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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

26
Fev11

Porque ao Sábado se destaca...

Colaborador Minuto Zero
O enorme gosto de que a minha equipa saiba jogar mal





Na passada quinta-feira o Steve fez referência à forma como as estatísticas podem ser ilusórias. Na minha perspectiva pactuo totalmente com essa ideia, porque no fundo as estatísticas são relativas.
Elas dizem-nos alguma coisa somente quando as enraizamos no contexto global do jogo.
No Sporting-Benfica para além da posse da bola, dos remates, dos passes o Benfica falhou recuperou menos bolas e teve menos percentagem de passes correctos. Do ponto de vista artístico o Benfica não fez uma boa exibição, as grandes jogadas de recorte técnico quase ímpar na Europa (tirando os colossos) quase não se viram. Aliás um senhor, sim chamo-lhe senhor e não jogador, Aimar nem sequer jogou. E aos 31 anos continua num nível absolutamente espectacular e tem pormenores que me fazem pensar como certos jogadores jogam em grandes clubes europeus e ele não, apesar da idade. A aceleração, os rompimentos diagonais a capacidade de último passe não foram necessárias para romper a teia sportinguista. Porque com uma construção sólida e uma largura fortíssima nos últimos 30 metros Gaitán e Salvio mostraram que uma equipa a jogar sem extremos puros, ganha uma maior rotatividade posicional e um correspondente preenchimento dos espaços mais rápidos e sobretudo com maior possibilidade de surpreender o adversário. Talvez por isso o Benfica apareça com muitos homens dentro da área adversária e tenha nascido assim num movimento praticamente atípico no futebol português o golo de Salvio.
O Benfica controlou o jogo, o Sporting espalhou-se bem no campo deu largura e soube construir na primeira e segunda fase, na terceira, faltavam ideias, faltava sobretudo sincronização entre os movimentos de ruptura.
O Benfica fechou a casa, jogou no contra-ataque, Javi Garcia foi pau para toda a obra e tapou todos os buracos. O Benfica recuperava a bola, muitas vezes não tinha soluções e perdia a bola. Salvio e Gaitán tiveram apenas 33% de eficácia no passe e foram dos melhores em campo. Sobretudo porque mostravam agressividade, pureza técnica e incisão. Predicados mais que suficientes para resolver o jogo. Cardozo deu mais do que trabalho a Torsiglieri e Polga permitindo aos colegas apareceram na área, em 24 passes só acertou 8. Isto são estatísticas. Polga em 34 passes falhou 10, mas todos eles impediram a construção de boas jogadas ofensivas do Sporting logo na sua fase embrionária. O Benfica sobe jogar futebol sobe respeitar-se a si, ao Sporting e ao jogo. Dar a bola ao adversário, arriscar e perder a bola só quando tinha cobertura e defender, defender, defender. Com critério, rigidez táctica e agressividade circunstancial. Perdia bolas mas não abria buracos. Na quinta-feira em Estugarda voltou a acelerar nos últimos 30 metros com o espectacular futebol que nos evidenciou em circunstâncias pretéritas. O Benfica não joga melhor contra o Guimarães do que jogou contra o Sporting. O Barcelona actual não é mais equipa que a Grécia em 2004. Esta é a minha filosofia de vida, esta é a minha filosofia do desporto. Mais do que saber jogar espectacular é preciso saber jogar mal, saber abdicar da construção de jogo, jogar bem defensivamente e matar o jogo na hora certa. Não é uma perspectiva calculista é uma perspectiva realista.
E sim claro leitor não pense que não sou apaixonado pela técnica. Mas sim gosto de ver a técnica, a velocidade e a agilidade em espaços curtos e no desbloqueio de situações complexas. Não tenho palas que dizem que o golo de Maradona em 86 foi o melhor de todos os tempos, quando na verdade ele fintava um adversário e depois, depois não havia cobertura, mais 10 metros de progressão mais um adversário batido. Talvez por isso não tenha tido mais de 5 anos de fama. Mas só talvez. E sim identifico-me mais com o Porto actual que ganha jogos por 1-0, 2-0 e adormece o jogo e faltas e mais faltas do que certos jogos do meu clube em que ganha mas sofre dois golos, mesmo marcando 4 ou 5. Porque ganhar 1-0 será eternamente melhor do que ganhar 2-1,3-2, 4-3. E não é só basquetebol que os ataques resolvem jogos e as defesas campeonatos.

By João Perfeito

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