Segunda-feira, 16 de Julho de 2012
Livre Direto

Antevisão: Atletismo português nos Jogos Olímpicos

 


 

 

Os Jogos Olímpicos aproximam-se e já se começam a falar nas possibilidades de alguns atletas trazerem medalhas para o país. Com a não participação de Naide Gomes, Nélson Évora ou Francis Obikwelu as possibilidades de medalhas para Portugal ficam bastante reduzidas. Neste leque de atletas Francis Obikwelu iria aos Jogos apenas com o desejo de estar presente na final, pois lutar por alguma medalha já não estaria ao seu alcance. Deste modo, as esperanças lusas parecem recair sobre Telma Monteiro, no judo, que já demonstrou que não consegue lidar muito bem com a pressão de obter um bom resultado, através da sua última participação olímpica em Pequim 2008.

 

22 (13 do sexo feminino e 9 do sexo masculino) são os atletas que estarão presentes nas provas de atletismo representando Portugal, muitos deles com baixíssimas probabilidades de alcançar um lugar entre os 3 primeiros nas suas respetivas provas.

 

À partida são as mulheres que apresentam mais hipóteses de trazer uma medalha para Portugal, embora as possibilidades sejam algo reduzidas. Nos 20 km Marcha, temos uma tripla de atletas que lutará para estar presente entre as 8 melhores (Susana Feitor falhará aqueles que seriam os seus 6ºs Jogos Olímpicos). Vera Santos, Inês Henriques e Ana Cabecinha já provaram serem exclentes atletas nesta distância tornando Portugal como uma das potências europeias, a nível da marcha.

 

Na Maratona, teremos outra tripla de atletas de alto nível: Marisa Barros, Jéssica Augusto e Ana Dulce Félix (consagrada campeã europeia nos 10 000m nos Europeus deste ano). Jéssica Augusto é que apresenta melhor recorde pessoal das três e será, na minha opinião, aquela que mais hipóteses terá de lutar por uma medalha. Como se sabe a Maratona, devido intenso desgaste, nem sempre coroa aqueles que são os principais favoritos, por isso com uma boa preparação as maratonistas portuguesas poderão aspirar a um bom resultado final. 

 

Sara Moreira e Patrícia Mamona também poderão estar na luta por um lugar, embora as medalhas à partida sejam uma miragem. Sara Moreira terá como objetivo ser a melhor das europeias nos 5000m e nos 10 000m (caso opte por participar nas duas provas), devido, claro está, à forte concorrência africana vinda do Quénia e da Etiópia. Um lugar entre as 8 primeiras já será, de certeza, uma vitória. Já Patrícia Mamona também terá como objetivo estar entre as 8 primeiras. Contundo, a atleta já demonstrou que consegue proezas incríveis, mesmo quando não está no seu topo de forma (prova disso foi o 2º lugar obtido nos últimos europeus). Mamona é uma atleta com uma enorme margem de progressão e, certamente, que nos próximos Jogos será uma das fortes concorrentes a estar presente no pódio do Triplo Salto.

 

No lado masculino as hipóteses de medalha são ainda mais pequenas. Apenas Marco Fortes terá uma ténue possibilidade lá chegar, mas contará com a forte concorrência dos atletas norte-americanos, nomeadamente Reese Hoffa e Christian Cantwell, do polaco Tomas Majewski e do novato alemão David Storl. Marco Fortes terá também de saber lidar com a pressão de uma grande competição, pois os seus melhores resultados raramente são efectuados em grandes campeonatos.

 

Daqui a algumas semanas começarão as provas de atletismo e até lá a preparação dos atletas será certamente intensa para que possamos contar com bons resultados dos atletas lusos. Não lhes devemos exigir medalhas, mas sim que dignifiquem a camisola nacional, dando o seu máximo, e se for com uma medalha melhor ainda.

 

Por Cláudio Guerreiro



publicado por Cláudio Guerreiro às 17:25
link do post | comentar

1 a zero:
De João Perfeito a 17 de Julho de 2012 às 00:47
Na minha opinião uma medalha de Jessica seria um milagre.

Existem 10 atletas na casa das 2:20 ou abaixo a portuguesa tem 2:25:59 este ano.

Por muitas condicionantes que tenha, é quase impossível vencer 3 africanas e Jéssica terá que fazê-lo para ganhar medalha.

3 quenianas e 3 etiopes devem ficar nas 6 primeiras posições é muito casuístico esperar que 3 delas quebrem para Jéssica ganhar uma medalha.

Quanto a Sara Moreira eveidentemente que ainda mais impossível é...

Sara Moreira estupidamente não corre os 3000 obstáculos, a prova de meio fundo mas propicia para que as europeias rivalizem com as africanas. Veja-se a Marta Dominguéz.

Sara Moreira é uma atleta que apesar da enorme qualidade, peca por uma má gestão de carreira. Quer fazer tudo ao mesmo tempo: corta-mato, pista, pista coberta, estrada e depois não se afirma (pelo menos no panorama mundial) em nada.

Na minha opinião as únicas hipóteses reais, mesmo reduzidas de medalha são Patrícia Mamona, marcha, Marco Fortes ou Marcos Chuva

Patrícia Mamona e Marco Fortes se estiverem perto dos seus recordes nacionais obrigarão os adversários a serem testados ao limite.
Ora como sabemos no triplo para alem da Olha Saludulha e Caterine Ibarguen o bronze está em aberto e nada nos garante que a Patrícia (que está em ascenção) não consiga pular 14.70. Fazendo-o poderá ter medalha, mesmo que as adversárias estejam perto do seu melhor nível.

Quanto a Marco Fortes terá que estar no seu melhor, passar os 21 metros e esperar que os homens da frente quebrem. O Majewski e o Adam Nelson o ano passado ficaram atrás dele no Mundial por exemplo. Mas tem de esperar por muitas quebras, o que se torna difícil. Porque para depender mais de si próprio teria que lançar perto dos 21.50, algo que me parece muito pouco provável.

Na Marcha nos dia sim, com algumas desqualificações se andarem no grupo da frente, qualquer uma delas pode ter sorte. Mas mesmo assim as rusas e chinesas devem estar em número suficiente para cobrir todo o pódio.

Marcos Chuva teve uma época atribulada. Melhorou de rendimento no europeu. É um atleta com enorme potencial. Muito irregular capaz de tanto fazer 7,6 como 8,34.

Se bater o seu recorde pessoal é candidato até ao ouro olímpico, algo que me parece úma miragem, devido a todas as lesões que teve.

Mas Marcos se chegar no pico da sua forma pode pular pelo menos 8.20, marca que pode ser suficiente para uma medalha.

Mas depende muito do dia, da recuperação das lesões, da motivação.

É o atleta mais imprevisível, tanto pode ser campeão olímpico como último classificado.

Se trabalhar bem em 2016 pode ser a máxima referência da disciplina a nível Mundial.


De Cláudio a 17 de Julho de 2012 às 16:38
De facto, Sara Moreira peca por ter alguma má gestão, e quando não é dela é da própria federação de atletismo. Veja-se, por exemplo, aquele engano na inscrição em que a colocaram nos 1500m há uns tempos. Seria-lhe muito mais favorável correr os 3000m, obstáculos.

A Patrícia Mamona terá uma tarefa complicada, apesar de estar em ascensão. Não nos esqueçamos que a Rússia leva sempre uma tripla de atletas de forte argumentos (mesmo que algumas sejam atletas para fazer uma boa competição internacional apenas, caindo depois no esquecimento).


De João Perfeito a 17 de Julho de 2012 às 20:05
Pois mas as Russas também dificilmente passam os 14.70 por isso com sorte nunca se sabe.

Se calhar a Patrícia apostou forte nos europeus e chega aos olimpicos já com menos força e nem se quer bate o seu recorde nacional.

Mas de facto se ela conseguir fazer 14.60, 14.65 nada é impossível.

Quanto à Sara Moreira reafirmo que devia apostar nos obstáculos.


Comentar post

pesquisar neste blog
 
Equipa Minuto Zero'
Links
Também Tu Podes Participar!

Participa na Equipa Minuto Zero'

subscrever feeds
Arquivo

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010