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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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Minuto Zero

01
Fev11

Em Frente

Minuto Zero
Quem conhece Peyroteo?

                No futebol português vai-se rapidamente dos oito aos oitenta. Actualmente a selecção nacional é reconhecida mundialmente como nunca o tinha sido. Nas últimas duas décadas, brindámos ao mundo com talentos como Luís Figo e Cristiano Ronaldo. Tivemos equipas de excelência como o caso do Futebol Clube do Porto de Mourinho. E, claro, campanhas únicas da selecção como a do Euro’04 e Mundial’06. No entanto, segundo a lógica da maioria o futebol português resume-se a estes tempos e a Eusébio nos anos 60. E o resto? Conhecem Peyroteo?
                Confesso que me faz bastante confusão o tratamento que tal assunto obtém junto da comunicação social e dos próprios portugueses. Eusébio tem o reconhecimento devido, nem tão pouco eu cairia no ridículo de pelos dados da sua carreira não o considerar um dos melhores jogadores que vestiu a camisola das quinas. No entanto, como é o meu caso, também todos aqueles que afirmam sem qualquer dúvida se tratar do melhor jogador nacional de sempre, terão no máximo assistido (e em gravação) a umas cinco exibições da figura em conta. Não critico, mas coloco em causa. E, mais uma vez, não o faço por não acreditar que por ventura até seja o melhor, mas não o sei. É o que me é vendido todos os dias na comunicação social, parecendo que antes do jogador encarnado não havia futebol em Portugal e que só até bem pouco tempo atrás é que voltou a existir. E o resto? Conhecem Peyroteo?
Fonte: BigSoccer

                Temos vários grandes nomes muitas vezes remetidos para um segundo plano no nosso futebol. Todos sabem quem é Eusébio, não é preciso estar sempre a recordar. Para um maior engrandecimento da modalidade em Portugal é triste não se lembrar antes mais vezes os heróis de Viena, a equipa do Benfica que alcançou a final europeia de 1988 em Estugarda, a equipa leonina que em 1974 em vésperas de revolução portuguesa caiu aos pés do Magdeburg na Taça das Taças e que contava com um excelente grupo (que aliás, conquistou a dobradinha em Portugal). E, claro, os primeiros tetracampeões nacionais, que em oito campeonatos venceram por sete vezes, contanto entre 1946 e 1949 com a mais bela sinfonia de cinco violinos únicos do futebol português.
                Eusébio, mais uma vez, foi alvo de homenagem a semana passada. Em contrapartida, estes vão sendo esquecidos ao longo dos tempos. Sabem quem é Peyroteo? Pois bem, é o maior goleador da história do futebol nacional. Nunca o vi a jogar, mas apoio-me em dados, tantas vezes lembrados para recordar uns, tantas vezes omitidos e negados para elevar outros. Não o digo a quente, apenas analiso. Em 432 jogos, 694 golos, em 20 internacionalizações, 14 tentos (melhor média na selecção). Seis vezes o melhor marcador do campeonato nacional, a melhor média de golos num campeonato a nível mundial (mais de 1,6 golos por jogo). Recorde de golos num só jogo na nossa liga (nove contra o Leça), de golos consecutivos num só encontro (cinco ao Guimarães), e é ainda o jogador que mais golos marcou ao Benfica (64 em 55 jogos) e ao Porto (33 em 32 jogos).
                E como Peyroteo há muitos mais, sejam do Sporting, do Benfica, do Porto, ou do Belenenses como é o caso de Matateu. O nosso futebol é único, é vasto, não tentem diminuir quando não é justo fazê-lo. Façam galas! Mas, se não estiver a pedir muito, variem. Não tem e não deve ser sempre sobre os mesmos. Quem leu esta crónica, já sabe um pouco mais sobre um dos melhores (para mim, não há um melhor, isso é parvo e acaba por desvalorizar outros tão bons como tal). E o resto? Podiam dar-nos umas luzes, em vez de vangloriar os mesmos de sempre.

Saudações Leoninas,
by Jorge Sousa
                 

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