Domingo, 18 de Março de 2012
Área de Ensaio

E o vencedor é...Gales!

 

    A selecção portuguesa de rugby deslocou-se este sábado a Odessa, Ucrânia. O propósito foi defrontar a selecção da casa na última jornada do Torneio Europeu das Nações.

    Portugal pretendia apenas acabar em beleza e somar mais uma vitória, para começar desde já a preparar o próximo torneio (onde começará a qualificação para o Mundial). A Ucrânia tentava nesta partida a sua primeira vitória no torneio, sabendo desde já que será despromovida na próxima época, dando lugar à Bélgica.

    Na verdade, Portugal deslocou-se a Odessa muito desfalcado por duas razões, primeiro Errol Brain não pôde contar com os jogadores que jogam no estrangeiro que não foram libertados pelos seus clubes, segundo muitos dos internacionais foram incluídos na selecção de sevens que disputa na próxima semana o torneio de Hong Kong, que definirá as 3 equipas que na próxima época passarão a fazer parte das equipas "core", as que têm presença garantida em todos os torneios. Desta forma muitos dos convocados foram chamados pela primeira vez e poucos eram os jogadores com experiência internacional.

    Sobre este jogo não me posso alongar, na verdade o jogo não foi transmitido por nenhum meio de comunicação ucraniano, e consequentemente em Portugal não houve forma de ver o jogo.

    Segundo informações da FPR, Portugal perdeu 35-33. A vitória ucraniana foi atingida aos 84 minutos (!) através de um pontapé de penalidade. De destacar a exibição de Yannick Ricardo, com 16 pontos. Os 3 ensaios portugueses foram marcados por António Aguilar (2) e Gonçalo Uva.

    No global, a participação portuguesa no Torneio Europeu das Nações 2012 saldou-se em 4 derrotas (Roménia, Geórgia, Rússia e Ucrânia) e uma vitória (Espanha). Se das 4 derrotas, uma é perfeitamente aceitável (digam o que disserem não estamos ao nível da Geórgia), as outras são recuperáveis e podem facilmente ser transformadas em vitórias. Se queremos estar em Inglaterra em 2015 é bom que se continue a trabalhar e olhar para este torneio como algo a não repetir.

 

    Chegou ao fim o Torneio das 6 Nações. Foi um óptimo torneio, cheio de emoção e espectáculo e com grandes jogadas, ensaios e placagens. O Pais de Gales mostrou que as boas indicações dadas no RWC não eram fruto do acaso e não deixou os seus créditos por mãos alheias. Venceu e venceu bem, ainda por cima com um Grand Slam. Mais importante do que analisar os jogos, importa analisar a campanha das 6 equipas.

    Em último lugar ficou a Escócia. Com 5 derrotas, não logrou sequer pontuar. No último jogo a Escócia foi derrotada pela Itália por 13-6. Na verdade, ninguém apostava na Escócia. Fizeram um Mundial decente, mas continuam longe das melhores selecções europeias. O processo de renovação tem sido duro e parece que demorará mais algum tempo até os Escoceses voltarem ao nível que habituaram. De positivo, o destaque vai para Richie Gray, a nova Escócia passará sempre pelo "gigante" segunda linha.

    A Itália está habituada a ocupar os últimos lugares desta classificação e este ano não foi excepção. No inicio até parecia haver alguma expectativa em relação aos italianos, mas estas não se confirmaram. A Itália fez bons jogos, conseguiu a espaços ser superior às melhores selecções, mas no final as derrotas foram inevitáveis. As derrotas foram sobretudo fruto de erros, que apenas se ultrapassam continuando a jogar a este nível. O tão aclamado "pack avançado" italiano acabou por desiludir, ainda mais depois da lesão de Castogiovanni. De positivo, vitória sobre a Escócia que deu os únicos 2 pontos na competição.

    Em 4º lugar ficou a França (segunda pior classificação de sempre). Eram à partida apontados como os principais favoritos, fruto do 2º lugar no RWC 2011. Contudo não se confirmou, a França foi uma desilusão. Parece que nunca entraram realmente nos jogos, em certos momentos os jogadores pareciam ainda com a cabeça na Nova Zelândia. Pior que tudo foi a perda da identidade, os franceses tentavam sempre o jogo ao pé,  ao contrário daquilo que os caracteriza, o jogo à mão em progressão e sempre com o ensaio em mente. Parece que a troca de treinador não foi feliz, e o futuro de Saint-Andre parece negro neste momento. Positivo, Fofana é um finalizador de luxo, e surpreendeu muitos com os seus ensaios.

    A Irlanda é uma equipa que tanto está habituada a ficar em último como em primeiro, e nunca se pode saber o que esperar dos irlandeses. O 3º acaba por ser um prémio justo. Sem Brian O'Driscoll, a expectativa era perceber até que ponto podiam os Irlandeses surpreender. Deram luta, é certo, fizeram excelentes jogos (Gales e Escócia), mas não conseguiram mostrar mais que isso. Neste momento a Irlanda não consegue estar ao nível de Gales ou Inglaterra, mas o futuro pode revelar surpresas. O melhor foi Jonathan Sexton, que conseguiu "sentar" Ronan O'Gara.

    O segundo lugar ficou para a Inglaterra, que foi uma agradável surpresa. A mudança de treinador trouxe Stuart Lancaster para o "leme" da Equipa da Rosa, homem habituado a treinar avançados. Mas a mudança foi mais radical, a Inglaterra apresentou-se recheada de jovens com o valor internacional por confirmar. Por confirmar estava também como seria a reacção da equipa no primeiro torneio sem Wilkinson. A campanha começou tímida, mas com o tempo a equipa foi-se consolidando e chegou ao fim em bom plano, com uma vitória por 30-9 contra a Irlanda. O problema foi mesmo a derrota com Gales, mas como seria se aquele ensaio no último segundo tivesse sido validado? Não haverá inglês que não pense isto.

    A vitória viajou até Gales. Foi justa. Foram os melhores, nunca vacilaram e mostraram sempre um rugby de alto nível, atractivo e de ataque. Gales tem uma equipa jovem onde se destacam homens como Sam Warburton (o try-saver que fez a Tuilagi é das coisas mais maravilhosas que vi neste torneio) e Leigh Halfpenny. A juventude dos defesas fica completa com a maturidade dos avançados, como Adam Jones ou Alun-Wyn-Jones.

O Grand Slam é apenas mais uma honra para uma equipa que promete voos ainda maiores.

Infelizmente acabou o espectáculo no Hemisfério Norte, viremos agora a nossa atenção mais para Sul, onde a festa começará em breve.

 

By Pedro Santos



publicado por Pedro Santos às 20:08
link do post | comentar

1 a zero:
De Sarah Saint-Maxent a 18 de Março de 2012 às 21:43
pior do que a penalidade aos 84, na minha opinião, foi termos marcado e convertido aos 80 (!) e não termos maturidade para evitar faltas no tempo restante do jogo. é ridículo.

quanto ao resto, bem. gales foi claramente superior, como dizes. ainda bem.


De Sarah Saint-Maxent a 18 de Março de 2012 às 21:53
é verdade, esqueci-me de uma coisa muito importante: NZ e Argentina brevemente. yes yes yes yes yes yes.


De Pedro Santos a 18 de Março de 2012 às 22:01
a selecção portuguesa estava cheia de jogadores inexperientes. não servem para serem convocados regularmente, mas quando não há mais ninguém lá os chamam. levar miúdos para brincar no jardim dos grandes dá nisto, derrotas humilhantes.

infelizmente não partilho de todo esse entusiasmo. embora tenha grandes expectativas para ver a argentina. para mim o rugby europeu é mais atractivo


De Sarah Saint-Maxent a 18 de Março de 2012 às 22:05
ahah, faz-me lembrar de umas bocas que mandei à seleção feminina de voleibol. enfim.

és mesmo avançado, que seca.


De Pedro Santos a 18 de Março de 2012 às 22:20
mas é verdade. acho muito bem que neste momento a aposta seja nos sevens, o torneio de hong kong é crucial, ficar nas equipas permanentes é decisivo e pode ditar o futuro dos nossos sevens.
o problema é as escolhas são sempre as mesmas, e num momento que ficam privados de alguns jogadores são obrigados a recorrer a gente que nunca lá meteu os pés. Não digo que não têm qualidade (acho que o Sérgio Franco já devia ter sido convocado há muito tempo), só digo que não têm "estaleca" internacional

o jogo do hemisfério sul tem menos contacto. é mais atractivo mas menos físico. sem porrada não tem piada


De Sarah Saint-Maxent a 18 de Março de 2012 às 22:44
e portanto, não têm cabeça suficiente para não errar quando é fundamental. true.

imagina que eras uma pessoa violenta? era problemático.


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 00:54
se não houvesse contacto não era rugby. por isso a "porrada" é essencial.

se for só passar e fazer fintinhas não tem piada


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 09:21
só não é preciso tanta, pronto, não te chateies. (estou a ver o sharks vs sea eagles e eles passam largos minutos sem ir ao chão)


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 12:33
no hemisfério sul há muito a filosofia de manter "a bola viva", antes de ser placado, passar a bola a um colega. isto leva a que o jogo seja mais dinâmico mas menos coordenado.

o jogo europeu é mais lento, passam mais tempo no chão e pode ser menos atractivo, mas é sem duvida mais táctico e possibilita jogadas mais inteligentes


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 15:27
pronto, pronto.
(mas continuo a gostar mais da NZ, eheh)


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 15:42
também tenho grande expectativa em relação à Argentina. conseguirão Los Pumas estar ao nível dos seus rivais? essa é a grande dúvida


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 15:54
acho que já neste ano vai ser difícil, não sei o que achas... acho que daqui a uns 2 ou 3 anos é capaz de já não haver uma diferença muito grande.
mas como gosto imenso da argentina, digo que vão já ficar em segundo, pronto.


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 16:12
a Argentina está habituada a ter um nível competitivo baixo em termos de competições regionais. Contudo os test-matches internacionais e as prestações argentinas nos últimos dois mundiais parecem indicar que os argentinos podem bater se de igual para igual com as restantes 3 equipas.

Muito provavelmente no primeiro ano a Argentina será a última classificada, embora as derrotas que irá averbar não deverão ser por números estranhamente grandes. Nos próximos anos o nível qualitativo irá subir (obrigatoriamente) e teremos uma Argentina com maior capacidade de discutir resultados.

Mas isto é futurologia, e pode ser tudo ao contrário


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 16:26
aproveita e futurologa a sério: classificação final? ;)


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 16:39
1º-NZ
2º-Austrália
3º-RSA
4º-Pumas

Se não for isto será algo parecido. 2º e 3º podem trocar


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 16:42
ahah, «o segundo e o terceiro podem mudar». a sério? isso é quase como apostar na final four do campeonato nacional.


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 16:45
acho que a classificação é mais que óbvia. não é dficil saber que a NZ ganha. não deve haver grandes surpresas.

E nao digas mal do nosso campeonato nacional que este ano até houve uma novidade na final-four. estamos a ter progressos


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 17:02
não disse mal de ninguém, só disse que era previsível. (deixa lá, que o meu querido clube está pela hora da morte mesmo)


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 17:29
sim as coisas não estão famosas para os lados de Belém. No mínimo deviam revalidar o título de sevens.


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 17:33
infelizmente o que devem fazer e o que farão realmente pode não coincidir perfeitamente. enfim, não me alongarei sobre este assunto que me entristece.


De Pedro Santos a 19 de Março de 2012 às 20:29
pelo que sei a generalidade do clube enfrenta dificuldades, e o rugby acaba por ser sempre das primeiras vitimas quando é preciso "cortar". o nosso campeonato já é o que se sabe, então quando as melhores equipas começam a enfraquecer, é muito mau sinal.
antigamente esta equipa era uma das que mais jogadores fornecia à selecção. hoje nem um lá metem. e a saída dos melhores estrangeiros também não ajuda


De Sarah Saint-Maxent a 19 de Março de 2012 às 20:56
a questão do CFB é diferente porque o clube tem uma organização muito atípica, sobre a qual não vou alongar-me. por isso mesmo, e conhecendo a realidade da modalidade no clube - que tem, por exemplo, uma imensidão de atletas nas escolinhas - é estranho este decair gigante.
pode ser que para o ano a coisa melhore.


De Tiago Santos a 20 de Março de 2012 às 21:45
Bem eu lá tentei ver mais uns jogitos do seis nações para ver se percebo melhor o jogo... gostei de ver o médio de abertura novo da Inglaterra é capaz de se fazer jogador não?

O País de Gales promete ser a equipa europeia mais próxima do nível das equipas do hemisfério sul nos próximos 4 anos, veremos qual a resposta de Inglaterra, França e Irlanda, mas parece claro que estão a conseguir uma excelente equipa aos poucos... (isto digo eu que nada sei :S boa tentativa não?)
..


De Pedro Santos a 21 de Março de 2012 às 17:26
presumo que estejas a falar do Owen Farrell, o homem que veio substituir Wilkinson. na verdade, todos esperavam que fosse Toby Flood a assumir essa posição a seguir ao RWC, mas o Sr. Lancaster teve outras ideias e lançou este "miúdo" de 20 anos apenas. Parece ter todas as condições para singrar, e seguir a excelente tradição que a Inglaterra tem nesta posição. No último jogo contra a Irlanda marcou 20 pontos, o que demonstra a sua capacidade mas também a confiança que já tem.

Gales tem uma equipa jovem, que se for bem trabalhada por durar uma década ao mais alto nível. neste momento considero que nem Austrália nem África do Sul são mais fortes que Gales (talvez apenas no aspecto especifico dos avançados, e muito concretamente na 1ª linha). e a tendência é para continuarem a evoluir.

A Inglaterra é também uma equipa em crescimento, já com o pensamento em 2015. A ideia de lançar jovens hoje, é para daqui a 4 anos estarem no auge das suas carreiras. certamente que irão crescer como selecção e num futuro próximo dar luta a Gales.

Já a França, não sei o que te diga, mas não sei mesmo. É necessário uma grande revolução (sobretudo mental), ainda para mais quando alguns jogadores históricos abandonaram a seguir ao jogo com Gales.


De Sarah Saint-Maxent a 21 de Março de 2012 às 21:00
o gajo é filho do andy farrel, pá, tinha que integrar a seleção muito rapidamente - sem desprimor do talento do miúdo, que é mesmo muito bom jogador...


De Pedro Santos a 21 de Março de 2012 às 21:16
por curiosidade, o andy farrell foi pai aos 16 anos!!
acho que o facto de o pai ter sido jogador não contribuiu para a chamada dele à selecção. em Inglaterra não existe o provincianismo cá do burgo


De Sarah Saint-Maxent a 21 de Março de 2012 às 21:18
o pai faz parte da equipa técnica da seleção inglesa, nem tem a ver com ter sido jogador... eheh


De Pedro Santos a 21 de Março de 2012 às 22:34
mesmo que o pai tenha tido alguma influencia na sua convocatoria, o rapaz mostrou o seu valor. marcou 60 pontos em 5 jogos, uma média de 12 pontos por jogo. nada mau para um "menino" de 20 anos


De Sarah Saint-Maxent a 21 de Março de 2012 às 22:45
sim senhora, nunca disse o contrário, o rapaz (é mais novo q eu, sinto-me tão mal) é bom.


Comentar post

pesquisar neste blog
 
Equipa Minuto Zero'
Links
Também Tu Podes Participar!

Participa na Equipa Minuto Zero'

subscrever feeds
Arquivo

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010