Quarta-feira, 21 de Março de 2012
As três medalhas

 

 

 

 

 

 Em ano olímpico as palavras ouro, prata e bronze ganham uma importância significativa, são os lugares de topo onde apenas um trio de predestinados consegue chegar, e se o ouro é o paraíso, os outros dois "metais" também são algo emocionante que jamais será esquecido.

 

 Nesta liga portuguesa a importância está reduzida apenas ao posto mais alto do pódio, apesar do 2º e 3º lugar garantirem objectivos importantes, nem Porto, nem Benfica, nem Braga se vão contentar com tão pouco - mesmo que os minhotos não adoptem no seu discurso oficial a sua candidatura ao título. Já não falta muito para acabar e é fabuloso estar em pleno mês de Março e vermos um campeonato ao rubro com esta luta tripartida - a última vez que me lembro de coisa parecida foi na temporada de 2004/05 onde o Benfica de Trapattoni se sagrou campeão.

 

 A diferença pontual é mínima e ainda há jogos entre os concorrentes, pelo que todos têm grandes e legítimas aspirações de sonhar com o troféu. Os minhotos apesar de relutância em assumir grandes voos já pensam nitidamente na glória, e fazem muito bem! Sem a Europa para "atrapalhar" vão ganhando tranquilamente todas as semanas, e mostram um conjunto de jogadores de grande qualidade que já provou estar preparado para altas andanças, aguentaram-se em fases da época cujas lesões dizimaram o plantel, e o seu treinador mesmo que jovem tem mostrado saber muito bem o que faz.

 

 Os encarnados são a equipa mais forte, o seu poderio ofensivo é enorme, as soluções de qualidade são mais que muitas e a consistência defensiva mostra-se sobejamente melhor que nas épocas anteriores. A vantagem de 5 pontos desperdiçada foi um tiro no estômago mas a equipa é demasiado forte para ficar presa a essa fatalidade, contudo os jogos na Champions intercalados com desafios contra Braga e Sporting poderão ser um handicap a penalizar os homens de Jesus.

 

 Pelos lados da invicta mora o outro pretendente, é verdade que o F.C.Porto está uma sombra do que foi no ano passado, mas só por ser o Porto já é razão suficiente para não se duvidar da capacidade vitoriosa da equipa, quer jogue bem ou mal a dinâmica ganhadora do emblema é fantástica, e se é factual que a máquina tem emperrado várias vezes esta temporada, também é factual que que tem Hulk, Moutinho ou Lucho é sempre um alvo a temer por parte dos adversários.

 

  Nesta crise o BCE a Comissão Europeia e o FMI vieram "governar" o país de forma homogénea, nesta liga a troika de concorrentes governará de forma heterogénea.



publicado por nunotexas às 20:00
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
Futmania: Benfica versão 2011/2012

 

 

 

 

Após o interregno do um ano os adeptos encarnados vêm outra vez o título como algo real, desta vez a participação na Liga Europa é substituída pela participação na Champions, o que aumenta ainda mais o apetite futebolístico. Vitórias, golos, boas exibições, e primeiro lugar nas provas mais importantes, têm causado uma grande onda de entusiasmo no universo benfiquista; desde as declarações e conferências de imprensa que transpiram confiança, até às boas assistências dentro e fora de portas, é visível o positivismo que paira sobre o clube.

 

Vê-se um Benfica juntar o bom futebol à consistência defensiva (algo inédito no reinado de Jesus), a Luz tornou-se um verdadeiro inferno (com derrota quase certa para quem a visita) , e o estigma F.C.Porto (que tantos pesadelos causou na época passada) tem sido aos poucos ultrapassado.

 

Cumprindo a sua terceira época no clube, Jesus mostrar ter sabido tirar o melhor proveito da sua experiência nas duas épocas anteriores. Com duas temporadas globalmente positivas (para aquilo que vinha sendo a realidade classificatória e exibicional do clube) marcadas por exibições de grande nível, o emblema encarnado também teve os seus momentos menos bons (quem não se lembra do início da época passada?) onde choveram as críticas. Quero com isto dizer, que neste terceiro ano o técnico português tem aliado aquilo que a equipa tinha de melhor com a diminuição das fragilidades anteriormente mostradas.

 

Quais então as causas concretas deste salto qualitativo pelos lados da segunda circular? A resposta é simples e não exige grande reflexão: plantel com mais qualidade e uma maior elasticidade táctica.

 

As águias têm um conjunto de jogadores mais forte e diversificado que nas épocas passadas -é porventura o melhor plantel vermelho e branco desde que sigo atentamente a realidade futebolística. Apenas perderam Sálvio e Coentrão (este sim uma baixa de vulto) para ganharem Bruno César, Nolito, Witsel, Rodrigo, e Garay, entre outros como Matic e Emerson que apesar da menor importância não deixam de ser úteis à equipa. Conseguiram estabelecer um núcleo duro de treze indispensáveis que se vão revezando jogo a jogo, e o treinador português pode dar-se ao luxo de ter executantes como Bruno César, Nolito, Rodrigo ou até Cardozo e Aimar no banco, uma realidade inédita nas temporadas antecedentes.

 

No plano táctico esta abundância de opções dá os seus frutos, para além da qualidade dos intervenientes o Benfica tem beneficiado da sua diversidade, e se na grande maioria dos jogos era comum as águias jogarem com um losango no meio campo (umas vezes com os médios mais interiores, outras com os alas mais abertos), esta época já foram utilizados utilizados vários sistemas tácticos diferentes, desde a opção por apenas um ponta de lança, à coexistência de dois médios mais defensivos, ou à abdicação do criativo, Jesus já experimentou de tudo, e só o pôde fazer porque tem jogadores para isso. Neste contexto há que ressalvar um caso particular, o de Axel Witsel, este jovem médio tem sido fundamental na consistência táctica e defensiva apresentada pelos lisboetas, com ele em campo a equipa tem capacidade de apresentar diferentes disposições atacantes ganhando uma outra dimensão no equilíbrio do meio campo, é  ele o segredo do Benfica menos permissivo da era Jesus.

 

Todavia nem tudo são rosas, há uma grande diferença entre o rendimento dentro e fora de casa, sempre que o clube se desloca a algum lado as actuações tendem a ser sofridas (que o diga o Feirense) com poucos golos marcados, as opções que transbordam no ataque carecem na defesa onde a segunda linha não tem de longe a qualidade da primeira, e no lado esquerdo do sector defensivo Emerson na parece ser solução à altura do resto do onze.

 

Será interessante verificar, o estofo que o clube da Luz terá para aguentar a primeira posição, e é com grande expectativa que prevejo a participação benfiquista na Champions.

 

 

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publicado por nunotexas às 21:44
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
Futmania: Mourinho vs Barcelona

 

 

 Estamos de final de 2011, depois de um ano e meio em Madrid Mourinho comanda a melhor equipa desde que é treinador. É uma miragem ver este Real perder pontos, as goleadas têm-se tornado rotina semanal, e a equipa pratica um excelente futebol. Há no entanto um pequeno senão, para os lados de Barcelona existe um equipa de extraterrestres que atropela qualquer adversário, é daqueles conjuntos que já marcou o seu lugar na história, secundarizando completamente o emblema da capital (tanto em títulos como em confrontos directos).

 O Real Madrid ganha a todos e perde com o Barcelona, não há meio do "special one" inverter a tendência negativa. O último confronto foi um grande exemplo deste "complexo" de Mourinho contra os Blaugrana, depois de uma série imparável de 15 vitórias consecutivas e um golo marcado aos 30 segundos de jogo, o Real saiu vergando do Barnabéu por 1-3. Este jogo foi a confirmação de algo sobre o qual o português terá de reflectir: a táctica a utilizar nos jogos contra o grande rival.

 Exceptuando as partidas da Supertaça (que por serem no inicio da época são partidas diferentes) o técnico efectuou pelos madrilenos 6 encontros contra o rival histórico- 4 derrotas, 1 empate e 1 vitória é este o saldo. Vejamos agora qual forma como Mourinho optou por jogar nestes 6 jogos.


-Nos 5-0 o técnico ainda estava "verde" (era o seu primeiro grande clássico espanhol), decidiu jogar da mesma forma que vinha jogando contra as outras equipas, 4 homens de ataque e 2 centro-campistas a "aguentar" o jogo. Foram os 90 minutos mais penosos da carreira do português.

-Na segunda volta Mourinho reservou uma surpresa, tirou o criativo (Ozil) e subiu Pepe para trinco, com mais um homem de pressão no meio campo os Blancos estiveram mais seguros e realizaram uma boa partida (1-1).

-No encontro seguinte jogava-se a final da Taça do Rei, a estratégia foi a mesma da partida anterior, deu outra vez resultado e o Real ganhou o troféu (1-0).

-4º confronto, 1º mão da meia final da Champions no Barnabéu, o meio campo continuou composto por 3 homens e os madrilenos iam tranquilamente no terceiro clássico sem perder, até que o senhor Wolfgang Stark decidiu expulsar Pepe num lance inexistente. Com mais um os catalães não perdoaram e ganharam por 2 golos na casa do adversário.

-Para a 2º mão com Pepe castigado e a precisar da vitória o técnico voltou a apostar num criativo em vez do trinco, a partida esteve dividida mas o 1-1 final afastou os Merengues da final.

-Há 3 semanas veio o balde de água fria, vindo da série histórica de vitórias consecutivas o Real apresentou-se no Barnabéu como grande favorito, tal como na partida de há um ano a equipa entrou em campo bastante ofensiva com os 4 suspeitos do costume no ataque, não conseguiu controlar o meio campo catalão e acabou derrotada em casa.


 Moral da história, Mourinho tem de perceber que montou uma estratégia que funciona com 99.99% das equipas do globo, mas não funciona contra o Barcelona. Contra os Blaugrana toda a táctica e identidade de jogo têm de ser radicalmente alteradas, para conseguirem um encontro equilibrado os Merengues têm de jogar em contra-ataque (seja em casa ou fora), pois essa é a única maneira de controlar minimamente a posse de bola adversária e diminuir os espaços entre linhas da defesa e do meio campo.

 Os 3 jogos no qual Pepe foi utilizado a trinco, foram de longe os mais conseguidos. Com 3 homens no centro do campo Mourinho dá maior capacidade de pressão a esta zona, o luso-brasileiro preocupa-se exclusivamente em pressionar o portador da bola dando à equipa uma maior capacidade de recuperação da posse- apesar dos níveis de posse do Real continuarem bastante baixos, Pepe torna a posse de bola do Barcelona mais inconsequente. Alonso ganha liberdade para funções um pouco mais atacantes e é responsável por servir os 3 da frente, que com a velocidade e capacidade técnica conseguem decidir a partida de um momento para o outro.

 É feio jogar defensivo, é complicado subordinar-se ao maior rival, e é estranho um clube desta dimensão ter 8 jogadores atrás da linha do meio campo. mas só desta forma é possivel maximizar as possibilidades de sucesso contra uma equipa extratosférica.



publicado por nunotexas às 20:22
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