Quinta-feira, 21 de Junho de 2012
Steve Field

Euro 2012

 

Não tem sido um europeu fantástico, mas de modo geral tem proporcionado momentos de grande futebol, com poucas decepções.
Começando pelo grupo A, não se pode dizer que houve grandes surpresas, apesar de eliminação da Rússia, a selecção teoricamente mais forte. Após a goleada na ronda inaugural, muitos foram os ecos de contentamento com a equipa Russa, que se apresentava claramente como uma das melhores selecções da prova. Só que os pupilos de Dick Advocaat não confirmam o jogo inicial, não deixando, porém, de merecer elogios. A Rússia, comandados por Arshavin, um pequeno grande jogador, baseiam o seu futebol em fortes transições ofensivas, aproveitando a velocidade e qualidade dos seus médios, sobretudo de dzagoev. No entanto, sendo fracos na recuperação de bola, com pouca capacidade de pressão, a selecção russa acabou por claudicar quando menos se esperava. Além disso, a equipa russa está talhada para jogar em vantagem no marcador pela velocidade que imprime no jogo, e vendo-se em desvantagem nos dois jogos seguintes, o seu nível exibicional baixou, ficando a ideia que não consegue responder às adversidades, sobretudo pela falta de rotação que os seus médios dão aquando da desvantagem no marcador. É difícil de entender que uma das melhores equipas, sobretudo em termos técnicos, seja eliminada em fase tão prematura. A equipa anfitriã, a Polónia, foi eliminada sem qualquer vitória, e com níveis de exibição em decrescendo. Após um primeiro jogo razoável, com o grande jogador da equipa, o avançado Lewandowski bem servido, o treinador alterou o onze e saiu-se mal. Entrou para a primeira equipa o trinco Dudka, mas a sua incapacidade de iniciar a fase de construção prendeu a equipa, que aliada à deslocação do organizador Obraniak para a esquerda fez com que o avançado do Dortmund recebesse muito poucas bolas e a equipa ficou muito curta, sem capacidade nos últimos 30 metros. Pelo contrário, a República Checa foi em crescendo. Depois da goleada sofrida no primeiro jogo, o treinador mudou peças chaves na equipa, que resultou numa grande jogada de xadrez. Hubschamann entrou para equilibrar a equipa no miolo, libertando Jiracek, claramente o jogador em foco no conjunto, para a segunda linha do meio campo e adiantando Plasil para médio de transição. Além disso, o corredor direito passou a estar encarregue essencialmente do lateral Selassie, que dá grande profundidade à equipa na transição ofensiva. Resultado de tudo isto: primeiro lugar no grupo. Já a Grécia foi, provavelmente, a surpresa na primeira fase da prova. Com uma equipa bem inferior à de 2004 e com vários fantasmas dessa equipa, Fernando Santos conseguiu montar as estratégias adequadas à equipa que dispõe. Uns chamam cinismo ao futebol grego, eu chamo estratégia e inteligência. No futebol, o essencial é a vitória. Destaque, uma vez mais, para Karagounis.


No grupo B, o grupo da morte, o grupo de Portugal, não se pode dizer que tenha havido surpresas. A Alemanha passou tranquilamente com três vitórias e Portugal com duas, as duas selecções tacticamente mais evoluídas. Admito que apostava na Holanda como uma das melhores equipas da prova, mas a sua (in) capacidade táctica assusta. A Holanda é uma equipa que apenas tem em conta dois dos quatro momentos do jogo, a transição ofensiva e a organização ofensiva, que é óptimo, por exemplo, para equipas como Portugal, tão fortes na transição ofensiva e sempre com uma grande organização defensiva. Foram vários os ecos de euforia depois da exibição convincente da turma das quinas frente à Holanda, mas exagerados, sobretudo os dirigidos a Ronaldo. Portugal e o seu capitão fizeram um grande jogo, é certo, mas realço uma vez mais a incapacidade da Holanda. Não tirando o mérito a ninguém, esta Holanda é provavelmente das selecções mais fracas a nível colectivo. Portugal jamais terá tantos espaços para imprimir velocidade daqui em diante, a principal arma de jogadores como Ronaldo. Destaque ainda para a Dinamarca que, sendo claramente a selecção mais fraca do grupo, se apresentou sempre bastante organizada defensivamente e esteve perto do apuramento.


No grupo C, passaram as duas selecções teoricamente mais fortes. A Espanha, campeã europeia e mundial em título, e a sempre forte Itália. No entanto, a Croácia revelou muito mais capacidade que os Transalpinos. Com uma equipa construída em redor do seu craque, Modric, que espalhou magia a cada toque na bola, a Croácia mostrou ser uma equipa bastante forte, com dedo de treinador. Bilic mostrou que é um grande treinador, sobretudo pela capacidade de resposta no jogo com a Itália. Destaque para Mandzukic, um ponta de lança para voos maiores que o Wolfsburgo. A Itália voltou ao sistema antigo de três centrais, e com a Espanha resultou em pleno. No entanto, é uma equipa que parece viver da inspiração dos seus grandes jogadores no momento ofensivo, o que a torna um pouco previsível na maioria do tempo. Destaque para Pirlo, o piano da equipa, que é o médio mais recuado. Um 6 construtor, como se deve ter hoje em dia. Já a Espanha, vive com problemas que todas as equipas gostariam de ter: em primeiro lugar, quer jogar à imagem do Barcelona, sem avançado, (quando já ganhou tudo de outro mudo) quando não tem nenhum Messi. Em segundo, joga em simultâneo com dois médios muito parecidos (Xabi Alonso e Xavi), abdicando do médio mais distinto (Fabregas) quando coloca um avançado em campo. Já não é a Espanha sedutora, mas continua a principal candidata ao título. Por último, a Irlanda, claramente a selecção mais fraca deste europeu, com um treinador que respeito imenso, mas que está ultrapassado. Prova disso é o seu sistema, construído apenas com três linhas. É uma equipa sem chama, que foi passear a este europeu.


Por último, no grupo D, a surpresa foi a França não ser líder. Para mim, a seguir à Espanha e à Alemanha, é a melhor selecção deste europeu. Joga no modelo de jogo que mais gosto no futebol (isto, claro, excluindo o da Espanha e do Barcelona que não estão ao alcance de todos), com uma grande organização defensiva e com transições rápidas, quase sempre apoiadas, nunca se descompensando. Laurent Blanc percebeu a sua equipa e montou muito bem as suas peças. Com um duplo pivot sempre em rotação, com alas rápidos, com um 10 criativo e com o ponta de lança mais inteligente do europeu (as suas movimentações são um regalo. Mesmo quando não marca, tem influência nos golos), a França apresenta-se com uma selecção renovada e forte, depois dos fracassos anteriores. Já a Inglaterra, admito que dava pouco por ela mas venceu o grupo. Baseia o seu futebol numa pressão asfixiante ao portador da bola e numa grande organização defensiva. Em termos ofensivos, o seu futebol é previsível, directo e lento, dependendo da criatividade dos seus jogadores. Com Rooney, que só pôde jogar na última partida, a equipa melhorou porque ficou com mais linhas, ficou com um elo de ligação que, sem Rooney, não existia. A Ucrânia, equipa anfitriã, e a Suécia revelaram ser conjuntos bastante interessantes, que fizeram deste grupo o mais equilibrado, quando nada se previa.


Daqui para a frente, a magia e a emoção vão aumentar. Portugal terá de ter bastante atenção às transições ofensivas checas e terá um jogo bem mais difícil que o anterior. Contra a República Checa, Portugal terá dificuldade em fazer o que mais gosta: imprimir velocidade. Será um jogo bastante táctico, de risco, e acredito que, face às características das equipas, terá vantagem quem marcar primeiro. Se vencer os checos, Portugal defronta ou a Espanha ou a França, dois selecções muito fortes e sempre difíceis para Portugal.
Tirando a ausência da Rússia e da Croácia, os quartos de final terão os conjuntos mais fortes (a Holanda não era um conjunto), pelo que serão dias de elevado nível de futebol. Aposto, como sempre, na Espanha, mas terá de melhorar alguns aspectos (já referidos). Além da Espanha, a Alemanha tem revelando ser uma grande candidata, com o núcleo do Bayern a funcionar. Depois surge a França, a selecção que mais tenho gostado de ver. Com surpresa da minha parte, surge também a Inglaterra, que pode surpreender. Não considero nem Portugal nem Itália favoritos, mas são selecções com qualidade e podem surpreender. Até dia 1, a televisão é a minha melhor amiga. Viva o futebol!





publicado por Steve Grácio às 12:20
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