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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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03
Dez10

Futebol Italiano... o fabuloso mundo dos trequartistas

Minuto Zero
Eternamente rejeitado por muitos e adorado por outros. Para ver um jogo do Calcio é preciso quase um manual de instruções.
Foi lá que nasceu o cinico catenaccio, muito por culpa do fanatismo em volta da modalidade. Em Itália perder um jogo significa muitas vezes uma semana de pesar para os tiffosi, sedentos de títulos. O culto do "resultadismo" se assim lhe pudemos chamar levou o futebol italiano por caminhos que nem sempre coincidem com a imagem de beautiful game
A verdade é que, a tendência para sistemas defensivos, ou melhor, equipas que preferem controlar o jogo em vez do o dominar em posse, aproveitando sobretudo o erro do adversário, deu espaço para um fenómeno que coloca um estilo específico de jogador num estatuto quase divino: os trequartista.
Seja ele um 10 à moda antiga, que transporta desde o meio-campo até a grande área adversária, seja como 9,5, nas costas de um ponta-de-lança, seja como médio ofensivo centro, figura que nos dias que correm vai fazendo esquecer os velho 10... por vezes 8 e meio outras um 10 com espaços de ocupação bem mais curtos do que antigamente.
Nessa lógica surgem ainda uma outra cambiante de trequartista: o regista recuado, na sua expressão máxima a figura de Andrea Pirlo. Começou a carreira com 10, mas faltava-lhe sobretudo a capacidade de drible. No Milan com Ancelloti, baixou para a posição 6, redefinindo-a. Tornou-se pivô-defensivo, que orienta o sentido de jogo a partir da sua capacidade de passe, com os seus fieis guardas Gatusso e Ambrosini a garantirem capacidade de recuperação.
Hoje em dia a figura de trequartista aparece com novos nomes associados. Com problemas de renovação geracional, o futebol italiano vive ainda muito da recordação dos campeões do Mundo de 2006, e de toda uma geração pós-Baggio: Nesta, Zambrotta, Pirlo, Gatusso, Perrotta, Cannavarro, mas sobretudo as figuras paradigmaticas de Totti e Del Piero. Um e outro deixam a ideia de que podiam ter sido bola de ouro, não fosse o seu amor incontestável a Roma e Juventus, que, em determinados momentos da sua carreira, lhes retiraram expressão internacional. Com o 10 nas costas, vivem hoje em espaços mais curtos, fruto da menor capacidade física. Nunca foram no entanto 10 com Baggio, mas sim 9,5 nas costas de um outro avançado. No entanto a magia dos 10 do passado, de Riva e Baggio, estava lhe nas botas. Mas o futebol muda constantemente, e por isso deixa de se falar nos míticos 10.
Hoje, vivem em Itália outros magos. Desde Sneijer no Inter, o velhinho Seedorf, Ronaldinho a espaços lá vai tentado fazer esquecer a magia assombrosa de Kaká que ainda ecoa nas parede de San Siro. Nos outros, os não grandes, as fíguras de Pastore e Hernanes vão se afigurando como figuras para o futuro. Um vive como pivô no meio campo, um 8 em torno do qual gira todo o jogo da surpreedente Lazio. Na Cicila o talento de Pastore encanta os loucos adeptos do Palermo. Alto e esguio, não é muito agil nem sequer rápido, mas trata a bola de uma forma superior, fazendo lembrar os médios sul-americanos dos anos 70. Com bola sabe quando acelerar e quando travar. Já joga na selecção argentina, vamos ver se será o próximo grande trequartista do calcio.

fonte: gazzetta dello spor


By Tiago Luís Santos