Domingo, 1 de Janeiro de 2012
Área de Ensaio

O Adeus das Estrelas

 

 

 

 

     O ano que 2011 que ainda agora acabou, trouxe infelizmente o final de carreira de alguns dos mais marcantes jogadores da última década.

     Regularmente os jogadores aproveitam o final das grandes competições para se retirarem da vida internacional, e o Campeonato do Mundo de 2011 não foi excepção.

     O adeus mais sentido é sem dúvida o de Jonny Wilkinson. O médio de abertura inglês, que é neste momento o segundo melhor marcador de pontos a nivel internacional, decidiu deixar a "selecção da rosa" e dedicar-se exclusivamente ao seu clube.

Wilkinson, um dos maiores responsáveis pelo título mundial que a Inglaterra conquistou em 2003, graças a um fantástico pontapé na final contra a Austrália, não resistiu às inúmeras lesões. Na memória dos adeptos da modalidade ficarão para sempre os pontapés de Wilkinson, fosse na selecção, nos Newcastle Falcons ou no Toulon. Depois de 91 jogos pela sua selecção, um dos mais míticos jogadores de sempre decidiu abandonar.

     Outra lenda que decidiu por um ponto final à sua carreira internacional foi o ponta galês Shane Williams. Williams foi sem dúvida um dos maiores finalizadores de sempre, vindo na senda dos grandes defesas galeses, Williams distinguia-se mais pela apetência a atacar, onde as suas fintas de corpo desconcertavam os adversários, do que a defender. Na festa de despedida a Williams, a Austrália deslocou-se a Gales, e Shane Williams aproveitou para até no seu último jogo pela selecção deixar a sua marca com mais um ensaio.

     Ainda a nivel europeu merecem destaque a despedida dos palcos internacionais de homens como o defesa escocês Chris Paterson (109 internacionalizações e 809 pontos), o pilar irlandês John Hayes (que não foi convocado para o RWC).

     As selecções do Hemisfério Sul também ficaram "orfãs" de alguns jogadores emblemáticos.

     A África do Sul perdeu recentemente dois dos mais famosos jogadores do país, vencedores do Campeonato do Mundo de 2007. O talonador John Smit e o segunda-linha Victor Matfield. Smit já há algum tempo que vinha perdendo espaço para Bismarck du Plessis, e nos últimos tempos foi, por diversas vezes obrigado a jogar a pilar, face às exibições de du Plessis a talonador. De qualquer forma Smit acaba a sua carreira com 111 jogos pelos Springboks.

     O caso de Matfield é diferente, pois a titularidade nunca foi um problema. Durante o RWC 2011, Matfield foi um dos que mais jogou, mas os 34 anos já não permitem a Matfield apresentar a mesma forma de antigamente. Ficarão na memória as grandes exibições, onde juntamente com Bakkies Botha formou uma das melhores segundas-linhas do mundo.

     A Nova Zelândia também viu partir alguns dos seus jogadores. Mills Muliaina decidiu abandonar os campeões do mundo. Durante a competição, uma lesão no ombro, retirou-lhe espaço na equipa, e Mills optou o abandono definitivo. Para a história ficam as 100 internacionalizaões de Mills.

     Também Brad Thorn, aos 36 anos optou pela retirada, embora esta já estivesse anunciada desde o inicío do Campeonato do Mundo.

     Outros jogadores decidiram este ano que o melhor seria deixar as novas gerações tomar os lugares nas suas selecções. O facto de grandes jogadores optarem por se retirar não retira qualquer brilhantismo ao desporto, pois os seus lugares parecem estar assegurados a curto/médio prazo por jovens de imensa qualidade.

 


By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 18:03
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1 a zero:
De Pedro Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 17:13
João, normalmente um jogador de futebol retira-se primeiro da selecção e apenas mais tarde deixa de jogar futebol. O Giggs não joga na selecção desde 2007, o Rui Costa deixou a selecção em 2004, mas jogou futebol ainda mais 3/4 anos. O Zidane, é verdade jogou na selecção até ao fim da carreira.

O Wilkinson não acabou a carreira, apenas deixou a selecção. Ele continua a jogar no seu clube, os franceses do Toulon.

eu sinceramente acho que ele fez bem em deixar a selecção. ele teve 8 anos em grande na selecção, mas teve o seu tempo, agora deve dá-lo a outros. Existem outros jogadores em melhor forma e com qualidade que se calhar merecem mais que ele, e ele nao pode ser convocado apenas pelo seu passado.

a verdade é que ele não é o jogador de 2003, nem sequer o de 2007. para quê andar a jogar 10/15 minutos em jogos internacionais quando já não tem claramente pernas para tal exigência?

Claro que depois também interessa a mentalidade do jogador. por exemplo o Os du Randt (pilar sul africano) jogou até nos springboks até aos 35/36 e sempre ao mais alto nível. Foi campeão do Mundo em 1995 e 2007 e jogava numa posição de mais desgaste físico. Tinha era uma mentalidade que lhe permitia isso mesmo.

Tanto uma decisão como outra são compreensíveis, depende muito de caso para caso. às vezes um atleta de 29/30 anos já é "velho" demais e outro de 36/37 ainda está para durar.


De João Perfeito a 2 de Janeiro de 2012 às 20:07
Mas para mim o país é que deve de dizer se deve ou não continuar e não o contrário.

Para mim se um jogador com 17 anos tem qualidade para jogar deve jogar, se com 38 tem deve de jogar na mesma.

Mas é o que tu dizes tem a ver com a mentalidade ou às vezes com o desgaste.

O El Guerouj (recorista mundial dos 1500 metros) acabou a carreira aos 30 anos, depois de ter ganho tudo... Esteve 8 anos praticamente invencível e estava farto de treinar- uma vida dedicada ao massacre do corpo.

Dormir 12 horas por dia e treinar 2 horas e meia de manhã e duas à tarde não deve ser fácil...





De Pedro Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 22:43
eu discordo de que deve ser o país a dizer se um jogador deve ser seleccionado ou não. acho que devem dar a convocatória e o jogador deve ter o direito de escolher se vai ou não. até porque representar o nosso país deve ser sempre um orgulho e nunca uma obrigação.

por isso acredito que se um atleta toma uma decisão destas não é por simplesmente não crer jogar mais. há sempre muito a influenciar.

e existem mais exemplos de atletas que se retiraram jovens. ás vezes é incapacidade física ou psicológica, é já ter ganho tudo, não conseguir lidar com a pressão de jogar ao mais alto nível e infelizmente quem perde é o desporto. no caso do Wilkinson podemos continuar a vê-lo no clube


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