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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

06
Abr12

3x4x3: Notas europeias

Minuto Zero

 

Em Londres, na passada quarta-feira, o Benfica de Jorge Jesus jogava mais do que uma histórica passagem às meias-finais da Champions o estatuto europeu do seu projecto. Pedia-se aos encarnados uma exibição inteligente, percebendo que o Chelsea iria entregar a posse ao Benfica explorando o contra-ataque.

Mais do que posse, o que o Benfica precisava era de facto qualidade na forma como deveria entender os momentos do jogo: ora acelerando em posse, ora mantendo-se organizado mesmo com bola, procurando não dar espaço na zona entre os centrais o meio-campo com Matic e Witsel.

O penalty a favor do Chelsea e expulsão de Maxi viriam no entanto complicar uma exibição até então de qualidade, com oportunidades e sagacidade, fazendo perceber claramente que a diferença de qualidade entre as equipas estava longe de ser gritante.

O primeiro grande erro dos encarnados, tem que ver com um problema de atitude competitiva: num jogo fora, num jogo de quartos de final da Champions, num jogo em aberto e com possibilidades de prolongamento reais, discutir decisões arbitrais dá normalmente azo a cartões desnecessários, que se reflectem depois no desenrolar do jogo. Foi sobretudo por isso que Jesus viu a equipa reduzida a 10 no final da primeira parte, e foi obrigado a perceber que de facto, valia mais pensar no jogo de segunda próxima com o Sporting, do que propriamente obrigar os jogadores a um desgaste inglório.

Com a expulsão de Maxi, a eliminatória mudou. No segundo tempo, as entradas de Djaló e Nelsón Oliveira, deram outro gás a uma equipa desgastada, reavivando o sonho com o golo tardio de Javi.

Fica a atitude colectiva, mesmo depois do treinador à muito ter baixado os braços (embora se perceba porque). Qual o pensamento de Jesus no balneário pós-jogo? Certamente reconheceu que de facto, o grupo de jogadores que tem a seu cargo tem potencial para chegar longe na Europa e ser campeão. Perdeu a eliminatória mas ganhou uma equipa com outro espírito competitivo. Até mesmo Cardozo e Gaitan, dispensados do jogo na segunda parte, devem ter saido de Standford Bridge com ganas para ganhar o próximo jogo.

 

Antes, na terça, o jogo mais interessante desta segunda-mão: em Camp Nou, Barcelona e Milan voltavam a encontrar-se, depois de um jogo azarado para a equipa culé em Milão onde saiu sem marcar.

Mais um vez, Guardiola entrou com o "seu" 3x4x3, com Dani Alves como ala na primeira parte, fazendo todo o corredor direito, aparecendo no meio campo Xavi, Iniesta, Cesc e Messi em combinações pelo espaço central, com Cuenca a fixar o lateral contrário junto da faixa esquerda.

Não foi uma exibição brilhante, aliás, antes do penalty de Nesta, a equipa culé parecia de facto com dificuldades para evitar as investidas rossoneri sobretudo com Ibraimovic baixava para procurar a bola.

Com 3 defesas apenas, e sem Abidal do lado esquerdo, Puyol aparecia claramente como o elo mais fraco, dando demasiado espaço para entradas de Robinho e Nocerino vindo de trás.

Com o 2-1, o Milan quebrou. Na segunda parte, já com Daniel Alves fixado a lateral-direito numa defesa a 4, Cuenca passou para o lado direito, deixando Iniesta do lado contrário. A troca de Xavi por Thiago, e de Keita por Cesc, dariam ao Barcelona rotação suficiente para controlar a partida até final, criando sempre várias oportunidades, frente a um Milan extenuado.

Em suma, penso que o Barcelona teve a sorte do seu lado no 2-1, caso contrário o Milan puderia ter causado mais problemas. Mesmo sem esse golo, com os reajustes de Guardiola depois dos primeiros 45 minutos, ficou claro que o Barcelona está num outro patamar onde o Milan de Allegri dificilmente chega neste momento.

 

By Tiago Luís Santos