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Minuto Zero

A Semana Desportiva, minuto a minuto!

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30
Dez11

3x4x3: Paradigma de Guardiola, o futebol é dos médios-centro

Minuto Zero

 

 

Num tempo em que parece que já tudo foi inventado, surge sempre algo de novo, fascinante e ainda mais impressionante. Também no futebol do século XXI as novidades ao nível da organização em campo de uma equipa de futebol de elite parece ser já um mundo totalmente descoberto... até que alguém põe tudo em causa.

 

Ao longo de várias décadas do passado século o futebol foi mudando lentamente, inspirado nos génios de treinadores que ousaram inventar algo novo. Foi assim com Rinus Michels, com Arrigo Sacchi, Herbbet Chapman entre tantos outros... mas será assim com Josep Guardiola e o seu Barcelona?

 

Quando o 4x3x3, que na realidade era talvez mais 2x3x2x3, das três primeiras temporadas de Guardiola parecia ter de facto poucas fragilidades, apoiado pela forma de jogar estilo "tiki-taka" só ao alcance de uma equipa de pequenos génios Guardiola procurou mudar algo mais.

 

Não retirou só um defesa, colocou mais um médio-centro, um upgrade táctico capaz de amplificar a capacidade de posse, mas também de agressividade no pressing defensivo. Guardiola com o seu sistema de 3 defesas, acrescentou em campo o regressado Cesc Fabregas, médio centro que se junta a Xavi e Iniesta, num meio-campo de sonho que a selecção espanhola nunca conseguiu conciliar. Em campo, dão a sensação de que são baixinhos na forma de jogar, sempre com bola junto à relva, passando um pouco por todo o relvado numa sucessiva troca de passes. Entre os médios, surge Messi, falso avançado, numa procura constante de bola e espaço para desequilibrar.

 

Frente ao Santos, na final do Mundial de Clubes, aproveitando a lesão de Villa na meia-final e de Aléxis Sanchez, Guardiola colocou Thiago Alcântara, mais um médio de zona central de raiz, sobre a esquerda. O hispano-brasileiro é provavelmente neste momento uma das coqueluches do futebol mundial, um jogador ainda mais dotado do ponto de vista do 1x1 do que Inesta, e com capacidade de passe e leitura de jogo semelhante à dos geniais colegas de sector.

 

Com Thiago em campo, Guardiola ganhou mais um baixinho genial no seu meio-campo, ganhou capacidade de retenção de bola, agressividade táctica pela zona central, tornou a equipa mais equilibrada e ainda mais imprevisível. A largura, essencial para contrariar equipas demasiado recuadas, é garantida por Daniel Alves, agora reciclado como ala puro, deixando as tarefas defensivas para Carles Puyol na faixa. Frente ao Santos foi extremo a atacar, ala sem bola.

 

Aléxis, Pedro, Cuenca e mesmo Tello e Deloufeu, são extremos puros, que excepto o primeiro, jogam todos eles dando largura à equipa, sendo opções para jogos frente a equipas mais fechadas. Aléxis é mais do que extremo puro neste momento, é um falso avançado que aparece bem por qualquer uma das faixas, mesmo a central. Tem finalização, 1x1 e espírito de sacrifício colectivo, ganha lugar como opção mais válida do grupo de avançados.

 

Mas que lugar terá David Villa no seu regresso nesta equipa? Nos últimos jogos o melhor marcador de sempre da selecção espanhola apareceu cada vez menos vezes como titular, e por consequência marcando cada vez menos golos. Um ponta-de-lança puro, que neste novo 3x7x0 ou 3x6x0 de Guardiola, jogaria demasiado longe do seu habitat natural, e com menos hipóteses de aplicar a sua melhor característica no jogo, o remate.

 

Deste ponto de vista, talvez a lesão de Villa tenha sido para Guardiola a hipótese de descolar cada vez mais em direcção ao seu futebol de médios centro, com Xavi, Iniesta, Fabregas, Thiago e Messi como jogadores paradigma.

Se esta forma de jogar e este sistema vão virar moda no futebol? Dificilmente, porque só é mesmo possível numa equipa superior como é esta, mas a verdade, é que o principio do bom futebol, apoiado no passe como gesto técnico mais importante pode fazer regressar o futebol espectáculo perdido nas ultimas décadas nos laboratórios tácticos do futebol moderno.

 

By Tiago Luís Santos

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