1 a zero:
De João Perfeito a 2 de Janeiro de 2012 às 15:11
Não percebo quase nada de rugby...
Mas já conheço o Jonny Wilkinson desde 2003. Conta-se pelos dedos duma mão os jogadores estrangeiros que conheço e por isso como é óbvio só conheço mesmo os mais famosos. Como aquelas pessoas que só conhecem Messi ou Ronaldo no futebol.
Mas acho estranho um jogador que a sua função é bater livres ou penalidades ou como se chama no rugby, reformar-se na selecção aos 32 anos...
Acho que a idade não tem muita influência na forma como pode alterar a qualidade de execução dos pontapés. Se agora o Zidane regressasse ao futebol acho que continuava a não falhar penaltys...
Não será mais uma questão psicológica que física? Se ele dissesse para ele mesmo que seria capaz, não nos conseguia maravilhar mais uns anos com os seus fabulosos pontapés?


De Pedro Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 15:34
boa tarde joão. no caso do wilkinson a questão tem tanto de psicológica como de física.
o wilkinson foi, nos últimos 15 anos o jogador mais famoso do hemisfério norte, sobretudo pelos seus pontapés, e pela famosa posição que ele inventou antes de chutar (joelhos flectidos e mãos juntas). a Inglaterra beneficiou muito deste fantástico jogador que tanto contribui para a conquista do titulo mundial em 2003. Contudo, desde 2009/2010 que wilkinson não se conseguia impôr como titular na selecção, porque um jovem talentoso chamado Toby Flood, lhe "roubou" a posição. Flood é sem dúvida menos forte (para não dizer mais fraco, um internacional inglês nunca pode ser um jogador fraco em nenhum aspecto do jogo) a chutar, mas bem melhor no jogo à mão e a procurar o espaço vazio para "furar" e ganhar metros. Wilkinson decerto percebeu que já não seria mais titular e saiu assim pela "porta grande". além disto, Wilkinson foi durante muitos anos o melhor marcador a nivel internacional, mas devido a não ser titular na sua selecção, viu o neozelandês Dan Carter ultrapassá-lo no número de pontos marcados. e isso também deve ter contribuído para o afastamento de wilkinson, que percebeu que já não poderia ultrapassar Carter.
e depois a vertente fisica. Wilkinso há muito que vinha apresentando problemas nos joelhos. e um jogador de rugby raramente permanece a jogar a nivel internacional depois dos 33/34 anos.


De Tiago Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 15:53
já eram muitas batalhas... grande jogador



De Pedro Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 16:07
é sem dúvida o segundo jogador mais famoso de sempre. a seguir ao Lomu, quase todos conhecem o Wilkinson. para mim é o melhor nr. 10 de sempre. superior ao Carter por exemplo


De João Perfeito a 2 de Janeiro de 2012 às 16:30
Pois é como no futebol... Um jogador atingiu o top e prefere sair em grande. Como o Zidane aos 34 anos. Mas nem precisamos de falar de casos estrangeiros, o Rui Costa aos 32 na selecção (continuando a jogar mais 4).

Apesar de tudo sou contra esta maneira de estar no desporto. Na minha opinião temos que ser exigente connosco mesmos e ainda para mais num desporto colectivo.

Giggs a caminho dos 40 anos apesar de não ser um Ronaldo ou um Messi continua a ser dos melhores executantes do Mundo e entre 2000 e 2003 estava no aude. Podia-se ter retirado aos 33 anos (em grande) por exemplo, mas deixava de ser o jogador que é hoje.

Por isso para mim quando me falam em Maradona- eu respondo- Ryan Giggs. Regularidade, 20 anos no mínimo a nível médio-alto- isto é que tem mais valor.

Só contra a efemeridade das estrelas e um jogador que em 20 anos brilha, mesmo nem sempre de forma cintilante é melhor do que outros que não tiveram mais de 8/10 anos anos de fama.

O Wilkinson certamente não poderia voltar aos tempos de outrora, mas podia ser um excelente suplente. Não podemos viver só nos momentos altos. E na minha opinião devia sempre caber ao país seleccionar um atleta e não o contrário.


De Pedro Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 17:13
João, normalmente um jogador de futebol retira-se primeiro da selecção e apenas mais tarde deixa de jogar futebol. O Giggs não joga na selecção desde 2007, o Rui Costa deixou a selecção em 2004, mas jogou futebol ainda mais 3/4 anos. O Zidane, é verdade jogou na selecção até ao fim da carreira.

O Wilkinson não acabou a carreira, apenas deixou a selecção. Ele continua a jogar no seu clube, os franceses do Toulon.

eu sinceramente acho que ele fez bem em deixar a selecção. ele teve 8 anos em grande na selecção, mas teve o seu tempo, agora deve dá-lo a outros. Existem outros jogadores em melhor forma e com qualidade que se calhar merecem mais que ele, e ele nao pode ser convocado apenas pelo seu passado.

a verdade é que ele não é o jogador de 2003, nem sequer o de 2007. para quê andar a jogar 10/15 minutos em jogos internacionais quando já não tem claramente pernas para tal exigência?

Claro que depois também interessa a mentalidade do jogador. por exemplo o Os du Randt (pilar sul africano) jogou até nos springboks até aos 35/36 e sempre ao mais alto nível. Foi campeão do Mundo em 1995 e 2007 e jogava numa posição de mais desgaste físico. Tinha era uma mentalidade que lhe permitia isso mesmo.

Tanto uma decisão como outra são compreensíveis, depende muito de caso para caso. às vezes um atleta de 29/30 anos já é "velho" demais e outro de 36/37 ainda está para durar.


De João Perfeito a 2 de Janeiro de 2012 às 20:07
Mas para mim o país é que deve de dizer se deve ou não continuar e não o contrário.

Para mim se um jogador com 17 anos tem qualidade para jogar deve jogar, se com 38 tem deve de jogar na mesma.

Mas é o que tu dizes tem a ver com a mentalidade ou às vezes com o desgaste.

O El Guerouj (recorista mundial dos 1500 metros) acabou a carreira aos 30 anos, depois de ter ganho tudo... Esteve 8 anos praticamente invencível e estava farto de treinar- uma vida dedicada ao massacre do corpo.

Dormir 12 horas por dia e treinar 2 horas e meia de manhã e duas à tarde não deve ser fácil...





De Pedro Santos a 2 de Janeiro de 2012 às 22:43
eu discordo de que deve ser o país a dizer se um jogador deve ser seleccionado ou não. acho que devem dar a convocatória e o jogador deve ter o direito de escolher se vai ou não. até porque representar o nosso país deve ser sempre um orgulho e nunca uma obrigação.

por isso acredito que se um atleta toma uma decisão destas não é por simplesmente não crer jogar mais. há sempre muito a influenciar.

e existem mais exemplos de atletas que se retiraram jovens. ás vezes é incapacidade física ou psicológica, é já ter ganho tudo, não conseguir lidar com a pressão de jogar ao mais alto nível e infelizmente quem perde é o desporto. no caso do Wilkinson podemos continuar a vê-lo no clube


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