, porque é para isso que me «pagam», opinar sobre o assunto. Para mim, faz todo o sentido esta mudança – relembro que no anterior sistema, uma vitória dava 2 pontos e uma derrota 1 ponto – já que não é o mesmo perder-se por 3-0 ou por 3-2, assim como não é o mesmo vencer por essas margens.
Explico o meu ponto de vista pelo do derrotado: um jogo muitíssimo equilibrado, com uma derrota na negra pela margem mínima (imaginemos uma situação em que o resultado final é 25-27, 26-24, 23-25, 25-23 e 16-18) valer o mesmo que uma derrota evidente por 0-3 parece-me injusto. Até porque – não quero azarar ninguém, mas acontece – erros de arbitragem podem dar os dois pontos de vantagem necessários para se ganhar um set. Considero este novo sistema muito mais justo por isso, permitindo a um derrotado forte, vencido por pouco, ter vantagem sobre uma formação que se apresenta muito abaixo do seu adversário. Da mesma forma, não dá uma vantagem injusta a equipas que vencem jogos demasiado equilibrados, que podiam cair para um lado ou para outro.
Em contrapartida, o sistema tem fragilidades, como a que aqui surge: é possível que uma equipa sem derrotas não esteja no topo da classificação porque tem várias vitórias pela margem mínima e os seus adversários têm vitórias claras e derrotas em jogos equilibrados.
É, portanto, difícil julgar já. À partida, este sistema apresenta-se com vantagens que considero interessantes para a competição, mas ainda não temos uma visão do que serão os resultados finais. Parece-me um bom tópico para voltar a abordar depois do final do campeonato, quando tivermos uma percepção das consequências reais desta nova pontuação.

by Sarah Pires Saint-Maxent
11
Nov10

Notas da Liga dos Campeões- Barça em "contenção de despesas"

Minuto Zero
A aparente má gestão durante o mandato de Laporta no Barcelona, ditou prejuízos insuportáveis mesmo para um clube da dimensão dos blaugrana.
O resultado desta gestão tem repercussões no plantel para esta temporada, tendo Pep Guardiola menos opções do que o "desejável".
Os negócios de Ibraimovic, Henrique, Caceres, Hleb ou Keirrison, que se revelaram autênticos "flops", levaram o clube cule a ter de encurtar as suas fileiras.

Pep Guardiola entra nesta temporada com 19 jogadores nas suas fileiras: 

Valdés, Pinto; Dani Alves, Piqué, Puyol, Milito, Maxwell, Abidal, Adriano; Busquets, Mascherano, Xavi, Iniesta, Keita; Messi, Villa, Jeffrén, Pedro, Bojan. 

Contratados esta temporada: Adriano, esquerdino polivalente, representa solução para laterais (esquerda ou direita, por incrível que pareça joga bem na lateral do lado contrario ao pé dominante algo raro nos dias que correm), ou no meio-campo, sobretudo como médio-ala; Villa, ponta-de-lança de nível mundial, parece encaixar-se melhor na lógica de jogo do que Ibra; Mascherano, opção pessoal de Guardiola (ao que a imprensa catalã vai dizendo...), trinco estilo "pitbull", mas com boa capacidade de passe, jogador de top mas que encontra o jovem Busquets como titular neste início de época.

Olhando para estes "19" Guardiola depara-se ainda com a presença de Jeffren, ex-Barcelona B, que deu nas vistas no mundial de clubes na época passada mas que ainda não conquistou lugar como opção regular.

Uma das explicações para esta construção aparentemente estranha de plantel, prende-se com o facto da equipa B dos blaugrana ter esta época chegado a Liga Adelante, competição equivalente à liga de Honra Portuguesa, que dá acesso ao principal escalão do futebol espanhol. O Barcelona B ou Atletic, juntou-se assim ao Villareal B, como filiais de clubes da liga BBVA. Como é óbvio não puderam militar na mesma divisão do que os seus "patronos", mas isso não impede de serem equipas competitivas onde é realizado por conta própria a introdução de jovens oriundos da formação do clube.

Olhando para a equipa B do Barça existem claramente alguns jogadores com transfer  para o plantel principal:
Na baliza Miño vem dando nas vistas desde a formação; na defesa os centrais esquerdinos Fontas e sobretudo Marc Muniesa dão nas vistas pela autoridade e capacidade para sair a jogar, um pouco à imagem de Piqué; no meio-campo Thiago Alcântra, filho de Mazinho, ex-internacional brasileiro, assume o papel de estrela da companhia, tendo já jogado várias vezes esta época na equipa principal; Jonathan dos Santos, irmão de Giovanni, surge como médio-ofensivo interessante também, enquanto Oriol, pivô-defensivo já desperta o interesse de outros "grandes" europeus; no ataque jogadores sobretudo mais experientes, entre os quais se destaca Nolito, extremo-esquerdo de boa técnica, mas já com 24 anos.

Porque toda esta exploração do plantel blaugrana? 

Olhando as actuais questões económicas que se prendem com a própria organização dos clubes, e consequentemente dos planteis principais do futebol, o Barcelona versão 2010\2011 parece claramente ser o exemplo mais óbvio das necessidades de uma gestão mais racional dos planteis principais, nomeadamente a obrigação de reduzir o número de activos de cada plantel. 
Na Premier League, esta temporada os clubes apenas puderam inscrever 25 jogadores, vendo-se obrigados a reduzir os seus "largos" planteis, de forma a gerir melhor esta nova situação.
A UEFA, já prometeu indicações para num futuro próximo obrigar os seus principais clubes a reduzir o número de jogadores sob contrato.

Mas será que um plantel com pouca profundidade como este de Guardiola será suficiente para um clube que ambiciona conquistar todas as competições em que se incluí?



fonte: sport.es

11
Nov10

Steve Field

Minuto Zero
Hulk e Cristiano Ronaldo – as Individualidades em prol do colectivo

Hulk e Cristiano Ronaldo, apesar de incomparáveis em termos de talento, são dois jogadores fundamentais em cada uma das suas equipas. Além disso, os seus princípios de futebol são semelhantes na medida em que ambos fazem das jogadas individuais o seu prato forte. No entanto, o ano passado, apesar de preponderantes, não deslumbraram como se esperaria e não venceram qualquer competição das mais importantes. Será que não eram tão bons jogadores?
Para ser sincero, tanto um como outro, apesar das suas imensas qualidades, não me fascinam. Isto porque prefiro outro tipo de jogadores, jogadores que encham o campo em prol da sua equipa, jogadores que não falhem um passe, jogadores por vezes discretos mas essenciais em qualquer equipa. Refiro-me, a título de exemplo, a Xavi, Iniesta, Lampard, Gerard, Xavi Alonso, Sneijder, entre muito outros. Mas tenho de reconhecer que, tanto Hulk como Ronaldo, este ano têm superado as minhas expectativas.

Quanto a mim, os motivos dessa ascensão devem-se a André Vilas Boas e ao Special One José Mourinho. Este ano, tanto o Porto como o Real Madrid estão inseridos em intenções colectivas, em princípios de jogo bem assentes pelos novos técnicos, que facilitam a acção dos que mais têm de desequilibrar. Olhando para o Porto de Vilas Boas, vemos o jogo assente em posse e circulação de bola, onde a bola chega sempre em perfeitas condições para Hulk ‘explodir’, devido à mecanização de processos. O mesmo se passa com Cristiano Ronaldo, que tem sempre uma elevada variedade de opções com os princípios desenvolvidos com os colegas de equipa, o que o torna ‘mais jogador’, além de ter sempre a cobertura adequada nas (muitas) vezes que perde a bola.

Portanto, por mais que se pense que estes fenómenos não precisam de colegas pois resolvem tudo sozinhos, é puro engano. Prova disso são as suas prestações esta época; com os colegas sincronizados com eles, com os princípios de jogo da equipa moldados, a pressão que tinham em resolver tudo por si próprios, desapareceu. Não são melhores jogadores do que eram, apenas estão inseridos em contextos mais favoráveis que os fazem potenciar as suas características, tornando o seu jogo muito mais fácil de entender. É a prova que primeiro deve-se pensar em construir uma equipa para depois ter bons jogadores. 

by Steve Grácio
10
Nov10

Buzzer - Beater

Minuto Zero
Jogando na lotaria

Se mais uma vez o título levou alguém a pensar que o tema desta semana envolveria números outra vez, peço desculpa pelo equívoco. Para esta semana tenciono desenvolver um pouco algo que tenho vindo a mencionar em posts anteriores: o sistema de “draft” de jogadores. 
Em teoria, a coisa funciona na perfeição: a NBA tem 30 equipas, pretende-se que todas as épocas se fomente a competitividade entre elas, e para isso todos os anos se favorecem as equipas com piores resultados. As equipas que não vão a playoff num ano têm direito de entrar na “draft lottery”, onde disputam o privilegiado lugar de poder escolher em primeiro lugar um jogador de entre os muitos que vão entrar na NBA. Para isso a equipa com pior resultado da época têm 25% de hipóteses de calhar no primeiro lugar, a 2ª pior 12,5%, e por aí fora. As restantes equipas (de playoff) distribuem entre si os últimos lugares de escolha, creio eu, linearmente baseando-se em resultados da época regular. E muitas vezes o equilíbrio de coisas acontece, com equipas a levarem voltas de 360º por vezes à conta de um só jogador, ou por uma adição que passa a ser chave para uma equipa. Vejam-se os exemplos de Shaquille O’neal que fez furor ao entrar na NBA pelos Orlando Magic no início dos anos 90, ou mais recentemente Lebron James em 2003 a estrear-se no basquetebol profissional pelos Cleveland Cavaliers. Ambas as equipas eram fracas ou medíocres e passaram a ser equipas de playoff, e por vezes candidatas ao título. 
Mas este sistema é realmente uma espécie de lotaria, onde muitas vezes as probabilidades estão contra quase toda a gente. No ano em que Michael Jordan entrou na NBA, este foi só a terceira escolha do pote, tendo a primeira sido Hakeem Olajuwon, pelos Houston Rockets. E MJ fez imensos estragos na sua primeira época, fora o resto da sua ilustre carreira. Mais exemplos? Tracy Mcgrady foi apenas nona escolha, o seu primo Vince Carter quinta, e, mais recentemente, Kevin Durant segunda. Quanto a T-Mac, ainda que se revelasse um jogador bastante forte ao jogar com Carter em Toronto, apenas quando foi trocado para os Orlando Magic é que fez sérios estragos. Originalmente era suposto ser o “wingman” de Grant Hill, mas uma grave lesão do último levou a que Mcgrady fosse primeira opção de lançamento, tendo ascendido ao estrelato como a máquina que marcar pontos que foi, arrecadando dois títulos de melhor marcador da época. E nos Rockets o seu legado continuou. Porém, nos últimos anos com esta equipa, nada faria prever que as graves lesões que sofreu nunca mais o deixariam ser o mesmo. Eventualmente foi trocado para os New York Knicks, onde ainda se sonhou com o velho T-Mac, com um primeiro jogo de 26 pontos, mas a lesão falou mais alto. Agora nos meus queridos Pistons, nada faz prever que o jogador volte a sua velha forma, embora o próprio acredite que para meio da época chegará a esse nível.
E assim equipas fazem apostas em jogadores que pensam que vão ser grandes estrelas, ou pelo menos peças úteis para os seus plantéis, mas muitas vezes são as lesões ou a falta de evolução efectiva, contrário ao previsto, que ditam a sentença. E para lá do Atlântico as coisas não se resolvem como cá, onde uma nova injecção de capital faz com que uma equipa volte ao mercado e procure a sua nova estrela. Na NBA, absurdos contractos são feitos com jogadores em números que muitas vezes não correspondem ao que um jogador produz em anos futuros, e, dado que muitos destes contractos chegam a durar 5, 6 anos, trocar um jogador (porque não se pode simplesmente rescindir um contracto) torna-se complicadíssimo na medida em que os parceiros de negócio não pretendem arcar com responsabilidades avultadas para o seu tecto salarial e planos de desenvolvimento das suas equipas.
Infelizmente o treino de jogadores não é uma ciência exacta, e muitas vezes resume-se a um simples lançar de dados, apostando muito num lado do cubo que nunca chega a sair. Uma verdadeira lotaria é esta do desporto profissional.
Agora introduzo algo que tenciono fazer todas as semanas, um destaque de coisas da liga ou da modalidade em geral. Positivamente quero destacar duas coisas: a primeira é Paul Gasol, atleta espanhol dos Lakers, que se tem revelado neste início de época não um “wingman” de Kobe Bryant, mas o jogador mais produtivo da equipa, tendo mais pontos, ressaltos e assistências de média que o último. A lesão de Bryant pode explicar muito disto, mas esperemos para ver o que acontece. A segunda coisa é a equipa de New Orleans Hornets. Com excepção dos Lakers, é a única equipa que permanece invicta neste arranque de época, onde finalmente as peças chave de Emeka Okafor, Trevor Ariza e David West parecem estar a dar frutos sob a liderança de Chris Paul. Aqui também tenciono estar atento ao desenrolar da época para este grupo. Relativamente ao aspecto negativo, a nota vai para Michael Beasley: a jovem promessa dos Memphis Grizzlies afirmou perante a imprensa após um jogo que a sua equipa era a pior de toda a liga no presente momento. Por muita razão que possa ter (Ok, o rapaz tem de facto razão), nada de bom para a equipa pode vir deste tipo de declarações, toda a moral do grupo pode vir a ser afectada e assim é que não começam a aparecer as vitórias. Poderá estar na mente do jogador alguma frustração de ter ficado de fora do projecto dos Miami Heat, onde até ao ano passado jogava?

by Óscar Morgado
09
Nov10

Em Frente

Minuto Zero

Automático

Foi um desastroso início de semana que ontem o Sporting me decidiu dar. Com Paulo Sérgio, cada vez mais, na corda bamba, já deu para ver que a falta de competência reina em Alvalade desde quem faz as escolhas (um treinador sem provas dadas, com adjuntos como Nuno Valente, que ninguém sabe o que faz no clube) até aos jogadores (sem garra, sem valor, que tanto poderiam estar no Sporting, como na Naval que a diferença seria pouca).
Mas, como nem tudo no mundo são tristezas, o tema de hoje está relacionado com o clássico de domingo…
No passado dia cinco, dei por mim a folhear o jornal Record quando me deparei com um artigo da autoria de Daniel Oliveira, intitulado os “Três Sportinguistas”. Neste, relativamente ao jogo realizado no Porto, analisava-se o comportamento dos adeptos leoninos, sendo repartidos estes em três grupos diferentes: os tácticos (“…fazem contas (…) estão contra o que estiver melhor na tabela ou mais ameaçar uma determinada posição do seu clube…”), os automáticos (“…estão sempre contra o Benfica…”) e os pragmáticos (“…a não ser que razões pragmáticas ditem o contrário, estão contra o Porto…”). 
Dei então por mim a pensar em qual grupo me inseriria. Pragmático, certamente não, porque jamais desejaria ver o Benfica a sair vitorioso de qualquer encontro (princípios históricos assim o determinam). Talvez numa primeira instância até fosse táctico, desejando o empate entre ambos os emblemas para assim sonhar um pouco mais. Mas, um Sporting que perde pontos com o Paços de Ferreira, com o Olhanense, com o Beira-Mar, não pode fazer sonhar ninguém. E, sendo assim, só me resta um grupo onde me inserir.
Uma derrota do clube encarnado está para mim, em termos de felicidade, próxima de uma vitória do Sporting actual. E, por muito que isto possa chocar, ao recordar certos Benfiquistas como Leonor Pinhão (que sempre que possível nas suas crónicas no jornal “Abola” faz questão de tentar humilhar os Sportinguistas), esse sentimento intensifica-se ainda mais. Daniel Oliveira define bem a nossa visão de encarnado na sua crónica: “Fanfarrão por natureza. Vivendo à sombra das glórias passadas, sem que o presente pouco brilhante perturbe a sua injustificada autoconfiança. E estão, para os Sportinguistas de Lisboa, demasiado próximos. São vizinhos, amigos, familiares. São eles que nos dizem, contra todas as evidências, que apoiam o maior clube do Mundo”.
A nossa rivalidade perdura no tempo, a nossa origem tem pontos comuns. Foram seguidos rumos diferentes e durante um centenário as divergências culturais entre ambos os clubes foram aumentando. Nenhum é a maior potência nacional futebolística, que esse título deverá justamente ser entregue a quem mais no futebol moderno venceu, o Futebol Clube do Porto (então em títulos internacionais, não há comparação possível). É uma rivalidade que já gerou mortes (recordando o caso do very light, no Jamor, em 1996, onde uma criança perdeu o pai devido a actos de covardia), é uma rivalidade que gera ódios.
Fonte: Blog Canal Sporting
 E assim, recordando que em 1910, a jogar em casa, o Sporting Clube de Portugal não permitiu que se realizasse o encontro contra os seus eternos rivais, alegando que estes não eram dignos de pisar as instalações leoninas, jamais iria eu contrariar os princípios de quem criou o meu clube. O Sport Lisboa e Benfica perdeu e, enquanto Sportinguista, só posso ficar contente, do mesmo modo que se fosse ao contrário, o mesmo se passaria.

by Jorge Sousa
09
Nov10

As "patologias crónicas" do Benfica de Jorge Jesus

Minuto Zero
Depois de uma época de sonho um cair na realidade do futebol moderno (Dominação vs Controlo) ? 
Pode uma equipa dita de top jogar da forma que Jorge Jesus quer o seu Benfica?
Podem últimos resultados do Benfica colocam o trabalho de Jorge Jesus no ultimo ano e meio em causa?


Um resultado como o de Domingo pode conduzir a um "abismo" psicológico, mas também pode ser um ponto de viragem. Questões psicológicas à parte proponho que nos foquemos numa outra questão.
 Os problemas do Benfica não advém somente de um jogo pouco conseguido. Longe dos holofotes e de todo o "frisom" causado pelo histórico resultado do clássico, proponho uma análise um pouco mais lúcida sobre o actual campeão nacional.


O problema é sintomático e recorrente: partindo do seu 4x1x3x2 de base, o Benfica de Jorge Jesus procura jogar em pressing alto, com bloco médio\alto, que baixa normalmente um pouco quando percebe que o adversário se "deslumbra" com espaços dados, procurando recuperar a bola em momentos fundamentais nos quais o seu adversário se desequilibra completamente devido ao seu balanceamento.
Em transição ofensiva varia entre lançamentos para o médio-ala esquerdo, que em velocidade tenta aproveitar o espaço entre o lateral e os jogadores de zona central (revejam os movimentos de Dí Maria na época passada), ou então em posse, criando rupturas pelos movimentos dos jogadores ofensivos nas costas de Cardozo (Aimar, C.Martins ou Saviola), em diagonais constantes.
Este era o Benfica campeão nacional 2009\2010 no momento ofensivo.
Na transição defensiva Ramires fecha aproximando-se de Javi Garcia, 6 de altas rotações, Dí Maria fecha na esquerda (corpo presente a defender, sempre na ansiá de se lançar em velocidade assim que a equipa ganhe a bola novamente), Aimar fecha também como pode, mas sempre evitando desgastar-se em demasia.
Se na liga portuguesa, face a adversários que facilmente sofriam golos face a este fantástico momento ofensivo, a verdade é que face a adversários que aproveitam os desequilíbrios naturais de quem joga apenas com um Pivô defensivo tão desapoiado, o Benfica não só sente dificuldades como acaba por perder.
Em 2009\2010 o Benfica marcava "quase" sempre primeiro, e depois aproveitando a necessidade do adversário abrir um pouco mais o jogo, entrava no seu momento favorito do jogo, baixando o bloco e cilindrando em transições ofensivas dignas de um grande europeu. Viveu no entanto sobre o estigma de nunca conseguir virar resultados. Porque? Primeiro sintoma, porque tendo de assumir o jogo face a um adversário sem a necessidade de marcar abria brechas sobretudo ao nível do meio-campo (zona onde Javi ficava "só" muitas vezes), sendo muitas vezes apanhado em contra pé. Neste momento especifico de resto, não era especialmente eficaz ofensivamente, sendo obrigado a trocar bola, mostrando quase sempre défice de objectividade. Este problema está na base, segundo o próprio Jorge Jesus, das contratações de Jara e Gaitan.
Segundo sintoma: contra Liverpool e Fc Porto (na segunda volta), o Benfica vê-se a jogar contra equipas fortes na transição ofensiva, com jogadores rápidos e mais que tudo, com capacidade táctica para aproveitar os espaços que a própria forma de jogar do Benfica propicia, aproveitam para "dar" a posse ao clube da Luz, momento no qual, como já referi, o Benfica versão 2009\2010 não era especialmente competente. Depois, aproveitando as percas de bola dos encarnados, lançam transições rápidas sobre a defensiva do Benfica, a maior parte das vezes desequilibrado em 4x1--3x2. Jorge Jesus via então a sua equipa partida em dois, em contra-pé. Resultado: contra Torres, Hulk, Bellushi ou Falcão, derrotas em jogos importantes.
Com as saídas de Ramires e Di Maria, a equipa perde não todos os desequilíbrios causados nos momentos ofensivos, como, o apoio de Ramires sobre Javi Garcia, que por vezes encobria a patologia deste Benfica.


Olhemos agora para esta temporada. Contra Guimarães, Nacional e Académica, o Benfica é apanhado em contra-pé em todos eles, face a adversários que, face à qualidade do futebol da época passada, facilmente derrotou. A falta de forma de Maxi, Luisão ou David Luiz, e sobretudo de Javi, e é claro, a dificuldade de Roberto em se encontrar, agravam ainda mais as tais "patologias" da forma de jogar do Benfica.
Na liga dos Campeões, contra Shalke e Lyon (3ªjornada), a mesma questão: equipas com qualidade na forma como colocam em cheque a defensiva benfiquista, sobretudo em contra-ataque, chegando ao golo com facilidade.
No Dragão, o Benfica perde não só o jogo como, coloca a nú, para quem ainda não tinha visto, a patologia de que tanto falo deste Benfica.
Em 4x1x3x2, que varia normalmente em função de pequenos pormenores dos adversários, quer seja para 4x1x3x1x1, como para um 4x1x2x3 assimétrico, Jorge Jesus coloca Javi desamparado, obrigando Aimar, C.Martins e Gaitan ou Coentrão, a baixar, aproximando o 3 do meio-campo, ao 1 (Javi), tentando assim, com maior proximidade entre os jogadores, facilitar as ajudas. Falta aqui o especialista nos equilíbrios. Se Ramires agora joga em Londres, Rúben Amorim parece ser o jogador com as características mais próximas do ideal para a função. Com C.Martins como interior direito, o Benfica perde claramente o apoio a Javi.
Jorge Jesus já percebeu isso mesmo como é óbvio, tendo contra Lyon e Porto modificado o meio campo.
Na Luz, contra os franseces, Jesus lança C.Martins na posição 10 (Aimar estava indisponível), com Salvio (médio-ala, sem grandes rotinas defensivas) e Peixoto sobre a esquerda, fechando por dentro e permitindo também a Coentrão abrir uma autentica clareira na defensiva do Lyon, partindo da posição de defesa-esquerdo.
No Dragão, já com Aimar, Jorge Jesus lança David Luiz como defesa-esquerdo, libertando Coentrão para o meio-campo, ao lado de C.Martins (mais uma vez com função ofensiva pela zona central) e Salvio. Ao intervalo, JJ puxa Coentrão novamente para a lateral, colocando Gaitan sobre a meia esquerda (médio-ala, tal como Salvio, sem rotinas defensivas). Resultado: pela zona central, Bellushi e Moutinho engolem o meio campo do Benfica, permitindo entregar a bola a Hulk e Varela em zonas próximas da área do Benfica.
Mais uma vez, em momento defensivo o Benfica fica em 4x1---3x1x1, com um enorme espaço entre as linhas do meio-campo, que não prestam o apoio devido a Javi.
Claro que o futebol não são só números, mas a questão táctica é indissociável a todas as outras questões no futebol de elite. São erros de base que provocam desequilíbrios tácticos e mentais.


Basta um olhar sobre os melhores clubes europeus para se perceber que no futebol moderno não é possível jogar apenas com um médio de propensão defensiva, sem pelo menos um apoio mais directo de um companheiro de sector:


Real Madrid: 4x2x3x1
Barcelona: 4x3x3
Valência: 4x2x3x1 ou 4x4x2 clássico 
Chelsea: 4x3x3
Arsenal: 4x3x3
Man.Und: 4x4x2 clássico
Man.City: 4x3x2x1
Tottenham: 4x4x1x1
Liverpool: 4x2x3x1
Milan: 4x3x3
Juventus: 4x4x2 clássico
Inter: 4x2x3x1 (4x2x1x3)
Bayern: 4x2x3x1


De todos, apenas o Bayern mostra muitas vezes este género de dificuldade nas transições defensivas, mas neste caso existem mesmo 2 médios centro (Bommel e Swinsteiger) que aparecem no entanto desamparados visto que Ribery e Robben não tem grandes rotinas defensivas, enquanto Muller, habitualmente nas costas do avançado, surge muito longe. Resultado: de 4x2x3x1, no momento defensivo torna-se 4x2---2x1x1, partindo-se em 2. Mas reparem que existem 2 médios-centro, enquanto no Benfica é apenas 1.
Duplos pivô ou meio campo com 1 pivô defensivo e 2 interiores que dominem as duas transições são condição essencial no futebol moderno de top. Nessa lógica Jorge Jesus tentou fugir à regra, mas parece não conseguir contrariar a tendência. 


By Tiago Santos


Fonte: maisfutebol.iol.pt

08
Nov10

Segunda é o dia

Minuto Zero
Um clássico, com tudo a que tem direito!

Num fim-de-semana cheio de clássicos pela Europa fora, era quase impossível escrever um texto num domingo à noite que não falasse de algum deles. Pela proximidade, o destaque tinha que ir para o clássico português.
Chegar ao intervalo e já estar a perder por 3-0 e acabar com 5-0 é muito para qualquer clube. Para um clube como o Benfica, ainda por cima sendo o campeão nacional, é de mais. Não sendo adepto de nenhum dos clubes, é possível ter uma visão um pouco mais distanciada do jogo e das polémicas. Por isso, parece-me curioso que o Benfica que, desde o início do campeonato, todas as jornadas se tenha queixado das arbitragens, saia do Dragão com um resultado tão pesado. O Porto, que se foi mantendo caladinho, foi ganhando vantagem. No dizer do Benfica, com a ajuda dos árbitros. O que é um facto inegável é que o Porto tem apresentado um futebol infinitamente melhor que o Benfica e que, quando em confronto directo, o Porto leva a melhor, por muitos, e sem polémicas de arbitragem.
Agora, o campeonato parece estar praticamente decidido. Ainda faltam vinte jornadas para o fim e o Porto pode começar a pensar na cerimónia de celebração do título. E não digo isto porque dez pontos de uma equipa sobre outra não sejam recuperáveis em vinte rondas. Nem digo isto por ser o Porto a equipa que tem os dez pontos de vantagem, já que até acredito que seja capaz de perder, senão os dez, pelo menos um sete ou oito pontos no resto do campeonato. O que, de facto, me faz crer que o Porto vai ser campeão é que não há nenhum clube que consiga não perder mais pontos até ao fim do campeonato. O Porto tem a seu favor duas variáveis fundamentais para já não ser campeão: tem que perder dez pontos e, mais difícil ainda, é preciso que o Benfica os ganhe.
No fundo, como adepto isento nesta disputa a dois (porque o Sporting há muito que está excluído), parece que é uma bela lição que os encarnados podem tirar. Entraram para o campeonato a pensar que este ano eram favas contadas. Jesus manteve a mesma postura que teve no ano passado, mas esqueceu-se que as condições mudaram: o Benfica perdeu jogadores importantes e ganhou um adversário efectivo. Não nos esqueçamos que não é só o Benfica que está pior; o Porto é que está muito melhor que na época passada.
Entretanto, inerentes a um clássico, estão sempre os casos extra-jogo que já estamos habituados a assistir. Este ano, fiquei estupefacto com a comitiva policial que recebeu o autocarro do Benfica à saída da auto-estrada. Todos os anos vemos cenas parecidas na televisão, todos os anos há críticas, mas todos os anos se repete. E todos os anos eu faço a mesma pergunta: se não se sabe ir ao futebol, por que é que se continuam a fazer jogos de futebol?
Infelizmente, este problema não é exclusivo de Benfica ou Porto nem, tão pouco, de Portugal. Mas não consigo perceber como é possível que se gaste dinheiro e recursos policiais, um bem público e pago por todos nós, apenas para permitir a violência de um bando de insubordinados. Por isso, reitero: se não se sabe ir ao futebol, acaba-se com o futebol.

By João Vargas
08
Nov10

Fumo sem Fogo

Minuto Zero
“Era uma vez um campeão”

Corria a época 2000/2001, o campeonato português de futebol - na época, denominado “Primeira Liga” – estava prestes a conhecer mais um clube que marcaria presença no restrito lote de campeões nacionais, o Boavista Futebol Clube. Os axadrezados tiveram uma época de sonho com uma equipa bastante forte onde pautavam jogadores como Ricardo na baliza, Martelinho, Elpídio Silva (o “pistoleiro”), Frechaut, Pedro Emanuel, Bosingwa, Petit, Erwin Sanchez, entre outros. O timoneiro deste grupo era Jaime Pacheco. Conseguiram vencer o campeonato ficando à frente do Sporting, que procurava o bi-campeonato. Passaram a ser conhecidos pela Europa fora com a sua presença, na época seguinte, na Liga dos Campeões. A Europa do futebol não tardou em colocar-lhe um nome – “os rapazes das camisolas estranhas”.
Nos anos seguintes, alguns dos jogadores que levaram o Boavista ao título acabaram por sair, mas mesmo assim o clube boavisteiro conseguiu chegar à meia-final da Taça UEFA na época 2002/2003 onde sucumbiu aos pés do Celtic da Escócia, Celtic esse que iria perder a final para o FC Porto de José Mourinho. Os anos foram passando e o Boavista não voltou a conquistar o título, mas conseguia sempre classificações que lhe davam o passaporte para as competições europeias. Para quem assistiu a tudo isto, estaria longe de imaginar o que depois acabou por acontecer para os lados do Estádio do Bessa.
Na época 2007/2008, o Boavista foi despromovido à Liga de Honra. As causas desta decisão são conhecidas de todos. Não adianta voltar a esse tema. Na época 2008/2009, o Boavista volta a descer, desta vez à II Divisão, e de lá nunca mais voltou. O clube apresenta fortes dificuldades financeiras, mal consegue pagar os ordenados e vive cada dia como se fosse o último. Este ano só no último dia do prazo válido é que conseguiu inscrever a sua equipa na II Divisão, o último escalão profissional de futebol. Foi por pouco que o clube não se viu arrastado para as distritais. Ninguém está disposto a ajudar o Boavista, o seu nome ficou com muito má fama devido ao processo Apito Dourado e as empresas não se quer associar ao tão “indigno” parceiro. Contudo, e apesar de compreensível, é triste ver a situação a que este histórico do nosso futebol chegou. O futuro axadrezado é incerto e se continuar este rumo, o fim está próximo. Enfim, “era uma vez um campeão”.

By Alexandre Poço
07
Nov10

Porque ao Sábado se Destaca

Minuto Zero
Método e Continuidade vs Momento e Circunstâncias
A coragem de analisar por um processo contínuo e não pelos resultados

Hoje em dia parece que a grande generalidade dos comentadores desportivos se baseia nos resultados para proferir os seus comentários.
Aplicando isto ao conhecimento, parece que o saber prático é autónomo e não necessita da teoria para se credibilizar.
Para tentar a cada dia que passa, melhorar a minha cultura futebolística tento fazer evoluir o meu pensamento e as minhas ideias com base no passado e no presente. Aquilo a que eu chamo método e continuidade em virtude do momento e das circunstâncias.
Daí que muitas vezes a longo prazo tenha opiniões que são rejeitadas pela grande generalidade das pessoas, mas que às vezes a longo prazo produzem os seus efeitos.
Aplicando na prática esta minha ideologia desportiva, digo sem qualquer medo de me enganar que o Benfica não está pior que o ano passado, como todos dizem.
A minha argumentação é vasta e espacialmente é me impossível de frisar todos os dados que detenho.
Começando pelo principal, a formulação da equipa do Benfica. Fala-se das perdas de Di Maria e Ramires. Na minha modesta opinião, este argumento aparece apenas porque a equipa marca menos golos porque de fundamento não tem nenhum.
Ora vejamos, Carlos Martins é neste momento um dos melhores médios do Mundo. A sua forma actual fazia-lhe entrar em quase todas as selecções do Mundo. Por isso é estranho certos comentadores patentearem esta ideia e ao mesmo tempo terem saudades de Ramires.
Por outro lado não vejo grandes diferenças entre o Di Maria da primeira volta e o actual Gaitán. As suas assistências e arrancadas muito produtivas não ficam a anos- luz dos desequilíbrios operados por Di Maria na primeira metade da época do ano transacto.
Aimar apresenta uma capacidade física deveras reforçada e joga como poucos 10 na Europa.
Saviola sacrifica-se em prol da equipa e já leva quase tantas assistências na Liga como o ano passado na época inteira. 

Porque razão o Benfica marca menos golos?
Porque o Benfica ainda não jogou contra nenhuma equipa medíocre (8-1 Setúbal)(4-0 Belenenses), não jogou contra 9 (5-0 Leixões). Mas será que alguém já pensou nisso?
Por outro lado já alguém pensou que o Benfica na temporada transacta foi mais forte na segunda volta onde deu menos goleadas.
Já alguém pensou que o Benfica o ano passado teve duas oportunidades contra o Guimarães, ganhou o jogo de bola parada sem saber ler nem escrever e este ano teve dois golos anulados e mais uma mão cheia de oportunidades?
Já alguém se questionou no jogo Nacional-Benfica da época passada (equilibrado a 100%) e este ano o Nacional ganha com dois frangos de Roberto e 4/5 defesas espectaculares do seu guarda-redes?
Já alguém fez uma relação de causa e efeito entre o empate do ano passado em casa com o Marítimo e a derrota inicial com a Académica?
Ninguém, porque o momento e as circunstâncias falam mais alto.
O actual Benfica deu 2-0 no Sporting e podia ter dado mais, o ano passado ganhou apenas com uma excelente segunda parte. Ganhou 1-0 ao Braga tal como na pretérita época, mas com uma exibição claramente superior. Marcou 4 golos ao Lyon bem melhor do que marcar 5 ao Everton. Sofreu 3, mas isso deveu-se às substituições e não a um problema de qualidade da equipa. O Benfica actual perdeu contra o Schalke e o Lyon fora, o ano passado perdeu contra o AEK e o Poltava.
O Benfica actual cria tantas ou mais oportunidades por jogo do que o Benfica da época passada.
O Benfica da época passada revelou falta de inteligência e experiência nos jogos fora de casa a doer (2-0 Braga; 3-1 Porto; 4-1 Liverpool) tal como este ano para a Champions.
Analisando pelo método e pela continuidade sei ver que os acidentes que o Benfica teve no início de época foram fruto do momento e da circunstância. Mas em 30 jornadas o método e a continuidade querendo ou não prevalecer-se-ão.

E como gosto de tomar riscos e não de analisar apenas fruto do momento e das circunstâncias, tenho a coragem de afirmar que penso que o Benfica continua ser o principal candidato ao título e que esta época ainda será melhor que a época passada.(Aconteça o que acontecer após o clássico)


By João Perfeito
05
Nov10

Uma Aventura no Estádio

Minuto Zero
Num jogo qualquer, de um clube qualquer num qualquer estádio (pormenores que nada acrescentam a esta exposição), ouvi um dia uma criança a aparentar uns 6 anos apertar com força a mão do pai e dizer em voz fininha: Pai, tenho medo. Numa tentativa de sossegar o pequeno , o pai rodeia-o com os ombros e diz-lhe Não tenhas medo, aqui não nos acontece nada.
Sossegue o leitor mais apressado – não é da afectividade pai/filho que irei falar hoje, muito menos de um conto infantil completamente descontextualizado e cor-de-rosa. Pelo contrário. É bem cinzento, da cor do fumo que naquela tarde-noite assustou o pequeno rapazinho. Chamemos-lhe Bernardo. Ora, o Bernardo assustou-se com a nuvem de fumo que, instantes antes da equipa pela qual aprendera a torcer entrar em campo, inundou a sua bancada, proveniente (mas isto o Bernardo não sabia) da claque que no anel inferior  já ensaiava cânticos de apoio.
Não tenhas medo, aqui não nos acontece nada. Naquela altura a curiosidade atacou-me de tal forma que ponderei questionar o progenitor sobre a proveniência de tanta certeza. Afinal, tanto eu como eles tínhamos entrado no estádio sem qualquer tipo de revista ou controlo prévio. Aqui não nos acontece nada – pensamento natural de quem joga em casa e vê no seu estádio uma espécie de aura protectora onde nada acontece. Eu sou ao contrário: a minha veia pessimista (medricas não assumida) faz-me pensar sempre que entro num estádio sem ser revistada: “Pronto, é desta que isto explode”.  Deixemos de parte o ridículo do meu estado amedrontado e concentremo-nos na recorrência deste meu pensamento. Num breve exercício de memoria consigo recordar-me das poucas vezes em que me revistaram a mala e remexeram os bolsos – umas 4. Aceitável, não fosse eu uma stadium-freak que não vai tão poucas vezes a estádios quanto isso.
Talvez seja o típico portuguesismo do deixa andar ou mera distracção das forças de segurança. Mas, numa altura em que tanto se fala da ausência de segurança que as equipas sentem quando visitam um estádio rival, deve ter-se também em atenção os adeptos e respectiva segurança. Não é aceitável, nem sequer compreensível, que em jogos da Liga dos Campeões (experiência confirmada na última jornada europeia) ou da Selecção Nacional entre um adepto que seja no Estádio sem ser minimamente revistado – seja o jovem de mãos nos bolsos e olhar enigmático-meio-ameaçador ou o pequeno Bernardo assustado com a confusão. É inaceitável, jogo após jogo, os clubes continuarem a arriscar e ainda mais incompreensível quando se trata dos chamados grandes, onde o risco e o fanatismo caminham de mãos dadas. Em jogos da Liga ex-Liga Vitalis (agora Orangina), era todas as jornadas obrigada a deixar as pilhas da máquina fotográfica com os seguranças, em dois Benfica x Sporting que assisti ao longo do último ano até pilhas extra pude levar comigo. Algo está mal e ninguém dá conta. E se assegurar o bem-estar e a segurança dos atletas é de extrema importância, os adeptos em nada podem ser descurados – são os adeptos quem enche os estádios e fazem do Futebol a bonita festa que é. Cabe aos clubes, em troca, atestar a sua segurança. Porque se há quem, como eu ou o Bernardo, se sinta apreensivo com a situação, decerto haverá quem se sinta tentado.

by Sílvia Ferreira Santos