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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

Minuto Zero

14
Out10

Steve Field

Minuto Zero
Selecção: Os problemas


Paulo Bento inicia funções como seleccionador nacional, substituindo o bastante criticado Carlos Queiroz. Este coloca a melhor equipa no momento dentro do terreno de jogo. Portugal, bastante motivado, vence e convence. Problema resolvido? Nem pensar!
Portugal, provavelmente, com maior ou menor dificuldade, irá conseguir a sua sétima participação consecutiva em grandes competições, feito inédito, já que é a melhor equipa do grupo e estas duas vitórias vieram dar um grande impulso para a qualificação. No entanto, a nossa Selecção, numa perspectiva realista, dentro de poucos anos, com o abandono de figuras já em idade avançada como Ricardo Carvalho, Bruno Alves ou Raul Meireles, ficará órfão de alguns dos seus melhores jogadores, sem haver substitutos de semelhante qualidade.
Esta falta de recursos deve-se à fraca qualidade dos dirigentes das estruturas da Federação Portuguesa de Futebol. Em primeiro lugar, o número de estrangeiros que compõem as equipas profissionais do nosso futebol é assustador. Não está em discussão o valor dos atletas, mas sim a escassez de jogadores portugueses que, consequentemente, diminui as opções de um seleccionador já que os portugueses são, muitas vezes, ‘postos de parte’. Sugeria, portanto, à semelhança do que acontece em alguns dos melhores campeonatos europeus, um mínimo de jogadores nacionais por equipa ou até um máximo de estrangeiros.

Fonte: abola.pt


Em segundo lugar, ainda mais assustador, é a quantidade de estrangeiros que jogam nas equipas de formação. Para comprovar, faço o teste ao leitor de verificar quantos estrangeiros compõem os três grandes do futebol português nos seus planteis de formação. Este facto impede o surgimento de mais jogadores de valor portugueses, que mais tarde também se reflecte na falta de opções na selecção. Mais uma vez, proponho um limite de estrangeiros nos plantéis, não por ser xenófobo ou por estes serem de fraco valor, mas porque quem paga a factura é a equipa de todos nós.
Todos estes factos levam praticamente ao inevitável, a naturalização de estrangeiros, algo que na minha óptica não deveria ser permitido. No entanto, admito que nos seja útil devido à falta de melhor. Temos potencial, mas não o aproveitamos.
Outro facto bastante relevante para o enfraquecimento da nossa selecção é a falta de competência dos seleccionadores dos escalões de formação. Para mim, foi o grande erro de Carlos Queiroz enquanto seleccionador nacional. Entregar estes cargos de grande responsabilidade e competência a ex-jogadores, jogadores com passado na equipa das quinas, mas jogadores sem grande experiência ou provas dadas como treinadores, que prejudica a evolução do nosso futebol e, mais tarde, prejudica a selecção A. É uma cadeira alimenta que, ao falhar na base, falha no topo. No entanto, há ainda a salientar que este problema não surge única e exclusivamente por responsabilidade de Queiroz, foi apenas acentuado.





Fonte: abola.pt

Outro problema do futebol da nossa Selecção, não menos importante, é a falta de uma identidade, de um modelo de jogo comum a todos os escalões de formação até à Selecção A, que é fundamental para obter sucesso, não só na equipa principal pois a adaptação é facilitada aquando da chegada dos estreantes, como também para o sucesso das selecções jovens. O melhor exemplo possível vem dos nossos vizinhos espanhóis. Se virmos os sub-15 espanhóis a jogar, parece que estamos a ver a selecção principal espanhola. Resultados? Campeã europeia e mundial e vários títulos nas camadas jovens. E não é por haver melhores jogadores, pois em Portugal há bastante matéria-prima. Porque não aprender com quem faz bem?
Há ainda a salientar que, devido à falta de competitividade do nosso futebol, os nossos melhores jogadores são aliciados a irem jogar para o estrangeiro. Jogam praticamente todos em clubes diferentes que, quando se encontram para jogar na selecção, têm mais dificuldade de entrosamento do que, por exemplo, a grande selecção espanhola, composta maioritariamente por jogadores do Barcelona e Real Madrid, jogando quase de ‘olhos fechados’. Contudo, este problema não leva nota de culpa da federação.
Na minha opinião, a mudança de Queiroz por Paulo Bento foi uma boa opção, na medida em que a imagem do seleccionador estava completamente esgotada pela comunicação social e já não havia respeito e confiança entre ele e os jogadores. Porém, Queiroz era o menos culpado de todos os problemas da nossa selecção. Pelo contrário, apesar de todos os seus erros, a prestação de Portugal no mundial foi normal e Queiroz foi o grande responsável pela geração de ouro no futebol português, formando dos melhores jogadores portugueses de sempre. Mesmo agora neste período, tentou sempre fazer o que Scolari nunca tentou, preocupou-se sempre com o rumo das selecções jovens, criando até a selecção de sub-23, que é indispensável para a transição para a selecção A.
Este senhor do futebol não merecia o que lhe fizeram. Depois de tudo o que deu ao país foi ‘expulso’ do cargo, parecendo que este país está novamente na ditadura. Para mim, Queiroz devia de ter continuado na federação a coordenar todo o futebol jovem e a coordenar a equipa técnica, cabendo então a Paulo Bento (já que Mourinho era impossível) a gestão de campo, pois aqui Queiroz não podia fazer mais nada e, sinceramente, concordo que aqui é um pouco limitado. As suas virtudes são melhor aproveitadas na formação.
Julgo que mais uma vez foi culpado quem não teve culpa. O futebol português está a caminhar a passos largos para o que era antes da geração de ouro, não se vendo melhorias à vista. Temos de nos desabituar em estar nos grandes palcos pois, continuando assim, isso irá terminar. Discute-se muito as pessoas, isto é, se Paulo Bento é melhor que Queiroz, se Mourinho era o ideal, em vez de se discutir o que realmente importa, as ideias, os métodos para atingir o que não parece que se pretende, o sucesso
By: Steve Grácio


  
14
Out10

Evolução do futebol

Minuto Zero
O futebol ao longo dos tempos passou por fases de constante mudança, tanto em ternos tácticos (sistema\ dinâmica), como em termos de intensidade, mudando a sua própria face; de Hugo Meisl a Rinus Michels, de Cruijf a Mourinho, novas formas de jogar, mas sobretudo "reinvenções", foram surgindo, conduzindo àquilo que é o futebol hoje em dia.

Numa época em que parece já não existir nada para inventar, as mudanças vão aparecendo faseadamente, sobretudo como resposta a uma anterior mudança. Estas alterações devem-se sobretudo a uma lógica de procura de novos espaços no terreno de jogo. Se à 20 anos atrás os jogadores quando recebiam a bola tinham 2 segundos para pensar e executar, agora, são por vezes pequenas fracções de segundo. O campo parece cada vez mais curto face a tamanha intensidade; os espaços mais reduzidos em função das  mais apuradas ocupações dos mesmo por parte dos jogadores, tanto no momento ofensivo, como no momento defensivo.

Quais então as novas tendências para o futuro imediato do futebol (europeu sempre na vanguarda)?

Olhando para o terreno de jogo, nos sistemas mais habituais (4x4x2 clássico, 4x3x3, 4x4x2 losango ou 4x2x3x1 nas suas diversas variantes), os últimos "espaços" livres para progredir com bola situam-se sobretudo na defesa. Cada vez reduzidas a menos toques, as transições ofensivas, salvo raras e meritórias excepções (falo do tiki-taka Espanhol ou de Guardiola no "seu" Barça por exemplo), partem ou da subida dos laterais, ou da bola tocada rapidamente pelo pivô-defensivo, colocando esta nos interiores, ou em jogo mais directo, tanto para uma das faixas, na procura das diagonais de "falsos" extremos, como nos pontas-de-lança com cada vez maior "amplitude" de movimentos, que surgem atrás para tabelar.
Os desequilíbrios, aparecem em movimentações vindas de trás, sobretudo de laterais-ofensivos e dos interiores box-to-box, que cada vez mais surgem em zona de finalização, aparecendo nas costas da defesa, ludibriada pelos movimentos de avançados móveis.

Duas novas tendências:

Fim do ponta-de-lança estilo poste de basquetebol, ideais para jogo mais directo, mas que vivem essencialmente na área, entre os centrais, normalmente com pouca capacidade técnica, finalizadores natos, sobretudo de cabeça, que baseiam o seu jogo em receber passes longos, de costas para a baliza, para tabelar ou rodar. Cada vez se lhes pede que saibam transportar bola, não que deixem de saber receber-segurar, mas que sejam mais evoluídos, aproveitando espaços entre-defesas, movimentando-se com e sem bola. No processo defensivo cada vez se lhes pede mais que não fiquem sozinhos na frente (típico de 4x1x4x1),mas que pressionem  alto, fazendo parte do bloco, quer seja ele médio-alto ou baixo, sempre em sintonia com a equipa.
É o novo mundo, de Drogbas, Ibraihmovics...


retirado de: dailymail.com.uk


Mas é na defesa a mais interessante das novidades:

Aos centrais pede-se cada vez mais que saiam em posse, que sejam os próprios a iniciar as transições ofensivas, deixando a típica imagem do "durão com pés de tijolo" que atribuímos aos centrais.
O principal "espaço" a aproveitar no futebol actual está nesta mesma zona, a dos centrais.
Se os defesas/laterais se emanciparam em termos da sua importância ofensiva à cerca de duas ou três décadas, surge hoje em dia a necessidade de os centrais se "voltarem" a emancipar. Digo voltar porque a invenção do libero, antiga como se sabe, foi talvez a sua primeira "formula". No entanto nessa altura acabou por ser combatida, e deixou de fazer sentido, como sempre o futebol evoluí nesta lógica de contra-posição ao estilo definido.
Se hoje em dia os sistemas de 4 defesas passaram a ser referência do equilíbrio entre sectores (defesa-meio-campo-ataque... e porque não guarda-redes também), a verdade é que, e face também ao movimento mais afastado da área dos avançados-centro (um pouco como referi antes), deixa de fazer sentido existirem 2 centrais de marcação. Sendo assim, um deles fica com mais espaço livre, tanto no momento defensivo no qual se liberta da marcação para aparecer nos espaços descobertos sobretudo (tal como o antigo libero), como no movimento ofensivo, onde, e mesmo que o adversário jogue num pressing alto, face à tendência de jogar só com um avançado (ou 1x1 com "segundo-avançado" mais recuado) existirá sempre mais espaço para um dos centrais poder ser ele a sair a jogar.
Outro dado importante, é a cada vez maior tendência dos pivô-defensivos serem a "ancora" da equipa, ocupando espaços entre o meio-campo e os centrais, sendo normalmente jogadores que na transição ofensiva se limitam a um passe curto, podendo assim simplesmente "abrir" caminho para um central sair em posse até uma zona mais avançada.
retirado de: zimbo.com

Basta olhar para duas equipas para perceber esta nova tendência de "vanguarda":

No Barcelona, equipa que sustenta a transição em posse, Pique surge como a figura do novo "libero"; no Arsenal de Wenger, Vermaelen, central belga, é talvez o exemplo mais óbvio desta nova lógica, saindo muitas vezes até meio do meio-campo adversário, rematando até de longe, ou dando a bola a um dos avançados "interiores" dos arsenalistas. Isto porque no futebol inglês, mais físico e com menos preocupação em fechar os caminhos para a baliza, as equipas se expõe mais, permitindo este maior aproveitamento de espaços.

Estes "novos-liberos" são certamente um fenómeno a ter em atenção, e se por agora surgem sobretudo em equipas que jogam mais em posse, rapidamente, começaram a aparecer em equipas de jogo menos apoiado. Uma mudança não só na forma de executar transição-ofensiva desde trás, mas sobretudo ao nível da ideia do central "moderno".

By Tiago Santos
13
Out10

As nossas selecções

Minuto Zero
Selecção sub-23

Orientada por Agostinho Oliveira, a selecção sub-23 foi recuperada neste final momento de transição do pontificado de Carlos Queiroz para Paulo Bento.
A ideia: ser um local de transição para jogadores jovens, que são produto do processo de formação (até sub-21) poderem continuar a treinar e jogar em ambiente de selecção, funcionando como “celeiro”, como referiu Agostinho Oliveira, da selecção AA.
Dentro da primeira fornada de sub-23, alguns dos nomes mais interessantes do futebol português, não diria jogadores de top neste momento, até porque se o fossem estariam na selecção AA mas com algum interesse para o médio prazo.


Ukra

retirado de: 
                                                            newshopper.sulekha.com


Mais um extremo da formação do Futebol Clube do Porto, jogou a época passada no Olhanense, segundo ano como sénior, está agora no clube onde se formou. Tem tido esporádicas oportunidades. Rápido, tecnicista, cruza bem, típico extremo português; é destro, joga tanto à direita como á esquerda. Não é um grande finalizador, o seu jogo passa muito mais pela procura da linha de fundo. Daí também as muitas assistências.

M. Lopes

Estranhamente (a meu ver) afastado da equipa principal do Porto, está emprestado ao Bétis, onde se aguarda  com expectativa o seu desenvolvimento. Sobe muito bem, mas ainda não controla muito bem os tempos de subida\descida pela ala. Um lateral ofensivo, com pulmão. Pode ser um lateral-direito de futuro para a selecção principal.


Vieirinha

retirado de:
academia-de-talentos.com

Saiu do Porto de Jesualdo com poucos minutos, mas mesmo ai mostrou que é um jogador de qualidade e com boa margem de progressão. Não parece tão rápido como Ukra, mas é mais “maduro” na forma como se incluí nos lances ofensivos, sobretudo pela esquerda, onde em diagonal procura o seu pé direito. Remata bem, na Grécia, onde já foi o jogador do ano, marca com regularidade. Espreita uma oportunidade mas na selecção AA existem muitos jogadores de qualidade para a sua posição.


João Ribeiro

È um extremo de raiz, foi com esse rotulo que chegou este Verão ao Vitória de Manuel Machado. Em 4x4x2 losango no clube, joga como falso 10, prescindindo da função de organizador, procurando movimentos de ruptura com bola em velocidade, caindo nas faixas por vezes. Esquerdino, apareceu nestes sub-23 como 10 num 4x2x3x1, falta-lhe capacidade para organizar e cultura de posição. Um crescimento interessante.

Outras selecções:

Nélson Oliveira (sub-20)

Emprestado pelo Benfica ao Paços de Ferreira, este ponta-de-lança de 19 anos procura sobretudo em movimentos de aproximação aos médios tirar partido da sua boa capacidade técnica e condução de bola. Na área movimenta-se bem e tem mostrado neste primeiro ano como sénior bons índices de finalização. Um avançado de muito talento para o futuro da selecção.


Rui Silva (sub-21)

Saiu do Chaves para o Everton de Inglaterra, onde este ano tem tido poucas oportunidades. No primeiro ano como sénior fez 15 golos na liga de Honra. Movimenta-se bem na área, cabeceia bem e remata com os dois pés. Mais posicional, luta bastante entre os centrais e sabe quando atacar a bola. Um excelente projecto de ponta-de-lança com muita margem para progredir e que está num bom local para aprender.


Sérgio Oliveira (sub-20)

Ficou conhecido por ter no seu contrato uma clausula de rescisão de 30 milhões de euros, contrato celebrado com o Futebol Clube do Porto, clube que o formou e o qual o emprestou ao Beira-Mar esta temporada (primeira como sénior). Começou como pivô-defensivo, mas pela sua capacidade técnica e visão de jogo fora do normal para a sua idade foi subindo no terreno jogando como 8 ou 10. Parece no entanto ser como pivô que o seu futebol fluí com maior naturalidade, dominando bem os espaços e estando um passo à frente de todos os outros pela sua inata capacidade para ler o jogo, forte fisicamente, domina bem no jogo aéreo.  Não se tem imposto no Beira-Mar, mas é muito cedo para se retirar elações.


 By Tiago Santos
13
Out10

BUZZER-BEATER

Minuto Zero
WBA

Antes de mais, para aqueles que não saibam, isto é um buzzer-beater. Passando ao tema desta semana, devo desde já agradecer ao Tiago Santos pela sugestão do mesmo. E não, eu não me enganei a escrever a sigla da Women’s National Basketball Association (a irmã da NBA). A ideia do post seria algo como “World Basketball Association”.
O tema da expansão da NBA a algumas das equipas da Europa é algo que tem vindo a ser discutido: em 2003 surgiram propostas, bem como em 2008. E o mesmo tem acontecido nas últimas semanas, tal como todos os anos por esta altura em que a NBA faz a sua digressão “NBA Europe Live” pelo Velho Continente. A ideia? Criar uma divisão da NBA sediada na Europa, com 5 equipas (tal como as restantes divisões nos EUA) cada uma das quais disputando o calendário de 82 jogos com as equipas já existentes (atenção que se iriam criar novas equipas na Europa, não jogar com as lá existentes, como já defendeu o Real Madrid, que já manifestou o seu interesse em jogar para lá do Atlântico).
O facto de o Europe Live existir bem como a discussão desta proposta apenas revelam aquilo que na minha perspectiva é algo de muito positivo: a globalização do fenómeno do basquetebol e, especificamente, da NBA. E claro, o meu objectivo aqui é mostrar a todos as várias posições tomadas face a esta possibilidade, portanto vejamos…
Do lado oficioso da NBA, David Stern, o comissário da liga, via como principal entrave a este projecto (isto em 2003) as infra-estruturas europeias deficitárias em relação aos padrões da NBA. A Europa, sem grande tradição na modalidade, não possuía pavilhões com o tamanho, por exemplo, dos que existem na América. Porém, hoje em dia, as duas O2 Arena (uma em Londres e outra em Berlim), e outras (que não tenho a certeza se estarão ainda em construção) em Roma e Madrid já reúnem as condições necessárias. Mas será que isso chega para começar a mudança?
Fonte: NBA.com
A nível competitivo, também é hoje em dia discutível a competência das equipas europeias actuais para jogar com as da NBA. Porém, como já foi provado nestes últimos dias (com a vitória do Barcelona sobre os campeões Lakers) que estas equipas conseguem rivalizar. Já relativamente ao jogo físico e a um calendário de 82 jogos não creio que qualquer equipa europeia fosse capaz de discutir campeonatos com as americanas, porém, isso passa muito pela habituação dos jogadores. E mesmo relativamente aos jogadores, há que ter noção que os melhores dos melhores vão para a NBA e não estão na Europa (mas de vez em quando há uns casos, o prodígio espanhol de 19 anos Ricky Rubio, base do Barcelona, ou mesmo o nosso Carlos Lisboa, há uns anos atrás), daí que haja sempre alguma diferença qualitativa entre as equipas.
Mas para mim o caso mais problemático seria o da gestão do esforço dos jogadores. Se já dentro dos EUA a sequência de jogos fora de casa de uma equipa já é algo extremamente regulamentado, visto que há, salvo erro, 4 fusos horários no país, e as viagens em si são cansativas, imagine-se o que seria uma “road trip” na Europa. Seria todo um “jet lag” desgastante que poderia condicionar a performance desportiva.
Agora repliquem isto para uma verdadeira liga mundial de basquetebol (sim, porque equipas como os Raptors já vão esta época fazer um ou outro jogo da época regular em Pequim) e equacionem as possibilidades. É que nem a própria Liga dos Campeões faz as equipas jogarem todas as semanas. E se uma das equipas sediadas na Europa chegasse a um playoff, com uma série de 7 jogos? Era semana e meia de voos América-Europa-América?
Concluindo, defendo que se deve descentralizar o basquetebol ao mais alto nível para fora dos Estados Unidos (e Canadá), mas não me parece que nos moldes actuais haja condições para o fazer sem que se percam aspectos essenciais da modalidade. Mas a Europa já começou a adaptar o seu jogo: alargou-se esta época a linha de 3 pontos para os padrões norte-americanos. E apesar de os melhores jogadores se encontrarem na NBA, muitos defendem que o melhor basquetebol, mais táctico, se joga nas ligas europeias, em contraste com o jogo mais físico, e objectivamente menos complexo a nível táctico, na NBA. Mas se é melhor ou pior, não me cabe a mim julgar. Vejo este projecto de alargamento da NBA então, como uma ideia positiva que necessita de uma melhor construção.

By Óscar Morgado
12
Out10

Futebol Internacional - Como mudar uma geração? Questão Milan

Minuto Zero
Desta parte à já alguns anos o Ac Milan tem vindo a apostar forte em planteis com jogadores envelhecidos, não que a idade seja um problema (Maldini e Zanetti são exemplos disso), mas sim porque na sua maioria seriam jogadores na curva descendente da carreira... alguns bem no fundo já.

Ronaldo ("fenómeno"), Ronaldinho, Favalli, Beckham, o regresso esporádico de Shevchenko, Èmerson, Zambrotta... e tantos outros mais, são exemplos de uma aposta que visou sempre resultados imediatos. 
Como base de um plantel, um grupo de jogadores, alguns deles 2 vezes campeões europeus (2002\2003 e 2007\2008!!!), que, e apesar de alguns pouco jogarem, se mantiveram na estrutura do plantel. 
Falamos de Pirlo, Nesta, Maldini (já retirado), Kaladze (no Génova), Dida (retirado), Costacurta (retirado), Seedorf, Gatusso, Ambrosini, Abbiati... nada contra a continuidade ao longo dos anos sempre no mesmo clube, o problema é quando não existe renovação e estes se mantêm como únicas soluções mesmo deixando de render o suficiente para o cumprimento dos objectivos do clube.

2010\2011. Novo treinador sucede a Leonardo, Massimiliano Alegri, vem do Caglari, e encontra uma equipa dividida entre a velha guarda campeã europeia, jovens talentosos, e duas novas "super-estrelas".

Não alterando muito a forma de jogar do Milan, Alegri mantêm a característica mais marcante deste colosso italiano nos últimos anos : No meio campo, seja em 4x1x2x1x2, seja em 4x3x2x1, seja 4x3x1x2, o "meio-campo" forma em 1x2, com Pirlo, "regista" recuado, com papel essencial nas transições ofensivas, com 2 interiores que dominam as transições apoiando Pirlo que está longe de ser um recuperador de bolas. Para esta temporada aprarecem Gattusso e Ambrosini desgastados pelo passar do tempo, já sem o mesmo ritmo, Seedorf, o jogador à parte, que tanto quis ser 10, que acabou por passar ao lado de uma carreira ainda mais genial, Flamini, um jogador "triste" desde que saiu do Arsenal, e ainda um interessante dado novo, Kevin Prince Boateng, Ganês que joga a 100 à hora, robusto e inteligente, forte em ambas as transições, mas em processo de adaptação ao exigênte futebol italiano.


No ataque 4 "génios", e mais do que isso 4 momentos pessoais distintos: 

Ronaldinho esconde a "barriguinha"  dentro da camisola, fora dos calções. Já não tem a mesma intensidade que lhe permitia estar sempre em jogo no Barcelona. Vive agora de momentos de inspiração esporádicos, mas quando abre o livro pode decidir uma partida.

retirado de: zimbio.com

Pato, o mais jovem de todos, procura evoluir no sentido de se tornar o novo 9 canarinho, rápido, tecnicamente (sobre)dotado, remata bem e fácil, parte sobretudo em movimentos diagonais de fora para dentro. No 4x3x3 de Alegri surge muitas vezes demasiado longe da área adversária. As lesões teimam também em atrasar o seu crescimento.
Robinho vem de uma "lufada de ar fresco" na sua carreira, a passagem pelo "seu" Santos, onde mais do que jogar sambava ao lado de Ganso e Neymar. Agora de volta à Europa é hora de se colocar definitivamente no top como titular de um "gigante" europeu.
E por fim, Ibrahimovic, emprestado pelo Barça, ao qual não mais deve voltar. Não hà ponta de dúvida da sua qualidade, trata-se de um jogador de top-5 mundial, mas vive muito daquilo que quer dar ao jogo, pede à equipa que jogue para ele. Muitas vezes é o próprio quem "adultera" as transições ofensivas e liberta todo o seu talento em caminhos que não são os seus... No Inter era 10, 9,5 e 9 em muitos jogos. No Barça viu-se amarado à posição de ponta-de-lança, obrigado a correr atrás dos defesas no momento defensivo... para além de não possuir o estatuto de estrela maior.. era mais um.. quando ele gosta de ser o próprio um todo. 

Retirado de: 
                                                               www.mundodofutebol.net

Como conciliar estes 4? Tacticamente quase impossível. Nenhum deles se sacrífica para o momento defensivo. Colocar Ronaldinho num meio-campo a 3, nem no seu apogeu, agora seria partir a equipa em 2, retirar-lhe fio condutor... é uma questão táctica complexa, mas sobretudo, este Milan é uma equação de egos e momentos físicos e psicológicos.

By Tiago Santos
12
Out10

Em Frente

Minuto Zero

Ovos, para que te quero?
Semana de selecções e… elogios ao novo seleccionador nacional, Paulo Bento. Fala-se sobre as suas qualidades, enquanto treinador, enquanto gestor de um plantel, enquanto excelente elemento de formação. Fala-se como foi capaz de trazer de volta o entusiasmo aos portugueses em redor da equipa. Enfim, parece que a Federação arranjou o homem perfeito para o cargo…
Agora, depois dos elogios, deixem-me falar do que esta semana de selecções me tem deixado a pensar. Novamente, Paulo Bento: O treinador que, durante quatro anos, tive de ver sentado no banco de Alvalade. O homem que dizia aos adeptos leoninos que se quisessem ver espectáculo, fossem ao cinema (consequência do futebol feio que se veio a praticar durante esses quatro anos). Ganhou taças, certo, mas falhou durante o seu período no Sporting, ao não conseguir alcançar o título nacional (muito por causa do seu sistema de rotatividade no início do campeonato, onde se perdiam pontos de formas impensáveis e de certas posições que tomava). Mas, não é isso que me tem incomodado. O que deixa inquieto é recordar uma certa expressão utilizada no passado referente a ovos e omeletes, aos recursos que tinha no Sporting.

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retirado de:
ricardoquaresma27.blogspot.com
“Não posso fazer omeletes sem ovos”, se bem me recordo. Mas, pode repetir senhor seleccionador? É que me parece que ao olhar para a sua formação, vejo uma grande quantidade de atletas que passaram pelas suas mãos e, em certos casos, jogadores que, veja só, dispensou. Não eram bons? Agora já são? Não chegavam para o que era pretendido? É que eu agora olho para a selecção, recheada de actuais e antigos jogadores do Sporting e sinto que não está ali nenhum símbolo do clube, nem tão pouco alguém que no clube tenha levantado a taça de campeão nacional e, começo a achar realmente estranho como se fala em falta de recursos aquando da sua passagem em Alvalade. Pelas suas mãos passou o Nani (figura actual do Manchester United), Miguel Veloso (actualmente titular num dos campeonatos mais competitivos da Europa, com quem manteve sempre uma relação estranha), Carlos Martins (que se afigura como um dos principais jogadores do rival directo), Silvestre Varela (que de ano para ano, foi tendo reduzidas hipóteses), João Moutinho (o capitão leonino que sempre foi defendido a todo o custo, fugindo a castigos idênticos a outros colegas, quando proferia a sua vontade de sair do Sporting a todo o custo), Rui Patrício (futuro titular da selecção que da maneira que foi lançado, foi saltando e deixando para trás algumas etapas importantes do seu crescimento enquanto jogador), enfim… E depois, ainda há o Liedson e o Postiga, ou seja, do actual plantel nacional, Paulo Bento teve à sua disposição 8 (!) atletas enquanto treinador do Sporting. Resultados? Taças e mais taças e uma frustração enorme dos adeptos de serem vice-campeões durante quatro anos consecutivos.
 Mas, como falo de Paulo Bento e mais precisamente da expressão que no passado proferiu, é necessário dizer que este sabor amargo de ver atletas formados no clube, ou que num certo momento actuaram no clube, onde nada de relevante conquistaram, actuando e impressionando na actual selecção não se fica pelo actual seleccionador. Ainda há o Danny, o Beto, o Quaresma (pré-convocado, mas lesionado entretanto) – único campeão pelo emblema de Alvalade - e, claro, o Cristiano Ronaldo. E dá que pensar: que serve ter uma formação apelidada de “melhor do mundo” se depois não há frutos internos? É um orgulho ter formado dois jogadores que receberam o galardão de melhor do mundo. Mas que ganharam eles no clube? De um modo geral, os treinadores leoninos não sabem aproveitar o que têm e, consequentemente, acabamos por formar para os nossos rivais alimentar (o maior símbolo do Benfica desta última década, o Simão, é um claro exemplo).
E, nota-se vontade de mudar isso? Não, ainda agora, olhando para o plantel à disposição de Paulo Sérgio verificamos que existe um sem-número de atletas que, ou já pertenceram, ou que no futuro próximo irão certamente usar o símbolo de Portugal. João Pereira começa a dar os primeiros passos; Daniel Carriço, não deve faltar muito para o fazer; Djaló ainda agora era um dos pré-convocados; Pedro Mendes e Maniche, opções do passado, podem sempre dar experiência a qualquer meio-campo; Nuno André Coelho já por lá andou. E eu frustrado penso: E o Sporting? A dez pontos do líder, com o campeonato a fugir novamente. É que mesmo com meios financeiros mais limitados, ovos vão aparecendo. E o resto?

Saudações Leoninas
by Jorge Sousa
11
Out10

Segunda é o dia

Minuto Zero

Entradas e saídas

Na passada terça-feira, 5, feriado nacional, os telespectadores do programa Trio d’Ataque, da RTP N, puderam assistir a um momento insólito no programa. Discutiam-se as novas escutas do caso Apito Dourado, divulgadas no Youtube, e a conversa entre Rui Moreira, adepto do FC Porto, e António-Pedro Vasconcelos estava ao rubro. E a discussão estava tão quente que, a certo momento, Rui Moreira se levantou e abandonou o programa, por não querer compactuar com um “auto de fé” contra o seu clube.
Seguramente que a atitude de Rui Moreira teve como principal catalisador a forma intensa como estava a viver a discussão e que, se tivesse ponderado um pouco calmamente, não teria abandonado o programa. Claro que isso não desculpa o que fez. Como comentador, é pago pela RTP para fazer aquela participação, portanto nada desculpa que tenha saído do programa em directo.
Entretanto, a direcção da RTP N decidiu e, a meu ver, muito bem, dispensar o comentador. Apesar de admirar o seu trabalho no programa, a sua atitude é indesculpável. Sai Rui Moreira, entra um novo comentador que, segundo informação do próprio clube, não terá o seu apoio.
Na Selecção Nacional, esta semana aconteceu a primeira entrada em campo do novo seleccionador. E quase assistimos a um “fenómeno Paulo Bento”. Enquanto treinador do Sporting, foi dos mais “gozados” dos últimos anos. Ora pela forma como falava, ora pelo que dizia, ora pelo seu estilo ou até pelo seu penteado, Paulo Bento foi sempre comentado na opinião pública sobretudo enquanto figura e muito pouco como treinador.
Depois dos 3-1 à Dinamarca, já ninguém se lembra do famoso “risco ao meio”, nem da “tranquilidade”, nem das pausas a falar. Paulo Bento mostrou, para já, profissionalismo e capacidade para o cargo que assumiu (Queiroz perdeu com a Dinamarca em Alvalade). Mas, mais que isso, Paulo Bento mostrou um estilo totalmente diferente de Queiroz. A simplicidade do novo seleccionador contrasta com a arrogância do antigo e, para já, os resultados estão do lado de Bento. Sai Queiroz e entre um Paulo Bento que, para já, é salvador.
Agora, já não interessa se foi treinador do Sporting ou não e se, nessa categoria, gostávamos ou não dele. Agora é o seleccionador nacional e, como disse Mourinho, é nosso e, por isso, é o melhor.
Para finalizar, uma breve nota para Nélson Oliveira, ciclista português de que falei na semana passada. Os seus bons resultados, entre os quais o 4º lugar no contra-relógio dos mundiais de estrada, não passaram despercebidos e grandes equipas já o querem contratar. Oliveira está, para já, sem contrato para a próxima época e uma das mais fortes possibilidades é juntar-se a Sérgio Paulinho, Tiago Machado, Manuel Cardoso, José Azevedo (director desportivo) e ao mecânico da equipa, também português, na formação de Lance Armstrong. Boas notícias para o ciclismo português!

by João M. Vargas
09
Out10

Mais do que um jogo, ganhar uma equipa

Minuto Zero
O futebol é mais do que um jogo de 11 pedras contra outras 11. Que importa se um treinador é genial e a sua forma de jogar é a ideia perfeita? Se o seu adversário por muito desorganizado que seja tenha jogadores de muito mais qualidade? A resposta vale tanto para o futebol como para outros desportos. Nada que os treinadores possam fazer pode influenciar mais o rumo do jogo do que os próprios jogadores. São eles quem decide dentro de campo; são eles quem executam; quanto ao treinador... bem resta-lhe tentar organizar os artistas, fazê-los trabalhar da forma mais correcta para que desenvolvam a sua arte.

Local: Estádio do Dragão 
Jogo: Portugal-Dinamarca, Apuramento para o Campeonato Europeu de 2012
Resultado: 3-1 

Mais do que um jogo e 3 pontos (míseros se pensarmos que valem tanto contra a Dinamarca como contra Malta), o que deve ser ressalvado é o ponto de viragem mental.
Depois do conturbado mundial e de tudo que o sucedeu- não que não seja importante, mas porque é tão, e desculpem o termo, "ridículo", que nem vou perder o meu tempo a relembrar- após o mesmo, tornava-se essencial, mais do que ganhar o jogo ganhar uma equipa. 

O empate contra Malta e derrota contra Noruega, foram a "machadada" final num "projecto", e talvez, se é que faz sentido falar desta forma, iniciar um novo ciclo como muitos gostam de dizer. 

A resposta a esta vitória é tão portuguesa quanto tudo o que a precede: de uma selecção totalmente desacreditada, uma geração "problemática", que "não merece o que ganha", tudo muda.
Mais do que ganhar o jogo a selecção conquista o seu público, devolve a esperança, tem um novo treinador- como nós portugueses somos felizes ao ver um novo treinador suceder a um outro, seja lá quem for, não importa, é novo e é melhor porque o anterior já "não prestava", apesar de à bem pouco tempo este mesmo ter passado pela mesma situação e ser na altura "o melhor", hipocrisia pura, contra mim falo (!!!)- de repente está ... tudo bem ! E ainda bem !

Mas como prefiro de falar de futebol ao nível da relva, vamos lá ao que importa:

Mais do que ganhar o jogo, Portugal ganha uma equipa, motivação e uma nova atitude.
Olhando para o onze nacional, é possível identificar aquilo que será a "espinha-dorsal" da nossa selecção para os próximos tempos: 

Eduardo, volta ás boas exibições, não é um prodígio, mas dá à equipa a confiança que ela necessita; seguro e mentalmente fortíssimo, pauta-se pela mentalidade trabalhadora, o melhor-guarda redes português na actualidade.
No banco, Patrício afigura-se como a grande esperança para o futuro, é jovem, tem pelo menos mais 15 anos de futebol ao mais alto nível pela frente e muito para evoluir; Beto aparece neste momento como 2ª opção. Temos ainda o "suplente de alto rendimento" Hilário, e Daniel Fernandes, titular no Panathinaikos depois da presença do mundial, jovem com boa margem para progredir.

Na lateral direita um dilema: João Pereira cometeu vários erros no jogo contra a Dinamarca, foi talvez a exibição menos conseguida do lado português... deixa alguma reticências. Sílvio está a evoluir bem, esperemos para ver, tem ainda do seu lado o facto de poder ser opção para a esquerda.
Há ainda Nelson (Osasuna) ou M. Lopes (Bétis) como soluções de recurso.
As dúvidas devem ficar desfeitas com o regresso de Bosingwa, lesionado desta parte à muito tempo, sem dúvida um jogador de Top.

No eixo da defesa as opções são muitas e de grande qualidade. Pepe e Ricardo Carvalho formam a nova dupla de centrais do Real Madrid, Bruno Alves espreita uma oportunidade para se intrometer. Depois Rolando, Carriço ou Ricardo Costa (títular no Valência).

Na esquerda, Coentrão foi a grande "notícia" para a selecção, aponta para se tornar um jogador de Top, de grande europeu. Como segundas hipóteses Antunes, Peixoto ou Emídio Rafael.. todos eles sem nível por enquanto para aquilo a que Portugal se propõe.

No meio campo a grande questão: tendo em conta o 4x3x3 como formação ídeal, tendo em conta as características dos nossos jogadores o problema será como os conciliar. Vendo o jogo com a Dinamarca, dois jogadores mostram que têm de ser indiscutíveis: Moutinho e Raul Meireles.
No caso do primeiro, parece estar no Porto a explodir para um nível superior, jogando como interior, equilibra a equipa nas transições; Meireles aparece no "primeiro" jogo da era Paulo Bento como pivô-defensivo, no Liverpool aparece como 10, á frente de Gerrard e Poulsen, mas onde parece render mais é como interior... seja como for deve ser titular. 
Depois existem os "outros": Pedro Mendes, o melhor pivô-defensivo português na actualidade, M.Veloso, pode aparecer como lateral-esquerdo, como pivô poderia ser o pendulo de uma forma de jogar diferente, não defende tão bem como Mendes, mas tem características raras que fazem dele um "regista" recuado, veremos se explode em Itália; Manuel Fernandes aparece muito bem neste inicio de época em Espanha; para a posição de Deco, como organizador sobretudo do processo ofensivo, Carlos Martins e Rubén Micael parecem os melhor colocados, resta ver como vão "crescer" esta época; Tiago surge como uma opção interessante mas nunca com as mesmas características de Deco, um interior mais forte nas transições ofensivas. Ainda alguns nomes a não esquecer: Paulo Machado, Rúben Amorim, Maniche, Castro, Vítor Gomes, André Santos.... 

No ataque muita qualidade para as faixas: Com Nani e Ronaldo na "pole", Varela, Danny, Quaresma.... e à atenção de Paulo Bento, Ukra, Bebé, Vieirinha, Djálo, Targino, João Ribeiro, João Aurélio, Salomão... 

No eixo de ataque mais dúvidas: Liedson surge mal neste iníco de época; Hugo Almeida revela dificuldades, fugindo um pouco à lógica da forma como joga a selecção, mais forte fisicamente, jogador de área; depois uma panóplia de opções de qualidade "dúvidosa": Postiga, Makukula ou o "desaparecido" Váz Tê. E ainda uma série de promessas... Orlando Sá, Yazalde ou João Silva.

By Tiago Santos

ERRATA: O jogador cabo-verdiano referenciado é interncional A pelo seu país e por isso mesmo não é passível de ser seleccionado. Fica o reparo e pedido de desculpa.
08
Out10

Voleibol à Sexta

Minuto Zero
Era uma vez quatro…

Já são conhecidos os quatro semifinalistas do Campeonato do Mundo de Voleibol: Brasil, Cuba, Itália e Sérvia venceram todos os encontros dos respectivos grupos e estão ainda na luta pelo título. Cabe-nos agora, mais do que relatar o percurso de cada uma destas selecções, focar alguns pontos de cada equipa e analisar as potenciais vencedoras.
Brasil: o eterno candidato, a selecção detentora do título e que, apesar um percurso atribulado e marcado por polémicas – não podemos esquecer o jogo em que o Brasil perdeu frente à Bulgária, por 3-0, e que Giba considerou “uma mancha negra na carreira” – chega a esta fase final com enormes hipóteses de revalidar o título. Apesar destas hipóteses, o Brasil já não é a equipa todo-poderosa que foi em tempos: actualmente os grandes responsáveis pelo sucesso desta formação são o central Rodrigão (segundo melhor blocador do campeonato), o ponta Murilo (no top dos receptores, atacantes e pontuadores), o distribuidor Bruno, que continua em grande forma e o libero, J. Bravo. Se é verdade que quatro jogadores excelentes com o resto de uma equipa forte podem ganhar um campeonato, não o é menos que se todas as opções de Bernardinho estivessem ao mais alto nível, o Brasil teria o mundial “no papo”.
Cuba: a jovem equipa sensação apostou forte neste Campeonato do Mundo. Apesar de chegar aqui com esforço, é uma selecção que tem um lugar merecido na luta pelos lugares cimeiros da classificação mundial. Numa equipa em que o melhor pontuador, Leon, tem apenas 17 anos e cuja média de idades não ultrapassa em muito os 20 anos, é o capitão Simon a personificação da experiência que tem levado Cuba por bons caminhos numa rota em que alcançou vitórias importantes – como não referir a surpreendente vitória por 3-2 sobre o Brasil? As mais-valias desta formação são sem dúvida a juventude aliada à experiência e, ao mesmo tempo, a força de vontade, a paixão pelo voleibol e a vontade de aprender e fazer história. No fim de contas, não seria para mim surpreendente que estes jovens conseguissem conquistar o título.
Itália: uma selecção experiente que não surpreende ao chegar a esta fase final. Desde os anos 70 que se tem mantido no topo dentro da modalidade – e, atrevo-me a dizer, em quase todas as modalidades desportivas – tendo, nos últimos 20 anos, alcançado um palmarés invejável. A formação italiana deu várias provas da sua qualidade, entre elas a vitória esmagadora por 3-1 sobre a França, na quarta-feira passada. Consistência é a chave dos “azurros”, que têm em Fei e Savani os melhores pontuadores; Mastrangelo, um dos centrais, é o terceiro melhor blocador do campeonato, Vermiglio é considerado o segundo melhor passador e Marra está também no top, na secção de liberos.
Sérvia: esta equipa tem vindo a demonstrar o seu valor ao longo do tempo e, desde 2000 (na altura, Sérvia e Montenegro), tem-se mantido numa confortável posição de topo – muitas vezes caindo apenas perante o gigante Brasil. É uma equipa que aposta forte no side-out, privilegiando o ataque forte e sem hipótese para o adversário; conta, para isso, com N. Grbic, distribuidor de grande qualidade e que permite uma potência ao ataque que é sem dúvida uma das mais-valias que permitiu à selecção sérvia chegar a este ponto da competição. Miljkovic continua a ser uma referência máxima do voleibol sérvio – é dos sobreviventes da equipa sensação de que faziam parte, por exemplo, Vujevic, Geric e Mešter e continua a ser o melhor pontuador da selecção (sexto melhor do campeonato). Apesar de, à partida, o voleibol espectáculo que pratica não ser garantia de um bom resultado final, não se pode descartar a hipótese daquilo que eu consideraria ser uma surpresa: a vitória da Sérvia neste Campeonato do Mundo de Voleibol.
As meias-finais serão disputadas no sábado, dia 9 de Outubro, com o seguinte programa: Cuba vs. Sérvia e Brasil vs. Itália.

by Sarah Pires Saint-Maxent
07
Out10

Steve Field

Minuto Zero
                          Tecnologias no Futebol

Hoje em dia, qualquer resultado negativo é justificado pela má prestação da equipa de arbitragem, algo que na minha óptica só serve para aliviar pressão, já que os árbitros raramente têm influência num resultado. Em vez de se discutir futebol, o que realmente interessa, discute-se cada vez mais se o árbitro esteve bem, se teve influência no resultado, etc.

Porém, este facto não se deve apenas às pessoas tendenciosas que pretendem justificar os maus resultados do seu clube. Para mim, grande parte deste problema deve-se aos meios de comunicação e aos canais televisivos que emitem os jogos. Se em vez de existir programas televisivos com grande percentagem de minutos da emissão destinados a analisar os casos de um jogo (como na TVI) ou se não houvesse tanta repetição dos lances passíveis de gerar discussão, como acontece em Itália, por exemplo, talvez não se tinha gerado este vício tão lamentável.

Apesar de julgar que errar é humano e, como tal, os árbitros, tal como os jogadores ou os treinadores, também podem errar, sou a favor que se atenue esses erros que acredito, ou quero acreditar, que sejam involuntários. Como? Através da implementação de auxílios para os árbitros. Esses auxílios podem passar por diversos meios: para mim, dos que se têm vindo a discutir, há uns que se podiam adequar, tais como a implementação de chips nas bolas (desde que não prejudique a sua qualidade) para saber quando estas ultrapassam a linha de baliza ou o aumento do número de árbitros, desde que atenuem os erros, o que não se tem vindo a verificar.

Quanto ao vídeo, sistema bastante discutido e que é utilizado noutros desportos, como no ténis através do Olho de Falcão, julgo que não se adequa ao futebol, que não é (ou não deve ser) um desporto de paragens. Ao utilizar-se o vídeo o jogo pára constantemente pois teria de se analisar cada fora de jogo ou cada falta importante. Poderia utilizar-se sim, mas em casos onde a bola sai fora para não travar um possível ataque adversário e desde que não se interrompesse o jogo por muitos segundos, cabendo ao quarto árbitro a visualização.

Em suma, digo sim às tecnologias desde que melhorem e não prejudiquem o futebol e o espectáculo, aumentem a verdade desportiva e reduzam a mania dos fanáticos em culpar o árbitro por tudo. No entanto julgo que se a preocupação fosse apenas o futebol jogado, este tema não teria tanta importância, daí o facto de achar que a maior preocupação deve ser a de incutir princípios à sociedade e não de tentar contornar os seus vícios.