Terça-feira, 3 de Julho de 2012
Steve Field

Espanha volta a (con) vencer

 

Com vem sendo habitual, a Espanha voltou a vencer o Europeu de futebol. Entrou na história ao ser a primeira selecção a vencer três competições sem interrupção. Apesar de quem diz o contrário (vá-se lá saber porquê…) a Espanha é uma justa vencedora (como todos os que ganham). Para mim são a melhor selecção de sempre, pelo menos são a melhor equipa que vi jogar.
A Espanha (tal como o Barcelona, a base da selecção) tem características invulgares no futebol e de fazer inveja a qualquer um. Têm uma identidade muito bem definida, que é o essencial numa equipa. Jogam com um falso 9 que permite constante movimentação dos atletas (e mesmo sem avançado fixo aparecem sempre vários jogadores em zona de finalização), dão primazia à técnica que lhes permite manter a bola quase todo o encontro e, sobretudo, fazem um pressing asfixiante, recuperando a bola o mais rapidamente possível para voltar a iniciar o carrossel.
Todos estes factores levam ao inevitável para os adversários: um tremendo desgaste físico. Tanto Portugal no prolongamento e a Itália em todo o encontro estavam muito desgastados. A maioria relaciona isso com questões meramente físicas. Puro engano! Por melhores fisicamente que qualquer selecção se encontre, quando jogam com a Espanha têm de correr um jogo inteiro atrás da bola, que desgasta física e psicologicamente. Na equipa Espanha os jogadores têm pouco desgaste porque a bola é que corre, não são os atletas, ao contrário dos seus oponentes. Muitos consideram o futebol espanhol aborrecido. Será inveja? A mim, pelo menos, delicia-me ver a bola ser tão bem tratada, ver movimentações que são um hino ao futebol, ver um pressing tacticamente impecável.
Além disso, têm um conjunto invejável. Não são só 11 jogadores bons, são 23 e até muitos que não foram convocados têm imensa qualidade. Este é o azar de Portugal (fruto do mau planeamento dos clubes, que irá ter consequências negativas a curto prazo). Em Espanha trabalha-se bem, e a selecção ganha com isso.
Destaque ainda para Portugal que foi a única selecção que fez frente a esta equipa de outro mundo, apenas claudicando nos penaltis, onde o vencedor é sempre incerto. Portugal fez o que qualquer equipa tem de fazer contra a Espanha (mas é difícil, a Itália tentou e foi goleada): pressionar o portador da bola a partir do meio campo, fechando as linhas e partindo rápido em transições. Que grande estratégia de Paulo Bento, que por pouco não deu uma passagem à final, totalmente inesperada.
Pedro Proença apitou a final do euro, depois de ter apitado a final da Liga dos Campeões, um feito de louvar. Quer queiram quer não, também na arbitragem somos dos melhores do mundo. Pedro Proença apita melhor fora do que em Portugal? Em parte sim, mas porque em Portugal há muita pressão sobre os árbitros. Em Portugal qualquer derrota é culpa do árbitro, ninguém sabe ver a realidade nem assumir as culpas. é muito mais difícl apitar em Benfica-Porto do que uma final do euro. A arbitragem raramente influencia um resultado, só o futebol jogado dentro das quatro linhas influencia um resultado. Durante o euro, várias foram as teorias da conspiração contra esta selecção espanhola. A principal era que Platini queria ver a Espanha e a Alemanha na final. Foi uma declaração muito infeliz, é certo, mas teve repercussões exageradas. Platini apenas fez um palpite, um palpite que eu também tinha. A prova que estes palpites não têm peso e os que são melhores no campo é que ganham foi a eliminação na Alemanha, ou a ausência de Barcelona e Real Madrid na final da Liga dos Campeões. Quem está constantemente contra os árbitros e com estas teorias não consegue viver verdadeiramente o futebol. Quem vir o futebol como amante da modalidade e não como adepto passa a gostar mais de futebol, isso é certo. Temos de analisar o futebol, não analisar o extra futebol. Quando isto acontecer, tudo será melhor. Viva ao desporto rei!





publicado por Steve Grácio às 12:35
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
Steve Field

Euro 2012

 

Não tem sido um europeu fantástico, mas de modo geral tem proporcionado momentos de grande futebol, com poucas decepções.
Começando pelo grupo A, não se pode dizer que houve grandes surpresas, apesar de eliminação da Rússia, a selecção teoricamente mais forte. Após a goleada na ronda inaugural, muitos foram os ecos de contentamento com a equipa Russa, que se apresentava claramente como uma das melhores selecções da prova. Só que os pupilos de Dick Advocaat não confirmam o jogo inicial, não deixando, porém, de merecer elogios. A Rússia, comandados por Arshavin, um pequeno grande jogador, baseiam o seu futebol em fortes transições ofensivas, aproveitando a velocidade e qualidade dos seus médios, sobretudo de dzagoev. No entanto, sendo fracos na recuperação de bola, com pouca capacidade de pressão, a selecção russa acabou por claudicar quando menos se esperava. Além disso, a equipa russa está talhada para jogar em vantagem no marcador pela velocidade que imprime no jogo, e vendo-se em desvantagem nos dois jogos seguintes, o seu nível exibicional baixou, ficando a ideia que não consegue responder às adversidades, sobretudo pela falta de rotação que os seus médios dão aquando da desvantagem no marcador. É difícil de entender que uma das melhores equipas, sobretudo em termos técnicos, seja eliminada em fase tão prematura. A equipa anfitriã, a Polónia, foi eliminada sem qualquer vitória, e com níveis de exibição em decrescendo. Após um primeiro jogo razoável, com o grande jogador da equipa, o avançado Lewandowski bem servido, o treinador alterou o onze e saiu-se mal. Entrou para a primeira equipa o trinco Dudka, mas a sua incapacidade de iniciar a fase de construção prendeu a equipa, que aliada à deslocação do organizador Obraniak para a esquerda fez com que o avançado do Dortmund recebesse muito poucas bolas e a equipa ficou muito curta, sem capacidade nos últimos 30 metros. Pelo contrário, a República Checa foi em crescendo. Depois da goleada sofrida no primeiro jogo, o treinador mudou peças chaves na equipa, que resultou numa grande jogada de xadrez. Hubschamann entrou para equilibrar a equipa no miolo, libertando Jiracek, claramente o jogador em foco no conjunto, para a segunda linha do meio campo e adiantando Plasil para médio de transição. Além disso, o corredor direito passou a estar encarregue essencialmente do lateral Selassie, que dá grande profundidade à equipa na transição ofensiva. Resultado de tudo isto: primeiro lugar no grupo. Já a Grécia foi, provavelmente, a surpresa na primeira fase da prova. Com uma equipa bem inferior à de 2004 e com vários fantasmas dessa equipa, Fernando Santos conseguiu montar as estratégias adequadas à equipa que dispõe. Uns chamam cinismo ao futebol grego, eu chamo estratégia e inteligência. No futebol, o essencial é a vitória. Destaque, uma vez mais, para Karagounis.


No grupo B, o grupo da morte, o grupo de Portugal, não se pode dizer que tenha havido surpresas. A Alemanha passou tranquilamente com três vitórias e Portugal com duas, as duas selecções tacticamente mais evoluídas. Admito que apostava na Holanda como uma das melhores equipas da prova, mas a sua (in) capacidade táctica assusta. A Holanda é uma equipa que apenas tem em conta dois dos quatro momentos do jogo, a transição ofensiva e a organização ofensiva, que é óptimo, por exemplo, para equipas como Portugal, tão fortes na transição ofensiva e sempre com uma grande organização defensiva. Foram vários os ecos de euforia depois da exibição convincente da turma das quinas frente à Holanda, mas exagerados, sobretudo os dirigidos a Ronaldo. Portugal e o seu capitão fizeram um grande jogo, é certo, mas realço uma vez mais a incapacidade da Holanda. Não tirando o mérito a ninguém, esta Holanda é provavelmente das selecções mais fracas a nível colectivo. Portugal jamais terá tantos espaços para imprimir velocidade daqui em diante, a principal arma de jogadores como Ronaldo. Destaque ainda para a Dinamarca que, sendo claramente a selecção mais fraca do grupo, se apresentou sempre bastante organizada defensivamente e esteve perto do apuramento.


No grupo C, passaram as duas selecções teoricamente mais fortes. A Espanha, campeã europeia e mundial em título, e a sempre forte Itália. No entanto, a Croácia revelou muito mais capacidade que os Transalpinos. Com uma equipa construída em redor do seu craque, Modric, que espalhou magia a cada toque na bola, a Croácia mostrou ser uma equipa bastante forte, com dedo de treinador. Bilic mostrou que é um grande treinador, sobretudo pela capacidade de resposta no jogo com a Itália. Destaque para Mandzukic, um ponta de lança para voos maiores que o Wolfsburgo. A Itália voltou ao sistema antigo de três centrais, e com a Espanha resultou em pleno. No entanto, é uma equipa que parece viver da inspiração dos seus grandes jogadores no momento ofensivo, o que a torna um pouco previsível na maioria do tempo. Destaque para Pirlo, o piano da equipa, que é o médio mais recuado. Um 6 construtor, como se deve ter hoje em dia. Já a Espanha, vive com problemas que todas as equipas gostariam de ter: em primeiro lugar, quer jogar à imagem do Barcelona, sem avançado, (quando já ganhou tudo de outro mudo) quando não tem nenhum Messi. Em segundo, joga em simultâneo com dois médios muito parecidos (Xabi Alonso e Xavi), abdicando do médio mais distinto (Fabregas) quando coloca um avançado em campo. Já não é a Espanha sedutora, mas continua a principal candidata ao título. Por último, a Irlanda, claramente a selecção mais fraca deste europeu, com um treinador que respeito imenso, mas que está ultrapassado. Prova disso é o seu sistema, construído apenas com três linhas. É uma equipa sem chama, que foi passear a este europeu.


Por último, no grupo D, a surpresa foi a França não ser líder. Para mim, a seguir à Espanha e à Alemanha, é a melhor selecção deste europeu. Joga no modelo de jogo que mais gosto no futebol (isto, claro, excluindo o da Espanha e do Barcelona que não estão ao alcance de todos), com uma grande organização defensiva e com transições rápidas, quase sempre apoiadas, nunca se descompensando. Laurent Blanc percebeu a sua equipa e montou muito bem as suas peças. Com um duplo pivot sempre em rotação, com alas rápidos, com um 10 criativo e com o ponta de lança mais inteligente do europeu (as suas movimentações são um regalo. Mesmo quando não marca, tem influência nos golos), a França apresenta-se com uma selecção renovada e forte, depois dos fracassos anteriores. Já a Inglaterra, admito que dava pouco por ela mas venceu o grupo. Baseia o seu futebol numa pressão asfixiante ao portador da bola e numa grande organização defensiva. Em termos ofensivos, o seu futebol é previsível, directo e lento, dependendo da criatividade dos seus jogadores. Com Rooney, que só pôde jogar na última partida, a equipa melhorou porque ficou com mais linhas, ficou com um elo de ligação que, sem Rooney, não existia. A Ucrânia, equipa anfitriã, e a Suécia revelaram ser conjuntos bastante interessantes, que fizeram deste grupo o mais equilibrado, quando nada se previa.


Daqui para a frente, a magia e a emoção vão aumentar. Portugal terá de ter bastante atenção às transições ofensivas checas e terá um jogo bem mais difícil que o anterior. Contra a República Checa, Portugal terá dificuldade em fazer o que mais gosta: imprimir velocidade. Será um jogo bastante táctico, de risco, e acredito que, face às características das equipas, terá vantagem quem marcar primeiro. Se vencer os checos, Portugal defronta ou a Espanha ou a França, dois selecções muito fortes e sempre difíceis para Portugal.
Tirando a ausência da Rússia e da Croácia, os quartos de final terão os conjuntos mais fortes (a Holanda não era um conjunto), pelo que serão dias de elevado nível de futebol. Aposto, como sempre, na Espanha, mas terá de melhorar alguns aspectos (já referidos). Além da Espanha, a Alemanha tem revelando ser uma grande candidata, com o núcleo do Bayern a funcionar. Depois surge a França, a selecção que mais tenho gostado de ver. Com surpresa da minha parte, surge também a Inglaterra, que pode surpreender. Não considero nem Portugal nem Itália favoritos, mas são selecções com qualidade e podem surpreender. Até dia 1, a televisão é a minha melhor amiga. Viva o futebol!





publicado por Steve Grácio às 12:20
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Steve Field

O novo Sporting

 

Com a saída de Domingos Paciência, para mim um dos melhores treinadores portugueses e será, provavelmente, futuro campeão no Dragão, e com a entrada de Ricardo Sá Pinto, o Sporting pouco ou nada alterou em termos de resultados: continua no quinto posto, mas desta feita a um ponto do Marítimo, ao passo que com Domingos a equipa estava em igualdade pontual; na Liga Europa, o clube está à beira de se qualificar para as meias-finais, tendo o feito de eliminar o todo poderoso Manchester City. Não digo que Sá Pinto não tenha mérito, porque tem, mas reafirmo que o Sporting, em termos de resultados, pouco ou nada mudou.

Após a derrota em Setúbal na 21ª jornada, José Mota, técnico do Setúbal, afirmou que o novo Sporting era inferior ao de Domingos. Apesar de fã do ex-técnico bracarense, não estou totalmente de acordo com José Mota. Acredito que Sá Pinto não vá ter uma grande carreira de treinador, mas este novo Sporting é, no geral, superior, não só nos tão banalizados termos vontade, raça, crer (a equipa tem, de facto, mais alegria a jogar), mas sobretudo nos princípios de jogo. Enquanto o Sporting de Domingos, bem ao estilo do seu técnico, privilegiava a organização defensiva, com transições rápidas para o ataque, o Sporting de Sá Pinto privilegia o contacto com a bola, a transição mais lenta e apoiada, tal como o fazia nos juniores, como já o referi neste espaço.

Apesar desta diferença de princípios, vemos que o onze base é quase o mesmo. O que mudou então? Matias Fernandez. Com Sá Pinto, a equipa cresce em redor do chileno, ele é essencial para a organização ofensiva da equipa, sempre apoiada e em posse, e é essencial para o jogo entre-linhas, que é muito importante nas transições mais lentas e organizadas. Com Domingos, Matias tinha pouco espaço, pois numa equipa essencialmente de transições rapidas, com um meio-campo mais coeso e menos criativo, os tradicionais "nº10" tendem a desaparecer, já que o objectivo é chegar à baliza contrária o mais rápido possível para apanhar o adversário descompensado, com pouca posse de bola, pelo que o fundamental são as bolas em profundidade colocadas pelos médios e não o jogo apoiado.

Assim, Matias Fernandez tem revelado todo o seu (enorme) potencial com Sá Pinto. Pelo contrário, num onze base tipo, Elias ou Schaars serão relegados para o banco neste novo Sporting. Filosofias diferentes, por norma, pedem jogadores diferentes, como prova esta mudança de técnicos em Alvalade.



publicado por Steve Grácio às 13:37
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Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Steve Field

Rio Ave: Fidelidade aos princípios

No passado sábado, como habitual, desloquei-me ao estádio da Marinha Grande para ver o Leiria. O adversário foi o Rio Ave, uma das belas equipas do nosso campeonato. Provavelente, é a melhor equipa das que têm objectivos inferiores, a par da Académica.

Além disso, em cada jogo estão bem vincados os princípios de jogo da equipa, quer joguem com uma equipa "do seu campeonato", quer joguem contra uma equipa com objectivos superiores. Vemos que o Rio Ave, muito bem orientado por Carlos Brito, dos grandes treinadores do nosso futebol, em cada jogo está sempre muito bem organizado, com as linhas muito juntas no momento defensivo (tem um meio-campo muito compacto, sem o tradicional "10", com o triângulo em 1x2 para ganhar consistência defensiva), aproveitando as recuperações de bola para lançar rápido o ataque, quase sempre apoiado, com bastante profundida pelos extremos (sempre bem abertos) e pelos laterais.

Assim, vemos que o Rio Ave não se importa de não ter a bola. No entanto, sempre que possível tenta ter posse, mas sempre com a intenção de demorar o menor tempo possível a chegar à baliza contrária. O futebol da equipa tem temporização rápida, talvez devido às caracterísitcas dos jogadores, sobretudo dos extremos. Em termos individuais, destaco o trio do meio campo (Bruno China, Vitor Gomes e Tarantini), sempre bastante coeso mas, porém, com pouca criatividade. O lateral direito, Sony, dá bastante profundida à equipa no momento da transição, ao passo que Tiago Pinto é mais posicional (para mim seria um bom suplente do Coentrão no Europeu). Os extremos são, provavelmente, a arma mais perigosa da equipa. Yazalde e, sobretudo, Atsu, jogam a velocidades alucinantes. Atsu, jogador emprestado pelo Porto, é um jovem muito promissor, com lugar no plantel portista. Um jogador a seguir a par e passo.

O que mais admiro nesta equipa, como já referi, é manter os seus princípios de jogo em qualquer encontro. Além disso, esse modelo de jogo persiste quer a equipa vá vencendo quer não. Hoje ocupa o 10º lugar, mas quanto estava na cauda da tabela jogava igual. Assim, perdeu em Leiria mas convenceu e uma coisa é certa: no próximo encontro veremos o mesmo Rio Ave, sempre bastante personalizado. Um exemplo a seguir pela maioria das equipas.



publicado por Steve Grácio às 22:49
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
Steve Field

  E o líder perdeu

O inevitável aconteceu: já não existem equipas invictas na primeira liga. O Benfica caiu aos pés do Guimarães, que entra definitivamente na luta por um lugar europeu, mesmo apesar de todos os problemas económicos.

Foi um regalo para quem gosta de futebol ver este Guimarães bater o Benfica. Não fez uma exibição de encher o olho e, por isso, não encantou os adeptos que gostam de espectáculo e futebol ofensivo. No entanto, encantou os fãs da táctica, da disciplina, como eu. A equipa do Vitória esteve perfeita neste campo, anulando por completo o Benfica que, segundo o seu treinador, nunca seria parado em termos ofensivos.

O Guimarães anulou a fase de construção do Benfica, com uma pressão alta, que chegou a sufocar os encarnados. Houve alturas em que chegaram a estar três jogadores na bola. O mais incrível é que ainda conseguiram sair com perigo na transição, mesmo com muitos jogadores a atacar a bola, o que não é normal numa equipa que estava tão bem organizada defensivamente. Mérito para Rui Vitória que soube explorar as debilidades do Benfica, que se expõem quando se encontra em desvantagem.

Obviamente que apesar de todo o mérito vimaranense, Jorge Jesus voltou a mostrar que não é "o mestre da táctica", pelo menos quando está em desvantagem. Não nego a sua qualidade, que está bem vincada, mas Jorge Jesus não sabe contornar uma desvantagem no marcador. Dá ideia que não está preparado para estar a perder, prova disso foi as duas substiuições perto do final do encontro, que não tiveram tempo para marcar a diferença. Os melhores treinadores vêem-se nos momentos críticos, pelo que devem estar preparados para todas as eventualidades.

No entanto, volto a reafirmar a justiça da vitória do Guimarães que a jogar assim alcança o lugar europeu. Que venham mais Guimarães, que o futebol português bem precisa.

 

 



publicado por Steve Grácio às 08:49
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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
Steve Field

Há futebol em África

Não foi uma CAN de encher o olho, mas houve bons momentos de futebol nesta última Taça das Nações Africanas. Algumas decepções, como o Senegal, Marrocos ou até mesmo Angola (muito fraca no momento defensivo) e um vencedor surpreendente, para quem não acompanhou a prova: a Zâmbia.

No entanto, apesar da (merecida) vitória da Zâmbia, esperava-se mais da Costa do Marfim. Com uma equipa recheada de estrelas, provavelmente a melhor em termos individuais do continente africano, e com uma organização defensiva notável (não sofreram qualquer golo) a equipa cedo se mostrou muito curta, com alguma bola mas com pouca profundidade, não causando grande perigo. Na final, raram foram as situações de perigo, numa equipa que vive de Yaya Touré, um dos melhores médios da actualidade.

Por sua vez, a Zâmbia fez o que admiro numa equipa (quando não se consegue ser um Barcelona): muito organizados defensivamente e rápidas transições, sempre com 3/4 homens no momento ofensivo, sem descompensar a equipa. É certo que foram felizes, pois Drogba falhou um penalty que provavelmente ditaria o vencedor, mas não é mais certo que procuraram essa felicidade e a vitória final é inteiramente justa. Uma equipa que poucos acreditavam mas que bateu o pé ao Senegal, ao Gana e à Costa do Marfim. Uma equipa que tem jogadores muito interessantes, como os irmãos Katongo e Kalaba, que podem perfeitamente vir a dar que falar. Uma equipa comandada por um excelente técnico, o francês Hervé Renard, que montou um conjunto muito bem organizado, privilegiando sempre o talento africano e que se pode dizer que fez omeletes sem ovos, passe o exagero. A organização, uma vez mais, triunfou. O (bom) trabalho dá frutos.




publicado por Steve Grácio às 00:32
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Steve Field

A organização Italiana

Foi com enorme prazer que, na passada quarta-feira, me desloquei ao Municipal de Leiria, agora abandonado, para assistir a um jogo de juniores entre o Sporting e o Inter de Milão, que apurava uma equipa para a final four da NextGen Series, uma espécie de Liga dos Campeões do escalão júnior.

Desde o primeiro momento do jogo que o Sporting pegou na bola e fê-la circular entre todos os seus elementos. A equipa de Sá Pinto privilegia a bola, assente no esquema 1x4x3x3, com 1x2 no meio-campo. A bola é a única preocupação dos jogadores, que retira ao adversário grandes possibilidades de atacar. No entanto, apenas teve uma oportunidade durante todo o encontro, pois todas as investidas embatiam na muralha Italiana. Assim, a esmagadora percentagem de posse de bola de pouco valeu, já que a bola é útil se for bem usada (veja-se o caso do Barcelona).

O Inter, raramente tocando na bola, parecendo em algumas vezes não querer saber do jogo, é uma equipa tipicamente Italiana: não se preocupa em jogar atrás da linha da bola todo o encontro. Ocupa os espaços na perfeição, bascula, são tacticamente perfeitos.

Este encontro de juniores revelou a aposta ganha dos clubes na formação. Isto é, com algumas diferenças de talento é certo, a diferença entre as equipas e os seus seniores não é significativa. O modelo de jogo é o mesmo, que revela a preocupação em formar. Tal como os seniores, os juniores do Sporting procuram a bola, os do Inter procuram a organização defensiva.

Destaque na equipa leonina para Esgaio, um lateral muito promissor, Agostinho Cá, um trinco interessante, Carlos Mané, um extremo muito rápido e para João Mário, médio e capitão de equipa, por onde passa cada ataque, que se fala ir para Liverpool na próxima temporada.

Sou fã do modelo Italiano. Mesmo gostando de ter a bola, a organização é fundamental e, como se viu na quarta, ganha jogos. O inter segue para a final four, mas os leões ganharam uma geração, pela qualidade do plantel e pelo modelo imposto na equipa. Ganhar não é tudo na formação

 

Nota: Que grande Australia Open! dos melhores torneios que assisti. E uma final memorável entre dois grandes campeões que elevam o desporto para outra categoria.

Além disso, destaque para a boa CAN que se tem assistido, no qual tentarei falar assim que puder.



publicado por Steve Grácio às 14:06
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
Steve Field

 Sporting, a lacuna intermédia

Com o maior investimento dos últimos anos, a equipa de Alvalade encontra-se, no final da primeira volta, praticamente arredada da luta pelo título. Aconteça o que acontecer nas taças, só a Liga Europa poderá salvar a época. Com um dos melhores treinadores portugueses e um bom plantel, um dos principais problemas da equipa prende-se com a zona de construção.

O Sporting quando inicia o seu jogo a partir da linha defensiva usa, preferencialmente, o passe longo, quando não consegue sair pelas laterais. Assim, construção do jogo do Sporting fica previsível, pois os adversários sabem que a bola quando está nos centrais vai procurar, na maioria das vezes, Wolfswinkel. Ou seja, o Sporting abdica de um dos sectores na sua fase de construção, o meio campo, o cérebro de qualquer equipa. Isto ocorre muito por culpa dos médios da equipa que, embora grandes jogadores, não tem características para o que o Sporting precisa: o Sporting precisa de pelo menos um jogador que recue e pense o jogo. Comparando com os seus rivais, observamos que o Benfica tem em Witsel e, sobretudo, Aimar essa tarefa (o argentino, apesar de ser o médio mais avançado recua muitas vezes para a zona dos centrais e de Javi) e observamos Moutinho ou Defour no Porto a pegar no jogo da equipa.

Deste modo, julgo que a derrota em Braga não se deve só a um meio campo destemido, com Schaars, Elias e Matias, mas também a esta lacuna na equipa. Com uma profundidade nas alas acima da média, o Sporting crescerá quando alguém recuar e organizar o jogo, ao invés de abusar do passe longo.



publicado por Steve Grácio às 21:27
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
Steve Field

          City 2-3 Manchester

Quem assistiu, no passado Domingo, ao derby de Manchester para a taça de Inglaterra certamente que ficou deliciado. Frente-a-frente as duas melhores equipas inglesas e duas das melhores equipas do mundo, além de serem clubes rivais. Que mais se pode desejar?

Contrariando a expectativa inicial de domínio dos blues, o Manchester pressionou os rivais desde sempre, com um bloco muito alto que sufocou a saída de bola dos pupilos de Mancini. Assim, o City não conseguiu sair a jogar na sua linha defensiva, como bem gosta e necessita, devido à pressão alta de Rooney, Welbeck, Nani e Valencia, sobretudo. Foi, então, com naturalidade que o Manchester se colocou em vantagem com um grande golo de Rooney, depois de uma jogada do mesmo, que fez o que bem sabe: recuar e pegar no jogo.

Com a expulsão 2 minutos depois do 1-0, a vida complicou-se ainda mais para o City. Ao intervalo, 3-0 para o United, e muitos mais podiam ter sido. Os blues de Manchester estavam não se encontravam. Foi, então, que entrou em cena a genialidade de Mancini: leu o jogo, modificou as peças e entrou uma equipa bem diferente no segundo tempo. Mesmo a jogar com 10, o City soube organizar-se na perfeição. As entradas de Zabaleta e Zavic resultaram em cheio e, a partir de então, a equipa nunca mais tremeu. A filosofia passou a ser defender num bloco muito baixo, encurtando espaços em relação à bola para depois lançar em profundidade o talento de Aguero que, sozinho, destruiu a defensiva do Manchester.

Mancini provou que a escola dos treinadores latinos é a melhor do mundo. A noção táctica que teve do encontro foi ao nível dos melhores, e nunca fui seu grande fã. A escola Anglo-Saxónica, pelo contrário, ainda tem uma percepção táctica do jogo insuficiente, sobretudo para encontros deste grau de importância. Mancini perdeu, é certo, mas ganhou um plantel e ganhou definitivamente a confiança dos adeptos. Fazer o que o City fez no segundo tempo, com 10 e a perder 3-0 com o grande rival, está ao nível dos melhores.

No final, vitória do Manchester United mas o City provou que já não é só bons jogadores. O City já é uma grande equipa. Se Tem capacidade para ser melhor? tem, é tudo uma questão de tempo.



publicado por Steve Grácio às 23:37
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
Steve Field

 Special Too

Já aqui o expressei, sou fã de Villas Boas. No entanto, a época do Chelsea tem sido para esquecer: 4º lugar na liga a 11 pontos do 1º; eliminação na Taça da Liga. Na Liga dos Campeões cumpriu os mínimos - com muita dificuldade é certo - o apuramento para a próxima fase. Será que, afinal, o "Special Too" já não é bom? Ou será o seu plantel muito inferior aos seus rivais?

Bem, não me parece nenhuma das hipóteses. De facto, o City é a melhor equipa da prova e uma das melhores da Europa mas o Chelsea tem equipa para lutar "taco-a-taco" com os Blues de Manchester, 11 pontos é um exagero. Mas, no entanto, isso não reflete a qualidade de Villas Boas.

Os equilíbrios defensivos têm sido o calcanhar de Aquiles da equipa. A equipa não defende mal como dizem, apenas se descompensa em momentos chaves do jogo. Não, não perde a concentração como por aí dizem. Afinal, o que é a concentração no futebol? A concentração refere-se ao posicionamento táctico da equipa. Podemos, então, dizer que a equipa perde a noção táctica do jogo em certos momentos, ao invés de dizer que os jogadores se desconcentram e perdem bolas, como o senso comum tende a dizer.

David Luiz e Terry não formam uma dupla temível como o jogador Inglês formava com Ricardo Carvalho. Aliás, é evidente a falta de coordenação entre os dois. Oriol Romeu, um dos melhores pivot defensivos do mundo, tem tido dificuldades em equilibrar a equipa nos momentos de transição, e este talvez seja o grande problema. A equipa cria muitas e boas oportunidades de golo - grande dinâmica ofensiva, com grande profundidade nas alas, sobretudo por parte dos extremos - mas quando perde em bola tem dificuldades em recuperá-la. A zona de pressão tem falhado. Ramires tem sido fundamental em atenuar estas fragilidades, mas tanto Lampard (onde anda o melhor jogador do mundo de há uns anos?) como Romeu não a recuperam, por exemplo, como Moutinho e Guarin o faziam de modo tão eficaz.

Assim, este Chelsea melhor trabalhado (sem grandes necessidades de reforços, estas desculpas é atirar areia para os olhos) poderá competir com os seus rivais. Reafirmo a qualidade deste treinador. Não é melhor que o mestre Mourinho, mas é um caso sério. Ou já se esqueceram da época anterior?



publicado por Steve Grácio às 01:41
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