Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Porque a vida também é feita a correr...

A continuidade como triunfo na época da mutação - Benfica

 

 

Finda, a primeira volta do campeonato o Benfica é o líder isolado da classificação, contabilizando 12 vitórias e 3 empates, mantendo a sua invencibilidade e sendo constantemente conotado como o mais forte candidato ao ceptro Nacional.

Face a todo um contexto desolador da pretérita época, sobretudo  devido aos anceios deixados de 2009/2010 parece que facilmente tende-se a explicar o comportamento do Benfica na presente edição da prova como uma mutação de rendimento. Tenta-se encontrar aquilo em que o Benfica fez mais e melhor, os novos ingredientes duma receita de sucesso. Este Benfica parece que se emancipa do da época anterior e regressa ao de à dois anos. Estranho, quando apenas 7 jogadores transictam da época do título e mais estranho a ainda se termos em conta que a equipa manteve o mesmo treinador. Sucesso (grandes exibições)- fracasso (péssimas exibições)- Sucesso (epopeia europeia) é um caminho que a comunicação social quer fazer, no fundo porque é a mutação que a alimenta, na era da reprodutibilidade, na era do digital são as mudanças que fazem o mediático, que fazem ganhar dinheiro e audiências.

Mas uma breve reflexividade própria, derivada duma consciencialização interior refuta todas estas teorias de constante e regular alterar do estado de coisas…

No fundo o actual Benfica não é mais que um upgrade da época transacta. Aquela equipa que foi vencer 2-0 na casa do tubarão europeu FC Porto, aquela equipa que somou 18 vitórias seguidas, aquela equipa que contabilizou 25 vitórias em 26 jogos em competições nacionais…

O Benfica mesmo nem sempre jogando bem, tem uma eficácia tremenda. Finda a derrota dramática em Guimarães no início aterrador da época passada, a equipa em jogos a doer só voltou a perder pontos no campeonato frente aos grandes (incluo o Braga neste lote) e o Gil Vicente, na já habitual malapata de arranque de campeonato. O Benfica em condições normais ganha 95% dos seus jogos ditos fáceis e em condições anormais ganha pelo menos 90%.

Fazendo uma análise mais táctica, penso que esta evolução começou no treinador. Jorge Jesus aprendeu com os erros a traduziu a sua vertigem da velocidade para uma dinâmica de transição (defensiva/ofensiva) equilibrada. Se pensarmos em Witsel resolvemos grande parte dos problemas… O prodígio belga tem em si meio Zidane e meio Makelele. Sendo no plano actual dos poucos médios do futebol Mundial que defende e ataca numa voltagem de altíssimo gabarito. Mas se Witsel é um Ramires técnico, Aimar sente-se mais confortável e mesmo recuando, sente mais segurança e pode tabelar mais não tendo de estar em todo o lado ao mesmo tempo. Nas alas o Benfica tem 3 excelentes jogadores. A magia e rapidez de Gaitán fazem dele um assistente nato, do outro lado Bruno César alia força, velocidade, inteligência, movimento interior e um fortíssimo remate como cartões de visita. Com a titularidade intermitente aparece o craque Nolito. Apesar de extremo Nolito tem uma excelente capacidade finalizadora. Nolito alia uma enorme verticalidade (em contra-ataque), com uma horizontalidade temível no um para um, sem esquecer o extraordinário enquaramento de remate e o faro incessante pelo golo. Javi Garcia é um jogador que melhora a olhos vistos, sendo actualmente dos melhores médios a fazer compensações no Mundo. Na defesa Garay e Luisão constituem uma das mais poderosas duplas do futebol Mundial, intersectando técnica, força, liderança, agilidade, posicionamento, entendimento , clarividência  e boa saída para o ataque. Na lateral direita o Benfica tem em Maxi Pereira uma das suas melhores figuras, considerado pela UEFA como um dos melhores do Mundo na sua posição… Na baliza Artur embora longe de estar no patamar endeusado da comunicação social tem revelado enorme capacidade. A quantidade de frangos e de grandes exibições é similar à de Roberto, mas o momento da equipa dá-lhe tranquilidade para que se sinta seguro e confiante.

Posto isto, penso que é fácil perceber que este Benfica não é mais que uma inovação do ano passado. Continua a estar longe do futebol espectacular de à 2 anos, mas cada vez mais concilia pragmatismo, inteligência, resultado com intensidade, goleadas e futebol fluente. O Benfica consegue jogar bem sem jogar bonito.

Por isso, sou da opinião de que o Benfica tem evoluído continuamente ao longo dos anos, descobrindo lacunas e colmatando-as. Esta equipa é já candidata à Champions? Não. Mas é claramente a equipa que se perfila para liderar a segunda linha europeia… No fundo o Benfica é tendencialmente a equipa que todas as equipas querem evitar depois do grupo de equipas que querem forçosamente evitar. Depois de  Real, Barça, Chelsea, Bayer, Milan e Inter vem invariavelmente Benfica. O primeiro passo já está dado.

 

 



publicado por João Perfeito às 01:12
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