Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
3x4x3: Crescer

1. O insucesso da selecção das quinas no Euro 2012 em Futsal não deve ser olhado como um fracasso desmesurado, ou com descrédito por parte desta nova geração de jogadores.

É Importante perceber que a preparação e o nível da equipa estão já num patamar de excelência, que a coloca como uma das grandes potências internacionais, por outras palavras, capaz de vencer selecções como Espanha ou Brasil. Á no entanto que salvaguardar distâncias, entre realidades competitivas, quando falamos de nações com campeonatos profissionais (Espanha, Itália e Rússia) e um país onde o semi-profissionalismo é ainda marca de destaque.

Não creio no entanto que seja o profissionalismo o ponto essencial para o aumento da competitividade. A verdade, é que apesar do fraco rendimento desportivo no Euro, o projecto da modalidade no nosso país não deve ser posto em causa de forma alguma. Aquela que é já a segunda modalidade em Portugal, tem mostrado que com recursos limitados (orçamentais e ao nível do número de praticantes) a evolução tem sido exponencial.

Salvaguarde-se ainda a excelente prestação da Itália no Euro, que também ela soube saltar para um novo nível nas ultimas temporadas. Com uma equipa baseada em jogadores do Montesilvano, a coesão e capacidade táctica fizeram a diferença sobre uma selecção de Portugal perdulária e com algum excesso de confiança.

Voltando um pouco atrás, disse que o profissionalismo não era o ponto fundamental neste momento. Como referido, e bem, nos comentários da RTP2 por altura da transmissão, o nível competitivo parte sobretudo da exigência e da entrega de cada praticante e dirigente.

Urge portanto antes demais clarificar a situação de vários clubes da nossa liga, nomeadamente aqueles que têm dificuldades financeiras prementes, criando uma lógica de controlo racional de despesas. O profissionalismo virá com o tempo, depois de garantidas as condições base para sobrevivência dos clubes. Freixieiro ou Fundação Jorge Antunes são exemplos do que não pode mais acontecer na modalidade.

Depois, a qualidade do trabalho será reforçada, porque a verdade é que em Portugal se continua a fazer muito com pouco, tanto no Futsal como em outras modalidades. Se temos hoje o melhor do mundo, alguns dos melhores treinadores da Europa, dois dos melhores clubes e novos talentos a despontar, à que trabalhar para a sustentabilidade, equilibrando cada vez mais o campeonato, e sobretudo incentivando a um trabalho cada vez mais cuidado e cada vez mais ao nível de top.

Nesta lógica os títulos internacionais irão chegar mais tarde ou mais cedo. Exigência que depende em muito do trabalho da Federação Portuguesa de Futebol mas, sobretudo, de quem faz a modalidade: jogadores, dirigentes, técnicos e arbitragem.

 

By Tiago Luís Santos



publicado por Minuto Zero às 21:07
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