Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
3x4x3: Salto de Qualidade

 

 

1. O fim de tarde chuvoso em Manchester acabou por trazer à luz do dia uma dura realidade com a qual, tanto Porto como as equipas de campeonatos periféricos como o português se habituaram à muito a lidar: não creio que se esteja aqui a falar de poder económico e das benesses por ele trazidas (leia-se jogadores, condições de trabalho e estatuto), mas sim de um nível de intensidade competitiva algo diferente.

 

Diria, vendo o jogo, que o resultado final entre City e Porto é enganador, mas a verdade é que premeia a equipa que ao longo dos 180 minutos das duas mãos, melhor soube aproveitar os erros adversários.

A imagem que me fica do jogo é sem dúvida os pormenores de classe de Lucho, Fernando e sobretudo João Moutinho, num meio-campo rotativo, com capacidade para assumir o jogo. Faltou depois capacidade de decisão nos últimos 30 metros, com Hulk esforçado, James criativo, mas sem jogador na zona central. Não falo de ponta-de-lança estilo Janko, talvez, mais uma vez, se possa pensar num jogador com maior mobilidade, capaz de jogar em trocas posicionais e movimentos entre os duros centrais ingleses.

Olhando para Moutinho nesta fase da temporada é inevitável pensar que mantendo esta forma será, sem dúvida, o nosso grande médio no próximo campeonato da Europa, onde as suas exibições podem valer o salto para um clube de elite, à muito merecido diga-se.

Do lado do City duas imagens: a serenidade e seriedade de Kompany, Lescott, Micah Richards e Clichy, sempre focados, sempre sem dar mínimo espaço, demonstrando um respeito e conhecimento pelo adversário de salientar; a eficácia e genialidade de Aguero, sempre atento aos erros de manuseamento de bola dos centrais do Porto.

 

Mais do que a falta do tal avançado-centro, ficou claramente a ideia que o Porto pagou caro os erros na saída de bola. Num jogo contra uma das melhores equipas europeias da actualidade, este típo de situações resultam quase sempre no mesmo, ainda para mais numa eliminatória a duas mãos. Fica o aviso para o Sporting, próximo adversário europeu dos Citizens.

 

2. Mais uma grande exibição do Basileia fica na retina. Não acredito que passem em Munique, mas a verdade, é que partem em clara vantagem para a segunda mão frente aos bávaros. Em jogo, parece uma equipa bem organizada, com um modelo de jogo que impressiona pelo risco. Laterais ofensivos, Steinhoffer e Park, apenas um médio de contenção Huggel, libertando Xhaka criativo ao centro, Shaqiri (estrela da equipa) e Frei nas alas, num 4x1x3x2, semelhante aquele que Jorge Jesus utilizava na época passada na Luz. Na frente um avançado que sempre gostei de ver, Frei, excelente nas movimentações, grande remate, e um 9 de referência, Streller, avançado poderoso. Gostei de ver também Stocker e Zoua, que revitalizaram as alas depois das saídas de Shaqiri (apagado) e Fabien Frei.

Na Baviera a eliminatória poderá complicar, mas a verdade é que o Basileia ficará como a grande sensação da temporada seja qual for o resultado final.

 

3. Destaque ainda para o Nápoles, mais uma vez a demonstrar que em competição curta pode ser uma das mais competitivas equipas do futebol italiano. Frente a um desacreditado Chelsea, exibição de gala, com golos e oportunidades, embora deixando sempre a ideia que permite ao adversário ter sempre espaço para jogar. Fez a diferença a veia goleadora de Cavani e o talento de Lavezzi, num jogo onde se percebeu que este Nápoles tem ainda muito potencial por explorar. Precisa de saber acalmar o seu jogo de fulgor ofensivo, conseguindo manusear ritmos e momentos do jogo para evitar surpresas e erros desagradáveis. Em Londres não vejo o Chelsea dar a volta à eliminatória e não acredito que este Nápoles saia de Inglaterra sem marcar. Veremos qual a capacidade de Vilas Boas e do seu grupo de trabalho na tentativa desesperada de salvar uma temporada.

 

4. Nota final de destaque para o incrível jogo Atletic Bilbau- Lokomotiv na catedral de San Mamés. O jogo valeu pela emoção, onde por largos minutos com menos um jogador o Atletic acabaria por conseguir o 1-0 que lhe bastaria para passar. A partir do momento do golo, o inferno de La Catedral seria o tónico para um apuramento histórico. Na próxima ronda, a equipa de "el louco" Bielsa irá defrontar um rival de outra galáxia, numa eliminatória que passará por dois dos mais arrepiantes ambientes do futebol europeu: San Mamés e Old Trafford.

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 11:31
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1 a zero:
De João Perfeito a 24 de Fevereiro de 2012 às 15:19
1- Desculpa, mas não posso concordar contigo Tiago. Em princípios os ingleses vão ficar a ver a Champions pela TV a partir dos quartos. Na Liga Europa os 4 que começaram já cairam todos... O futebol italiano todos os anos tem equipas que caem nas fases de grupo d aLiga Europa ou até antes. Em Espanha só Real, Barça e até o Valência saim da Champions.
O Porto é uma das potências europeias e já venceu uma Champions nos últimos 10 anos, coisa que City, Arsenal, Chelsea, Juventus, Real e Bayer por exemplo não conseguiram lucrar.
O Benfica se passar aos quartos-de-final da Champions integra o lote de 10 equipas com mais presenças nos quartos dos últimos 7 anos.
O Braga e o Sporting nos últimos anos tem sido das equipas com prestações mais regulares na Liga Europa, tendo ambas chegado à final. Por isso acho que muita voltagem temos nós, para a nossa limitação geográfica.
2- Concordo, este Basileia é uma equipa forte. Não sei se o Bayer será capaz de vencer por 2-0.
3- Parece-me que este Nápodes vive como dizes muito do fulgor atacante. Talvez por isso no cmapeonato italiano tenha alguma dificuldade.
4- Será sem dúvida um duelo fantástico e sim falo por experiência própria é arrepiante estar em Old trafford.


De Tiago Santos a 25 de Fevereiro de 2012 às 17:10
Tamos a falar de coisas diferentes. Eu não tou a dizer que equipas de outros países que não Inglaterra, Itália e Espanha (e a espaços o Bayern) possam chegar longe, mas a verdade é que no confronto directo, como acontece nestas fases adiantadas dificilmente passam pelos tubarões europeus, por uma simples razão: estas equipas jogam com uma intensidade diferente, quer queiramos quer não eram menos, são mais eficazes.

Por isso todos os anos, os clubes de elite do futebol europeu mantêm um nível que lhes permite formar um pequeno grupo de equipas que de facto, em eliminatórias a duas mãos, quando focadas na competição, dificilmente são batidas por clubes de campeonatos periféricos.

O caso do Porto foi uma rara excepção, de um clube que ciclicamente atinge um nível próximo da elite, como aconteceu na era Mourinho (a espaços). São estruturas e ritmos de competição diferentes, e estou a falar de Liga dos Campeões, porque na liga Europa pesam outros factores, como o desinteresse pela competição como acontece infelizmente com as equipas dos grandes campeonatos que raramente apostam nesta competição, simplesmente porque é bem mais importante ganhar a nível interno.

Na Champions, ai sim, o foque é total, porque quer queiramos quer não é nesse palco que se pode entrar na história do futebol.


De João Perfeito a 27 de Fevereiro de 2012 às 13:29
Na verdade penso que em relação à Liga Europa não é desinteresse, uma vez que em certas épocas as equipas espanholas foram bem longe, mas sim falta de adaptibilidade perante equipas mais fechadas e de contra-golpe.
Quanto à Champions acho que é mais uma questão de potência clubística e não do país propriamente dito.
Uma vez que equipas como Valência, Villareal, Atlético, Nápoles, Udinese, Lazio, Roma, todas as francesas, todas as alemãs menos Bayer não são superiores a Benfica e FC Porto.
Mas de qualquer maneira acho que a tendência está a mudar- veja-se os actuais oitavos da Champions...


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