Domingo, 1 de Abril de 2012
Área de Ensaio

Portugal Sevens - A pensar no Futuro

 

 

     Ao longo da última década, Portugal assumiu-se como uma das potências europeias de variante de sevens. O facto de termos defesas rápidos e bons no jogo à mão, forneceu a matéria-prima essencial. A desconfiança com que as principais selecções encararam esta variante permitiu diversos títulos europeus.

    Contudo, e apesar dos convites para integrar etapas do Circuito Mundial de Sevens, a nível mundial, Portugal nunca conseguiu traduzir o sucesso regional. A equipa nacional era reconhecida como uma equipa de segunda linha, com um jogo dinâmico e rápido, mas sem capacidade para discutir resultados com as melhores selecções.

    Mas esta situação parece estar a mudar. Mesmo sem um campeonato de sevens minimamente razoável (o que se joga no final da época não é minimamente organizado nem apresenta um carácter competitivo significativo), a selecção nacional de sevens, apelidade de Linces (e não Lobos como sistematicamente é referido) parece estar neste momento a passar a sua fase de maior fulgor a nível mundial.

Depois de na semana passada Portugal ter garantido a presença em todas as etapas do Circuito Mundial do próximo ano, esta semana Portugal foi integrado num grupo da etapa de Tóquio.

    O objectivo passava sobretudo por conseguir ganhar experiência (alguns jogadores estavam a disputar os primeiros torneios) e provar que no próximo ano Portugal pode disputar as etapas com bons resultados, tendo a sua qualificação sido obra do trabalho e mérito dos jogadores nacionais.

O grupo era difícil, Samoa e África do Sul (mesmo sem Cecyl Afrika) eram adversários que muito raramente vencemos e com quem estamos habituados a perder sem grande capacidade de discussão. Já a Escócia (e apesar do histórico ser favorável aos escoceses) era um adversário acessível, e a quem podíamos e devíamos vencer.

    O primeiro dia mostrou uma selecção nacional de alto nível. As derrotas com Samoa (21-20) e África do Sul (12-7) deixaram a sensação de que podíamos facilmente ter vencido, apesar de serem derrotas que não envergonham, antes pelo contrário. A vitória sobre a Escócia (15-7) foi um prémio justo e que permitiu a Portugal disputar a Taça Bowl (a terceira em importância).

No segundo dia de competição, Portugal iniciou a sua participação contra o Japão nos quartos de final da Taça Bowl, e uma vitória por 21-5 permitiu a Portugal avançar para as meias finais. A vitória sobre o Japão foi a terceira em duas semanas, sendo esta equipa a principal "vitima" dos homens de Frederico Sousa.

    As meias-finais colocaram os Estados Unidos no caminho de Portugal, e nem os dois ensaios de Pedro Leal foram suficientes. A derrota por 20-10 impediu Portugal de discutir a final frente à França.

    No final, Portugal terminou o torneio no 11º lugar (em 16 equipas) e na classificação geral do Circuito Mundial, subiu ao 15º lugar (em 27 equipas).

A Taça Cup foi ganha pela Austrália, a Plate pelas Fiji, a Bowl foi ganha pela França e a Taça Shield foi ganha pela Escócia.

    No geral a participação portuguesa foi positiva, conseguimos discutir sempre os resultados, mesmo com as grandes equipas, mostrámos mais uma vez ter excelentes jogadores, Pedro Leal é um playmaker fantástico, ao nível dos melhores do circuito, Carl Murray é bom atacar, mas é sobretudo importante na defesa, Adérito e Foro são dificílimos de parar e conseguem sempre furar a defesa contrária, Sebastião Cunha e Frederico Oliveira dão experiencia e talento e até jovens como Martim Bettencourt ou Francisco Vieira de Almeida têm talento, força e são o futuro desta equipa. Por tudo isto apenas podemos considerar que no próximo ano (com as medidas e estratégias correctas) Portugal pode ser um "caso sério" e continuar a surpreender.

 

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 12:42
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1 a zero:
De Sarah Saint-Maxent a 3 de Abril de 2012 às 14:36
não vi os jogos de tóquio, mas fui acompanhado o feedback: é de realçar que, mais ainda que os resultados alcançados e as prestações em campo, começa a dar-se visibilidade aos sevens... (que apesar de serem uma seca comparados com XV, também merecem)
isso acabará por ter sem dúvida efeitos positivos para a modalidade, nem que seja ao nível de qualquer tipo de 'campeonato português', não achas?


De Pedro Santos a 3 de Abril de 2012 às 17:14
a visibilidade vem sobretudo das boas prestações, que mais que os resultados têm mostrado que estamos ao nível dos melhores.

os sevens não são mais aborrecidos que o XV, pelo contrário, são uma variante mais dinâmica e rápida, com mais espectáculo dentro e fora do campo. Não foi por qualquer motivo que se escolheu os sevens como modalidade olímpica: é mais fácil cativar pessoas através do sevens, do que em XV.

Os efeitos desta visibilidade são pouco claros, aliás tudo o que diz respeito aos órgãos dirigentes do rugby português é de desconfiar.

Numa situação fantasiosa, o melhor era existir um campeonato de sevens a decorrer paralelamente ao de XV, com jogadores distintos em cada modalidade.

mas se não há campos, não há treinadores e directores, não há conhecimentos da variante generalizados e não há vontade como é possível pensar num campeonato de sevens?

Se nem um campeonato de XV conseguimos organizar com um nível competitivo elevado, como podemos esperar que algo aconteça nos sevens?

Parece que vamos continuar a ter o nosso campeonatozinho de sevens no final da época, quando já muitos estão de férias, outros estão cansado e toda a gente leva isto como uma brincadeira.


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