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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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22
Out10

Voleibol à Sexta

Minuto Zero
 Agora, que sou pequena, quero jogar voleibol

Chego atrasada: o CF Belenenses está a perder 8-10 no primeiro set. Apesar do CD Ribeirense ser favorito, tenho esperanças que seja um bom jogo, minimamente equilibrado. Na verdade, não foi equilibrado, mas não deixou de ter bons momentos de voleibol: uma hora bem passada.
O Belenenses ressente-se, claramente, da pressão que é estar na A1, a divisão principal do voleibol português: a qualidade técnica e táctica oscila tremendamente ao longo da partida, falta consistência a esta equipa.
Sempre fui da opinião (radical?) que só acima do Tejo e nas ilhas se joga voleibol em Portugal e nunca deixei de invejar quem teve formação no Norte do país. Praticamente não há, pelas bandas de Lisboa, equipas de formação “desligadas” de colégios privados. E as equipas seniores, claro, não podem não ressentir-se do facto: ou se ficam por divisões menores do voleibol, ou, como é caso do SL Benfica (não esqueçamos que apenas têm equipa masculina) fazem contratações a jogadores do Norte ou internacionais. O Belenenses fica algures no meio: sofre, sobretudo, pelo facto de ser um clube não profissional, em que as atletas jogam por “amor à camisola”.
Parece-me impensável, e um erro crasso de promoção da modalidade, que a única equipa que representa Lisboa ao mais alto nível da modalidade o faça com jogadoras que recebem como única recompensa jogar: não deixa de ser louvável que o façam, não deixa de ser até uma recompensa de grande valor, mas não chega.
E não chega porque acabamos por assistir a espectáculos como o de domingo, com uma vantagem tão clara para uma das formações que mesmo essa se deixa abater pelo ritmo de jogo e não dá tudo o que tem (os parciais acabaram por ser 15-25, 17-25, 10-25).
Acredito que alguém que leia o que aqui escrevo note uma certa dimensão pessoal no que é dito, e admito-o. Uma questão que sempre me tocou muito pessoalmente dentro da modalidade (não sei se já repararam, sou fã) é precisamente essa falta de tradição desportiva que por aqui há: quando eu quis jogar tive que me infiltrar numa equipa escolar.
É verdade que agora as coisas estão um bocadinho melhores: o SL Benfica, juntamente com o Lusófona VC, tem equipas que começam nos minis e seguem até seniores, masculinos e femininos, respectivamente. Também o CF Belenenses tem apostado nos escalões de formação e começa já a ter equipas (sempre femininas) de infantis; o CVLisboa (masculino) segue uma rota semelhante. Apesar disso, falta divulgação. Falta que haja equipas promovidas junto das escolas, que as próprias escolas públicas criem actividades de desporto escolar e federado abertas a todos os potenciais atletas.
Não nos esqueçamos que muitos dos que são actualmente bons atletas começaram por acaso: e hoje não é possível uma criança começar “por acaso” – até o chegar até uma das equipas exige, na maioria dos casos, um esforço que apenas se torna possível se o atleta já tiver a cabeça “cheia de vontade” de jogar voleibol.
by Sarah Pires Saint-Maxent

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