Sexta-feira, 13 de Abril de 2012
3x4x3: Como pode o Real crescer?

Apesar da temporada para já dentro do desejado pela direcção (pesa apenas a eliminação na Taça do Rei), parece-me de todo oportuno pensar em que sentido pode o Real de Mourinho crescer a curto/médio prazo.

 

O encurtar da distancia de 10 pontos face ao eterno rival Barcelona, será seguramente o primeiro ponto por onde pegar para perceber um pouco melhor as possibilidades de evolução do projecto madridista. Deu para entender claramente, que a quebra se deveu a factores psicológicos, fica mais uma vez latente que este grupo de jogadores não está ainda rotinado para lidar com a pressão de ser primeiro. Vale a inspiração de Ronaldo sobretudo, para que a enorme distancia que deixava o Barça longe do título não desaparece-se de vez.

 

Em termos de futebol jogado, o erro na maior parte das partidas em que perdeu pontos, parece partir sobretudo da incapacidade de controlar as partidas, exercendo desde início um pressing constante, agressividade defensiva, que impeça o adversário de construir jogadas apoiadas. O melhor Real, pelo que já se percebeu mesmo frente ao Barcelona é aquele que entende a defesa como os segundo subsequentes à perca de bola, com pressing desde Benzema ao sector defensivo. É na agressividade de Benzema, Ronaldo, Ozil ou Di Maria, que se faz a primeira plataforma de pressão e recuperação de bola, em zonas adiantadas. Depois, essencial o adiantamento de Xabi Alonso e Khedira, como duplo-pivot subido, perto dos 4 jogadores que compõem a primeira zona de pressing. Essencial também o adiantamento momentâneo de S.Ramos e Pepe, centrais tipicamente aguerridos na antecipação, apesar de algumas falhas individuais nesse ponto.

Assim, com um bloco médio-alto, plataforma de pressão sobre defesa e médios recuados adversários, a maior parte das equipas do campeonato espanhol vem o seu jogo sem soluções de saída, perdendo a bola facilmente.

Como é obvio, nem sempre é possível fazer este tipo de jogo, sobretudo devido à imensa exigência, mais do que física, psicológica. Mais difícil do que ganhar e chegar ao top, é manter. Nem sempre os jogadores se sentem motivados para dar o corpo e alma num jogo contra uma equipa que está a 50 pontos na tabela. É aqui que entra Mourinho, é por aqui que se mede a capacidade de um treinador em termos de motivação.

 

Quanto ás pedras fundamentais do jogo do Real, percebe-se cada vez mais a importância de Ozil na organização ofensiva. Nos últimos jogos, descaindo sobre a esquerda em diagonais, tem mostrado de facto que é, depois de Ronaldo, a grande arma ofensiva blanca. Tem criatividade, 1x1, e uma capacidade de leitura de jogo e definição raras, que oferecem a Ronaldo e Benzema situações de desequilíbrio. Com Kaká perde-se a imaginação e rotação, ganha em capacidade de ruptura e chegada à área, perde-se o dinamismo e o descobrir de espaços.

Depois, os movimentos de Ronaldo são sobretudo diagonais interiores, para a zona do ponta-de-lança, partindo da esquerda. Dar-lhe espaço nesta zona, é garantir que o jogo está próximo de ser ganho, como foi exemplo o jogo contra o At. Madrid.

Na frente ainda, Benzema esta mais agressivo, mais forte psicologicamente e em termos de movimento, crescendo como um dos melhores avançados do futebol mundial. Pela direita, Di Maria é garantia de equilíbrio, pela boa capacidade para fechar o flanco a defender. Callejon é boa solução partindo do banco como garantia de golo, e Higuain uma boa solução para aumentar a agressividade ofensiva e defensiva na frente em combinação com Benzema e Ronaldo.

 

No miolo a chave da consistência. Xabi Alonso define os batimentos cardíacos da equipa com bola, com passe curto ora passe largo na frente, sempre com critério. A defender, carece de um jogador rápido por perto, com boa capacidade de desarma e velocidade nas dobras. Esse jogador pode ser Khedira (na sua melhor forma) ou mesmo Lass. Jogar ou não com Alonso é, quanto a mim a questão mais interessante para este Real. Pelo que dá à equipa com bola acho excepcional, sem ela, quando não está num bom momento obriga o companheiro de sector a um esforço extra.

 

Depois, na linha defensiva, o 4x2x3x1 de Mourinho mostra a sua verdadeira assimetria. Coentrão e Marcelo têm ordem para atacar, deixando o espaço defensivo para Khedira (mais rápido que Xabi) fechar. Um risco, sobretudo quando se joga com Ronaldo e Marcelo ao mesmo tempo sobre o mesmo flanco, mas que pode ser compensado com o adiantar da defesa e com o binómio S.Ramos (central pela esquerda)/Khedira.

Já no eixo, a grande questão prende-se com erros individuais de S.Ramos, em muito derivados de alguma falta de rotina e pela enorme vontade de mostrar em cada lance o enorme jogador que é. Um pouco como David Luiz, exagera na impetuosidade, claudica em lances divididos na antecipação, onde com um trabalho se poderia tornar exímio. Tem de controlar a sua abordagem aos lances, percebendo um pouco melhor que o papel do central em termos defensivos deve estar sempre de acordo com o posicionamento colectivo. Pepe parece-me mais sólido, apesar de pecar em lances divididos. Outra questão pertinente é a capacidade (ou melhor a falta de critério) dos dois centrais com bola. Exageram quando querem sair em posse, erram quando com passe longe precipitam a equipa no ataque. No banco mora um central que em tempos dava uma outra inteligência: Ricardo Carvalho, mas os seus dias como titular parecem ter terminado com as sucessivas lesões.

Pela direita a grande questão: Arbeloa cumpre mas não impressiona. Poderá ser por aqui o primeiro posto a reforçar no Verão. Nos grandes jogos que se avizinham, advinham-se entradas intermitentes de Haltintop e Coentrão neste posto.

 

By Tiago Luís Santos

 



publicado por Minuto Zero às 19:48
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1 a zero:
De João Perfeito a 13 de Abril de 2012 às 23:47
Parabéns pela crónica. Está muito bem detalhada, concordo com quase tudo...
Na minha opinião (relativizando sempre toda a complexidade inerente ao futebol) este Real ainda não é uma equipa de top Mundial (comparando com as melhores equipas da história do Futebol Mundial).
À que distrinçar as coisas... Os números mostram que é se calhar a equipa amis avassaladora da História do futebol Mundial. Vitórias, goleadas, intensidade... Contudo, fruto da vertente psicológica (como muito bem mencionaste) não consegue ser uma equipa sempre pressionante revelando grandes e posteriormente graves oscilações no rendimento defensivo da equipa.
Se olharmos para o Manchester United (o projecto a par do Barcelona mais consolidado do futebol Mundial dos últimos 5/6 anos) vemos uma capacidade defensivas deveras impressionate, traduzida pela metamorfose de talentos (Park, Anderson) em carregadores de pianos do melhor que existe no futebol Mundial. Para não falar que até Nani do ponto de vista defensivo (sendo um ala) tem um rendimento fora de série. O Barcelona não defende muito bem, mas com a posse (70% ou 80%) impede o adversário de atacar, baixando quase para 0 as suas oportunidades de golo.
Já o Real é uma equipa que vive demasiado das transicções, notando-se isso pela constante inferioridade numérica a defender, que tem na intensidade o pêndulo do seu jogo. Faltalhe capacidade de posse, capacidade para ocupar várias zonas do campo, congelar a bola e mudar a velocidade. Xabi ALonso e Kheria são demasiado fixos... Ao passo que Xavi/Iniesta e até Busquetes estão em constante trocas de posição e em descobrir espaços para receberem uma linha de passe, parece que o duplo-pivot do Real mal passa a bola aos desequilibradores ofensivos sente individualmente já não vai tocar mais na bola até ao fim da jogada. Um futebol demasiadamente vertiginoso, vertical e de primeiro toque sem capacidade para descansar o ritmo de jogo. Há sempre aqueles momentos em que o Real faz largura de jogo, mas mesmo assim as trocas posicionais da equipa são sempre entre os desequilibradores, sendo o meio-campo sempre um mero transportador de jogo, quando muitas das vezes poderia ser um construtor fundamental.
Voltando ao plano defensivo parece-me uma equipa com clara falta de sicronização entre a linha média e a linha defensiva, não esqueçendo que tanto Khedira como Xabi Alonso não são os tampões que Mourinho sempre teve nas suas equipas.
Por tudo isto o futebol merengue não encaixa no blaugrana. E é fácil perceber porque razão o Real (com muito maiores valores individuais) tem muito mais dificuldade em destroçar o Barça, que o Inter (de Mourinho) por exemplo (equipa veterana órfã de criatividade, genialidade duma equipa de top).
Toda esta complexidade inerente ao Real acontece porque a equipa dá a Ronaldo um papel demasiadamente importante, desconcentrando-se colectivamente. Mourinho nunca teve um desequilibrar como Ronaldo, um ataque tão vertiginoso e uns médios centros tão defensivamente permeáveis, por isso este Real foge um pouco ao ADN que Mourinho tenta introduzir nas suas equipas.
Como melhorar, moldar a sua concepção de futebol, variando mais a posse com a transcicção e ter um processo defensivo mais rigoroso.
Neste capítulo Arbeloa é uma pedra chave, sendo dos melhores do Mundo a defender e com uma capacidade ofensiva (não perder a bola e golos) interessante para um lateral. Um pocuo à imagem de Maxi no Benfica. São estes os laterais que a modernidade pediu ao futebol para fazer face ao constante upgrande que os alas actuais tem deixado nos relvados europeus.


De Steve Grácio a 18 de Abril de 2012 às 20:18
Parabéns aos dois pelo que disseram. São precisas mais análises deste género.


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