Terça-feira, 13 de Março de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

Apoel- Um milagre que a PlayStation (ficção) quis dar à realidade

 

Não caro leitor, não vou falar dos 5 golos do Messi como obra de jogo de PlayStation. Na verdade os 5 golos do astro Argentino perante um destroçado Bayer Leverkusen numa eliminatória já decidida apesar de serem surpreendentes estão longe de ser utópicos.

Neste espaço já manifestei a minha satisfação pela consolidação do projecto do Apoel, contudo face à continuação do seu desenvolvimento, não me canso de continuar a elogiar a equipa cipriota. Fá-lo-ei até que esta incessante odisseia chegue ao seu fim, até a realidade tirar a ficção deste conto de fadas.

Depois de surpreender o universo futebolístico do Velho Continente ao suplantar 3 dos últimos 4 vencedores da Liga Europa o Apoel conseguiu apurar-se para o lote mágico de 8 melhores equipas do futebol Mundial. Deixando pelo caminho o heptacampeão francês Lyon, equipa onde pontificam internacionais das potências com maior gabarito no panorama futebolístico mundial.

No fundo, este Apoel, não é mais que o melhor exemplo de futebol colectivo da actualidade.

Assente numa estrutura de transição e com uma das melhores defesas do Mundo protegida por um sempre-inspirado Chiotis, o Apoel é uma equipa equilibrada, solidária e muito inteligente.

A criatividade, liberdade e fluência de jogo intersectam-se com o calculismo, penetração vertical no espaço vazio e multiplicidade de espaços.

O conjunto cipriota está órfão de estrelas e esta premissa é a grande chave do seu jogo.

Na eliminatória contra o Lyon foi a disponibilidade física inigualável dos seus jogadores que permitiu ao conjunto cipriota ser fortíssimo nas transições.

Ofensivamente, com uma enorme disponibilidade de passe e desmarcação abortando todas as perspectivas de verticalidade individual e fintas; defensivamente com uma recuperação rapidíssima, um encurtamento de espaços criteriosa e uma pressão cautelosa sobre a zona da bola. O adversário tinha apenas espaço para construir o seu jogo, mas na hora de desequilibrar caía no labirinto cipriota, direccionando o seu jogo para tentativas fortuitas de jogo aéreo.

Na baliza Chiotis resolveu todos os problemas derivados das poucas falhas da defesa, demonstrando e transmitindo confiança para a equipa.

Paulo Jorge, mais uma vez demonstrou ser dos melhores centrais da actual Champions, com uma exibição irrepreensível. No meio-campo luso, Hélder Sousa  e Nuno Morais transmitiram tranquilidade suficiente para a equipa respirar no momento defensivo e sair com critério no momento ofensivo.

Na ala, Manduca revelou-se um excelente jogador na equação desequilíbrio atacante/enraizamento colectivo.

Por fim, destaque ainda para o virtuoso Marcinho, que deu imaginação à fluência de jogo da equipa e à incisão, remate fácil e posicionamento exímio de Airton Almeida.

Uma equipa construída rigorosamente num dos sistemas mais enraizados do futebol actual, alicerçada pelos maiores carregadores de piano do futebol europeu que viram a sua qualidade submersa no futebol português e por uma criatividade brasileira também ela com escassez de oportunidades de triunfo.

Este é o triunfo dos revoltados… O triunfo de jogadores desrespeitados e desaproveitados pelo paradigma do futebol contemporâneo: técnica e individualização de acções.

Esta qualificação não é mais que a constatação que o futebol tem ainda muito por evoluir e que estamos longe duma estabilização final conceptual do seu paradigma.

O colectivo, a solidariedade, o enraizamento de jogadas em laboratório cada vez mais vem contrariar a imprevisibilidade da liberdade individual dos jogadores.

Talvez por isso, não seja só na PlayStation em modo de Campeão que um Apoel consegue figurar entre os 8 melhores clubes da Europa.

A realidade é esta e o que ontem estava gravado nas memóricas card da PlaySation hoje preenche os mais emblemáticos estádios do futebol europeu.

Apoel, uma equipa, um sonho, uma realidade, um milagre, ou talvez  não, que a ficção quis dar à realidade, que a final os nossos sonhos utópicos as nossas convicções, os nossos desejos tem todos uma componente realística muito importante que só precisa de ser consolidada, trabalhada e desenvolvida.

Obrigado Apoel, acompanharei cada passo desta incessante odisseia até ao Game Over final.

Apoel o triunfo da entropia da ficção e da realidade, não sabemos onde começa uma e acaba outra, mas para o bem e para o mal guardarei na minha memória card todo este caminho glorioso independente do desfecho final.



publicado por João Perfeito às 19:35
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1 a zero:
De Pedro Santos a 14 de Março de 2012 às 20:07
Caro João,

Num momento em que a selecção nacional parece "sofrer" de falta de centrais de qualidade em número suficiente, não te parece que Paulo Jorge mereceria um lugar nos 23 de Paulo Bento?

Se Pepe e Bruno Alves estão com pé e meio na lista, e Rolando parece ser a 3ª opção, o 4º central parece ainda um lugar em aberto. Paulo Jorge parece poder competir com Ricardo Costa ou Zé Castro. E esta edição da LC está a ser uma excelente montra para um central que já em Braga mostrava bons atributos


De João Perfeito a 14 de Março de 2012 às 22:38
Na minha opinião se fosse agora seria claramente o 3º central. Rolando está bastante abaixo do ano passado e Paulo Jorge já foi nomeado 4 vezes para equipa da semana. Rolando contudo merece ficar como 4º central e ir ao Europeu.
Quanto ao meio-campo Nuno Morais se houvesse justiça poderia ter uma palavra a dizer.
Moutinho, Meireles são indiscutíveis.
Hugo Viana devia ser e não é.
Mas entre Hugo Viana, Carlos Martins, Rubén Micael, Rubén Amorim, Paulo Machado, Manuel Fernandes, Miguel Veloso e Nuno Morais não há muitas diferenças e são 8 candidatos para 2 lugares.


De Tiago Santos a 14 de Março de 2012 às 23:33
Não acredito nem na convocatória de um nem de outro. Penso que o Paulo Jorge é um jogador com qualidade para discutir o 4 posto da selecção, precisava de uma oportunidade para brilhar e está a ter.

Quanto ao Morais tenho mais reticencias... Veloso está a marcar posição (finalmente) na posição 6, mostrando finalmente que é um jogador que pode dar muito a uma equipa com futebol de toque curto.
Carlos Martins e Micael têm a convocatória dependente da sua condição por altura do Euro.
Meireles e Moutinho são inquestionáveis, Manuel Fernandes está em grande momento de forma, esperemos que seja desta que mostra o enorme jogador que é. Não vejo onde possa caber um jogador como Nuno Morais.

Quanto ao Hugo Viana penso que é uma questão de opção técnica. Na lógica de meio-campo da selecção seria um jogador que foge um pouco ao estilo, obrigando a compor um duplo-pivôt. Mas não digo que não à sua utilidade no lote dos 23.


De Tiago Santos a 14 de Março de 2012 às 23:48
João, há uma coisa que me escapa e que gostava que me esclarecesses: já percebi que não és grande fã do Barcelona de Guardiola, mas quando falas de equipas com "A criatividade, liberdade e fluência de jogo intersectam-se com o calculismo, penetração vertical no espaço vazio e multiplicidade de espaços." tenho curiosidade em saber se achas que o Barcelona não é, sem sombra de dúvida, a equipa que nos últimos tempos melhor se enquadra nestes adjectivos...

Aquilo que acho, é que o Apoel é uma equipa organizada, batalhadora, mas tenho uma certa dificuldade em achar que é uma das melhores do mundo como dizes... está nos melhores 8 pois está.. mas a verdade é que, e sejamos realistas, esta não é uma equipa de top.
É a minha opinião.

Quanto ao Leverkusen e aquilo que Messi fez... pareceu me claro que o Bayer tentou em Camp Nou fazer algo, mas a verdade é que o Barcelona com o rolo compressor activo é dificílimo de bater.
O Leverkusen é uma boa equipa claramente.

Outra coisa: já deves ter reparado que o Lyon está muitos furos abaixo do demonstrado nas ultimas temporada. Internacionais não ganham jogos, mas parece que elevaste feito do Apoel a um nível exagerado. Num comparativo simples, parece me que Lyon e Leverkusen estão em níveis próximos.
Discorda se quiseres.


De João Perfeito a 15 de Março de 2012 às 00:22
Eu também acho que não vão ser convocados. Paulo Jorge injustamente e Nuno Morais enquadrava no lote de possibilidades, pelo menos pré-convocado.

Claro que acho que o Barcelona se enquadra nesses adjectivos, aquilo que defendo é não valorizar esta equipa a melhor de sempre, porque todos os seus rivais (de todos os tempos) tem registos melhores e não definir claramente que é a melhor da actualidade. Está ao mesmo nível do Real e não claramente à frente como a cs pretende transmitir.
Os 5 golos de Messi para mim não tem muita importância porque foram num índice competitivo a roçar o amigável, numa eliminatória com tudo decidido.
Tal como hoje se Ronaldo marca-se 5 diria o mesmo. Aliás os pokers e hat-tricks de Ronaldo na Liga não o endeusam.

Quanto ao Apoel antes de definir se é de top ou não para responder melhor queria saber o que consideras ser de top?
Real, Barça, Manchester United, Bayer Munique, Milan
Ou consideras de top todas as equipas que estão numa segunda linha do futebol europeu.
Eliminando FC Porto e Schaktar, superando o Zenit e eliminando o Lyon parece-me claramente uma equipa de top da segunda linha este ano.
Estou a falar da actualidade. E por muito que queiramos fugir este Apoel foi melhor que por exemplo o Manchester City.
Até porque ganhou ao Zenit como o Benfica. O Benfica venceu o Basileia que venceu o Bayer que venceu o City.
Depois para mim uma equipa ser de top não precisa de demosntrar uma superioridade colossal e veemente. Gosto mais duma equipa que ganha 10 jogos por 1-0 do que uma que ganha 9 por 4-0 e perde o 10º por 1-0.
O Lyon está mais fraco, mas a nível de jogadores é muito superior.
Depois, se olharmos para o plantel do Apoel temos jogadores que foram desaproveitados pelo futebol português. Que se calhar em Portugal lutavam (na teoria) pelo 6º ou 7º lugar.
Depois estamos a falar dum país pequeníssimo, à bem pouco tempo comparado com o Luxemburgo e o Liechenstein.
Não estou a falar duma Áustria, Hungria, Polónia, Suécia ou Noruega, estou a falar dum dos países mais atrasados do futebol europeu.
Depois o feito é feito na actualidade e não à 50 anos. No início da Champions só jogavam os campeões nacionais ( o que limitava o lote de equipas fortíssimas), o sistema era por eliminatórias e a internacionalização das equipas era escassa o que possibilitava que as surpresas pudessem acontecer.
Agora, na actualidade, com a globalização do futebol, o dinheiro envolvidos a internacionalização das equipas é uma realidade que as vem engradecer e aumentar as assimetrias entre os melhores e piores. Porque as potências podem corrigir as suas lacunas com jogadores estrangeiros. Melhor exemplo Real e Barça na lateral esquerda.
E com tudo isto uma equipa cipriota chega aos quartos-de-final, igualando por exemplo o melhor registo do Sporting de sempre é uma coisa absolutamente extraordinária, fora de qualquer perspectiva.


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