Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Vírgula: O caso Ruben Amorim

 

A notícia do possível empréstimo de Ruben Amorim, veiculada na semana passada, assustou-me. Pela utilidade que o médio tem para o Benfica, o empréstimo pareceu-me descabido. Teria de haver uma razão muito forte, que os adeptos desconhecessem, para o jogador mudar de clube. O motivo apareceu: foi acusado de indisciplina e tem um processo disciplinar às costas. Estranho.

 

O facto de o número 5 dos encarnados não ter muitos minutos não mostra que o Benfica deva prescindir dele. Com tanta qualidade no miolo, com jogadores como Javi Garcia e Witsel ou Aimar, a chegada à titularidade é tarefa muito difícil. Contudo, Ruben Amorim, apesar de não costumar jogar na sua posição de raiz (médio centro), tem cumprido quando é chamado. E destaca-se pela sua polivalência.

 

Em Setembro, no Benfica vs. Manchester United, a contar para a primeira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, Jesus surpreendeu e colocou Ruben Amorim a titular. Fez um jogo francamente mau e acabou por ser substituído. Não gostei da atitude do treinador: o médio não jogava há muito tempo - vinha de uma lesão - e foi lançado a titular logo num jogo com tanta importância. Os nervos e a falta de ritmo decidiram a sua exibição.

 

De resto, a sua inteligência e qualidade táctica permitiram-lhe, por exemplo, fazer as vezes de Maxi Pereira durante a época passada, quando o lateral-direito esteve lesionado. Permitem-lhe também que quando entra a meio de um jogo para a posição de médio interior direito consiga rapidamente entrar no ritmo de jogo e o saiba gerir. Sabe guardar a bola, é exímio no passe e tem um óptimo posicionamento.

 

Jorge Jesus trouxe-o para o Benfica por ser um jogador da sua confiança. E, apesar dos poucos minutos em campo, sempre se mostrou um bom profissional, respeitador das decisões do técnico benfiquista. Mostrou-se descontente por jogar pouco, aquando da sua última convocatória para a Selecção Nacional, mas fê-lo de forma educada e não entrou em ruptura com o treinador. Aparentemente.

 

O incidente que aconteceu no final do jogo contra o Rio Ave e só agora se tornou público levanta algumas dúvidas, e não me parece razoável decidir quem tem razão. Ficam apenas algumas perguntas: Por que é que o Benfica nunca consegue afastar estes casos – que fragilizam o balneário - da imprensa?; Os anos que Jorge Jesus e Rubem Amorim já trabalharam juntos não impediram que o caso tomasse estas proporções?; Será que Ruben Amorim está a forçar a saída porque se apercebeu que nestas condições não tem lugar na comitiva para o EURO’12?

 

Vieira pareceu-me sensato em segurar o jogador. É discreto, passa ao lado dos flashes pelo seu estilo de jogo pouco exuberante (que os adeptos mais desatentos não captam) mas traz coesão à equipa e é uma aposta segura. Compreendo que queira jogar. Como benfiquista que sou, gostaria de o ver festejar, com a camisola suada, o 33.º campeonato  do clube. Proponho que haja uma mediação, que o treinador seja sensível e lhe dê mais tempo de jogo, apesar do excelente meio campo de que dispõe. Agora, é urgente acabar com esta suspensão, que em nada beneficia o jogador e a instituição.



publicado por Pedro Pereira às 09:00
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