Um campeonato para esquecer…ou para recordar
A Liga Portuguesa de futebol 2011/2012 terminou. Esta é, portanto, a altura certa para fazer o balanço deste campeonato que findou. Quando fazemos o balanço de algo é suposto haver aspetos positivos e aspetos negativos, mas neste campeonato, apenas consigo encontrar aspetos negativos que, desde já, passo a enumerar:
1 – O boicote dos árbitros aos jogos do Sporting: Logo na 2ª jornada do campeonato português, João Ferreira recusou-se a apitar os jogos do Sporting por alegadas declarações de dirigentes do clube de Alvalade que visavam este árbitro. Como forma de solidariedade, os restantes árbitros da 1ª categoria seguiram a mesma linha de pensamento de João Ferreira e recusaram-se a arbitrar o jogo entre Beira-Mar e Sporting, tendo que ser um árbitro da 2ª categoria (Idalécio Martins) a apitar este jogo. Na minha opinião, esta situação foi lamentável e um dos momentos negativos mais marcantes do campeonato, no sentido em que dirigentes e funcionários do Benfica criticaram fortemente a arbitragem portuguesa durante o campeonato e os árbitros não tomaram a mesma posição que tiveram relativamente ao Sporting, isto é, não fizeram boicote aos jogos do Benfica. Parece-me que aqui houve claramente uma diferença de tratamento, que não se compreende.
2 – A teimosia em querer alargar o campeonato de 16 para 18 clubes: Esta foi uma questão a que dediquei especial atenção num dos artigos da minha crónica, para dizer que o possível alargamento dos campeonatos profissionais de futebol ensombrou a verdade desportiva deste campeonato, na medida em que a certa altura da prova alguns clubes possivelmente pensaram que não teriam de fazer muito para ganharem os seus jogos, uma vez que em princípio ninguém desceria de divisão. Quem pensou isso enganou-se, pois a Federação Portuguesa de Futebol chumbou e bem o alargamento da I Liga. Se os clubes não têm dinheiro para pagar as suas obrigações salariais nem sequer para se pré-inscreverem nas competições europeias, como é que iam ter dinheiro para pagar mais duas deslocações, com o acréscimo de mais duas equipas ao campeonato português?
3 – A não divulgação dos árbitros nas últimas jornadas do campeonato: Este foi mais um fenómeno que abalou o decorrer normal do campeonato português. Nas épocas anteriores, sempre se soube com cerca de três dias de antecedência quem eram os árbitros que iam apitar os jogos de cada equipa. Porque é que na reta final do campeonato se decide “alterar as regras do jogo” e não divulgar o nome dos juízes para cada partida? Eu sei que houve pressões, nomeadamente de ordem pessoal, para com os árbitros. E nas épocas anteriores, não houve pressões?
4 – 8 contra 11: No meu ponto de vista, a situação do União de Leiria foi o momento mais negativo deste campeonato. Afinal, o futebol já não precisa de ser 11 para cada lado, como estamos habituados a ver. Uma equipa já pode começar o jogo com menos jogadores do que o seu adversário.
5 – 10 contra 11: Como se já não bastasse o União de Leiria ter iniciado o jogo frente ao Feirense com 8 jogadores, agora foi a vez do Sporting Clube de Portugal iniciar a sua partida frente ao Braga com 10 jogadores. Como é que é possível um clube com a grandeza do Sporting começar uma partida de futebol sem os seus 11 jogadores titulares? Neste caso, era a tala que João Pereira tinha no braço que não estava de acordo com os regulamentos, mas esta era uma situação que devia ter sido vista antes do jogo começar.
Concluindo e por todas estas razões, esta I Liga Portuguesa de futebol que agora terminou é um campeonato para esquecer… ou para recordar, para que não se voltem a repetir tantos casos negativos no decorrer das próximas épocas.
Esta semana não foi possível realizar a crónica por motivos escolares.
A renovação de Paulo Bento surge, a um mês do arranque do Europeu, como um sinal afirmativo rumo a uma nova lógica de trabalho dentro da própria federação. Um sinal de estabilidade necessário para um grupo de trabalho que se prepara para uma das mais exigentes competições nos últimos anos, e que se inicia com um grupo verdadeiramente competitivo. Assim resta uma pergunta: quem serão os 23 eleitos para representar a "Nação Valente"? Mas e quem são aqueles que realmente contam para o presente e futuro da nossa selecção?
Antes de perceber quem são os protagonistas do próximo Euro 2012, a que rever qual a forma de jogar da selecção, para depois melhor se perceber quais os nomes que melhor podem contribuir para o sucesso colectivo. Na Base, Paulo Bento tem ajustado a equipa com um 4x3x3 que mistura coesão nas transições (com Moutinho e Meireles em destaque), mas também, um jogo mais pausado para determinados momentos do jogo. Tentando perceber qual é na sua génese a forma característica de jogar do futebol português, é inevitável falar de futebol apoiado, mas com apelo a transições rápidas, por vezes excessivamente individualizadas (com recurso aos extremos/alas), mas essencialmente com um forte enfase para essa mesma velocidade de transição.
Deixo agora uma lista de jogadores para os quais penso que Paulo Bente já terá olhado a pensar na convocatória. Uma Pool nacional, com jogadores para o presente mas também para o futuro:
(GR): Patricio (Sporting), Eduardo (Benfica), Beto (Cluj), Quim (Braga), Hilário (Chelsea)
(DD): João Pereira (Sporting), Sílvio (A.Madrid - lesionado), Nélson (Betis), Miguel Lopes (Braga)
(DC): Pepe (R.Madrid), B.Alves (Zenit), Rolando (Porto), R.Costa (Valência), Sereno (Colónia), Carriço (Sporting), Paulo Jorge (Apoel), N.A.Coelho (Braga), Tonel (Zagreb)
(DE): Coentrão (R.Madrid), Elizeu (Málaga), Duda (Málaga)
(6): Veloso (Génova), Custódio (Braga)
(MC): Meireles (Chelsea), Moutinho (Porto), M.Fernandes (Besiktas), H.Viana (Braga), R.Amorim (Braga), P.Machado (Toulouse), A.Castro (Gijon), A.Martins (Sporting), A.Santos (Sporting)
(MAC): C.Martins (Granada), Micael (Zaragoza)
(Ext): Ronaldo (R.Madrid), Nani (Man.Unt), Quaresma (Besiktas), Varela (Porto), Danny (Zenit - lesionado), Vieirinha (Wolfsburgo), H.Barbosa (Braga), Hugo Vieira (Gil)
(PL): Postiga (Zaragoza), H.Almeida (Besiktas), N.Oliveira (Benfica), V.Tê (West Ham), Eder (Académica), N.Gomes (Braga)
A Negrito, os 23 que Paulo Bento deverá levar ao Euro. Lanço agora algumas notas, e explicações para esta mesma lista.
A primeira questão, e a maior dúvida, está na convocatória ou não de Hugo Viana. Pelo que se percebe o jogador não é visto com o perfil indicado para jogar num meio-campo em 1x2, mas sim em 2x1, como joga em Braga. Viana, nesta fase da carreira, tem necessidade de um verdadeiro médio recuperador ao lado, como neste momento não existe nas contas da selecção (Custódio deve ser ponderado mas não irá concerteza). Apenas poderia jogar com Meireles ao lado, mas neste esquema dificilmente puderia entrar apenas como suplente, pois não é jogador de efeito rápido. Penso no entanto que, poderia de facto entrar nas contas como peça para uma forma de jogar um pouco diferente, um plano B para jogos de exigência específica. A forma que demonstrou esta temporada provam que está ao nível da concorrência, mas de facto esbarra na dificuldade que poderá sentir jogando como interior e sendo obrigado a enorme desgaste.
Ainda no meio-campo, Rúben Micael é outra das questões. À falta de um 10, Carlos Martins e Micael são os interiores de maior tracção à frente, mas as épocas conturbadas para ambos podem deixar dúvidas quando se exigem certezas. Sobretudo Micael, dependerá em muito das ideias do seleccionador. A minha aposta? Meio-campo terá Veloso, Meireles e Moutinho, com Martins, M.Fernandes (excelente temporada) e Micael, deixando Viana de fora. Poderá até nem ir nenhum dos dois, abrindo vaga noutra zona do terreno (extremo de preferência).
Na baliza, Patricio assume a 1, com Beto forte psicologicamente quando é preciso entrar, e Eduardo como outra solução. A defesa terá certamente Pereira, Pepe, Rolando, Alves e Coentrão, deixando depois lugar para as brigas Nélson/M.Lopes, Sereno/R.Costa e Elizeu/(X).
Quanto ao ataque, Varela procura até ao ultimo suspiro um lugar, com Paulo Bento a demonstrar que está atento a Vieirinha, mas também a Barbosa ou Vieira. Mais à frente, Nélson Oliveira deverá ser mesmo a coqueluche da equipa, com Helder Postiga e Hugo Almeida na frente por um lugar no eixo.
By Tiago Luís Santos
Guardiola a caminho do Chelsea?
Depois de já ter anunciado que vai abandonar o comando técnico da equipa do Barcelona no final da presente temporada, o treinador Pep Guardiola recebeu uma proposta milionária para orientar a equipa de Roman Abramovich.
Contudo, segundo alguma imprensa inglesa, o técnico catalão recusou a proposta de 12 milhões de libras, cerca de 15 milhões de euros por ano, para se mudar para Londres e comandar a equipa do Chelsea.
A acrescentar ao salário milionário que Guardiola iria receber, o presidente russo ainda lhe ofereceu a oportunidade de ter fundos ilimitados para a contratação dos jogadores que quisesse, incluindo Lionel Messi. No entanto e como já tinha dito, quando decidiu abandonar o Barcelona, Guardiola fez questão de querer tirar um ano sabático para poder recuperar da elevada pressão a que esteve sujeito nas últimas temporadas.
O interesse de Abramovich não é de agora. O dono do Chelsea já tinha demonstrado interesse na contratação de Pep Guardiola desde que o português André Villas-Boas saiu do comando da equipa técnica londrina.
Com esta decisão de Guardiola abandonar o Barcelona, foi só juntar o útil ao agradável, ou seja, Abramovich viu assim a sua oportunidade para levar o técnico catalão para Londres.
Também saiu nas notícias de futebol que, caso Abramovich não consiga a contratação de Guardiola, o italiano Roberto di Matteo poderá ter a oportunidade de ficar definitivamente com o cargo de treinador principal dos blues.
É preciso não esquecer que Roberto di Matteo ficou no comando da equipa depois da saída do português André Villas-Boas e que desde aí tem conseguido alguns bons resultados (apesar da goleada que sofreu ontem do Liverpool, por 4-1), uma vez que o clube de Londres conquistou no último sábado a Taça de Inglaterra e ainda conseguiu garantir um lugar na final da Liga dos Campeões, eliminando precisamente o Barcelona de Josep Guardiola, onde vai defrontar a equipa do Bayern Munique.
Mas na minha opinião, o magnata russo não vai desistir assim tão facilmente de tentar levar Pep Guardiola para Londres, e caso o espanhol continue a recusar, penso que o dono do Chelsea poderá mesmo vir a aumentar a primeira proposta que fez com o intuito de conseguir assegurar um dos melhores treinadores do futebol internacional no comando da sua equipa.
Juventus conquista Série A

Neste último fim-de-semana, a Juventus, após o jejum de algumas épocas, conseguiu conquistar a Série A ao AC Milan depois de ter derrotado o Cagliari por 2-0, com um golo do montenegrino Vucinic e um auto-golo de Canini.
A equipa de Milão foi derrotada pelo rival Inter de Mião por 4-2, num jogo que foi também crucial para ditar a conquista do campeonato por parte da Juventus. A uma jornada da final do campeonato, a Juventus terá agora como objetivo finalizá-lo sem qualquer derrota. O treinador Antonio Conte conseguiu dar uma nova vida a uma equipa que ainda estava muito ferida em relação ao que lhe aconteceu no passado.
No conjunto da equipa há a destacar alguns jogadores que fizeram a diferença ao longo da temporada. Na defesa, o nome mais sonante, Chiellini, central há muito cobiçado por outros grandes da Europa, justificou todas as esperanças dos adeptos lançadas nele, exibindo-se ao mais alto nível.
No meio campo foi Pirlo quem fez a diferença. Após ter abandonado o AC Milan, no final da época passada, poucos eram aqueles que pensariam que o médio teria um grande papel no miolo da Juventus, devido sobretudo à sua idade. O médio transalpino mostrou muita qualidade de jogo, equilibrando um meio-campo que contou ainda com a presença de Marchisio e Vidal. Já no ataque o destaque vai para a dupla Matri/Vucinic que no conjunto marcaram 18 golos
O próximo passo desta Juventus será fazer um planeamento adequado da equipa, de forma a que esteja preparada para a exigência que enfrentará na próxima época, pois para além da reconquista do campeonato, pretenderá fazer uma boa figura na Liga dos Campeões.
Despedida
Ao longo de mais de ano, tentei semanalmente trazer a este espaço a actualidade do rugby nacional e internacional, e criar mais um espaço onde fosse possível debater sobre um desporto que está a crescer (lentamente) em Portugal.
Ao longo deste tempo tentei da melhor forma possivel analisar e explicar um desporto por muitos desconhecido, aproveitando a experiencia pessoal que tenho para melhor informar os que seguiam esta crónica.
Durante esta aventura muito se passou, um campeonato mundial, um campeonato nacional e diversas outras provas, que tentei sempre acompanhar e trazer a este espaço para tentar dar maior visibilidade à modalidade.
Contudo, e neste momento em que o projecto segue um novo rumo, parece ser o momento certo para também eu seguir um novo trajecto. A nível pessoal deixou de ser possível continuar a acompanhar a actualidade do rugby nacional e internacional, e sendo assim é difícil trazer semanalmente as noticias e os resultados que interessam.
Desta forma, tenho de abandonar o projecto, com a certeza de que este continuará a crescer e a trazer noticias e opinioes de grande interesse.
Numa altura em que o rugby nacional enfrenta diversos desafios, e as dúvidas são mais que as certezas, não poderei continuar a expor argumentos e factos relativos a uma modalidade que ainda é desprezada, e que neste ano que passou parece ter regredido um pouco.
A todos os que contibuiram para a este ano de crónicas apenas posso agradecer. Aos que leram, aos que editaram, aos que comentaram, aos que permitiram dezenas de crónicas, os meus agradecimentos.
Ao projecto desejo todas as felicidades, e prometo continuar a acompanhar tanto quanto me seja possível.
Obrigado
By Pedro Santos
A época está a terminar, é hora de entrar na Silly Season... Como vão os grandes portugueses abordar o mercado 2012/2013?
Em tempo de apertar o cinto para a generalidade dos portugueses, o futebol não pode, como é obvio, passar ao lado da crise. Olhando para as capas dos jornais, depois sobretudo de se saber que o Porto seria, de facto, novamente o campeão nacional, começam-se a desenhar projectos e ideias para a próxima temporada.
Os objectivos para 2012/2013 são os mesmo para os três grandes, a grande diferença porêm, poderá estar no ressurgir do Sporting como candidato efectivo à conquista do título. Começemos por ai, pelo habitual outsider dos 3 grandes.
Diz-se que a segunda época de um projecto futebolistico faz a distrinça entre o sucesso e o fracasso. Assim será certamente com o projecto Godinho/Duque para o futebol leonino. Desta temporada fica claramente a ideia que o plantel tinha qualidade para algo mais que o 4º lugar (ainda pode chegar ao 3º), mas que de facto faltou alguma regularidade. Pensando o Sporting para o futuro, urge perceber antes mais de quem deve entrar, quem terá de sair: a palavra chave, tanto para o Sporting como para Benfica e Porto é sustentabilidade. Por isso mesmo, é inevitável pensar em saídas também nesta equipa, por mais que Godinho Lopes afaste a situação.
Na linha da frente, Rui Patricio estará sob análise no Euro 2012, quando for guarda-redes da selecção nacional. Pelo potencial, pela idade, pelo que já demonstrou, poderá render um encaixe entre os 15 e os 20 milhões de euros, bastante interessante e que seria quase suficiente para cobrir as necessidades de encaixe do clube no mercado. Tudo dependerá do europeu e da sua prestação, para que um grande europeu (não de primeira linha mas com ambições de lá chegar) o agarre e lhe dê o espaço necessário para crescer.
Olhando para o plantel, numa lógica de continuidade, vender jogadores como Wolfswinkel, Capel ou Izmailov parece amplamente prucedente. Elias será, concerteza, outra questão. Não fez uma época excepcional, acho que pode render muito mais, mas face a necessidade de encaixar dinheiro, o brasileiro poderia representar um encaixe de mais de 20 millhões, permitindo não só manter outras fíguras como dando espaço a André Martins e consolidando Matias como titular a tempo inteiro, com Shaars e Rinaudo mais atrás. Gosto de Elias, é de facto uma mais valia, mas o seu espaço na equipa baralha muito as contas na zona de meio-campo, onde já se percebeu que Matias tem de ter a batuta.
João Pereira, também previsivel titular no Euro por Portugal, seria também outro dos casos a pensar, embora, o encaixe na ordem dos 10 milhões de euros não chege para cobrir totalmente as necessidades do clube. Certamente não sairá por mais, e também certamente, nunca valerá no mercado mais do que isso.
Outra possíbilidade será a saída de Carriço. Para o crescimento do jogador a sua saída para o estrangeiro é urgente. Como central dificilmente volta a aparecer neste Sporting, como trinco terá pouco espaço quando Rinaudo recuperar. O encaixe que daria ao Sporting não será nada de extraordinário, talvés num tecto máximo de 3 milhões de euros, mas para o jogador seria a melhor solução.
Existe ainda outra questão a ter em linha de conta. Ao nível das despensas, nomes como Arias, Ribas ou Renato Neto parecem na linha da frente, sobretudo atendendo a que Cedric Soares ou Adrien Silva continuam a fazer parte dos quadros e justificam uma aposta. No caso do lateral-direito, parece ganhar aos pontos a Arias, sendo solução para o futuro, sobretudo vendendo João Pereira que por esta altura parece ter algum mercado. Quando a Adrien, parece um pouco mais afastado, sobretudo porque com André Santos, Rinaudo e Shaars no séctor o seu tempo de jogo seria demaisado curto para o que precisa nesta fase da carreira.
Do ponto de vista das entradas existem várias modificações que poderão ser feitas, mas a verdade, é que será importante não mexer demasiado nas rotinas criadas esta temporada. Espera-se que Jeffren e Carrillo vão ganhando espaço, aumentando a competitividade do plantel em termos ofensivos, enquanto que Diego Rubio puderá aparecer a espaços. André Santos terá também oportunidade de lutar por um lugar, bem como André Martins, havendo que por isso dar-lhes o máximo de minutos. Nesta lógica, as necessidades do plantel estão sobretudo localizadas no eixo da defesa e no ataque.
Um central de qualidade, que remeta Rodriguez e Polga para fora das contas definitivamente, será a contratação mais urgente. Sem entrar em gastos desnecessários, existe de facto espaço para um jogador com qualidade para lutar por um lugar com Xandão ao lado de Onyewu. Quanto à posição 9, existirá sobretudo a necessidade de encontrar um jogador com um perfil diferente de Wolfswinker, que possa jogar em dupla num esquema mais atrevido, mas que nunca será o primordial. Falta no plantel um jogador que saía da zona dos centrais e ofereça outro típo de solução, permitindo abrir num 4x4x2 clássico o típico 4x2x3x1 leonino.
Em suma, existe material mais do que suficiente para que não se deva encetar nova revolução. Grandes nomes já existem, não há necessidade de entrar em loucuras. Existem jogadores que têm de ganhar espaço, André Martins, André Santos, Jeffren, Carrillo, enquanto outros o terão de perder, Carriço, Neto, Ribas ou Polga. Mais que tudo, pede-se calma e ponderação, com aproveitamento de alguns jogadores emprestados, e reforços cirugicos e sem grandes investimentos, mantendo sobretudo o trabalho realizado nesta temporada, consolidadno o 4x2x3x1 com Matias como sistema base, e podendo variar para 4x3x3 (com André Matins ou Elias) ou 4x4x2 (com o tal avançado que falta).
Mais do que ser campeão no mercado, os leões têm de pensar em ser campeões dentro das quatro linhas. Uma aposta para protagonista da temporada de transferências? Godinho Lopes. O elemento mais perigoso para a própria evolução da equipa? Godinho Lopes.
By Tiago Luís Santos
Só em Miami se ouve o relógio
Começados os playoffs da NBA, ainda não há grandes surpresas. Oklahoma e Miami dominam os seus confrontos com Dallas e Nova Iorque, vencendo por 3-0. Os Lakers voltaram à sua mentalidade campeã e vencem Denver por 2-0. Memphis e Clippers discutem a passagem taco-a-taco. Boston e Atlanta também. Indiana com algum trabalho mas lá ganha a Orlando 2-1. A maior surpresa talvez esteja no empate a 1 entre Chicago e Philadelphia, não pelo resultado, mas porque Derrick Rose está lesionado para o resto dos playoffs.
E contudo não vejo muitas equipas com muito a perder. Utah e Denver são equipas jovens, com talentos por desenvolver, e já é uma vitória terem chegado aos playoffs. É pouco provável que causem estragos, a perder por 2-0. Orlando, sem Howard, já só com um milagre. Em Boston, a idade há um par de anos que já vai avançada nas estrelas, excepção feita a Rondo. Já Atlanta, que passou há uns anos de burro a cavalo, hoje não passa de cavalo a unicórnio, e já não será com esta equipa.
O que me leva a falar daqueles que estão a disputar hipóteses de título este ano, ou num futuro muito próximo. Começando pelos Pacers, tenho pena que provavelmente Danny Granger já não estará no topo quando essa atitude surgir, mas Hibbert e George estarão. Mas se perderem este ano ninguém os irá martirizar. O mesmo não se pode dizer dos Knicks, nos quais muito tenho cascado durante meses, porque com um plano consistente degolado pelo dono da equipa, Jim Dolan, não é assim tão estranho que tenham acabado em 7º lugar, e que saiam novamente da primeira ronda dos playoffs, com um eventual 4-0 às mãos dos Heat. E tão cedo não conseguem uma equipa à altura, com uma organização semelhante.
Em Philadelphia, a equipa está sólida, com talento jovem, mas a âncora defensiva, Iguodala, parece melhor adequado numa equipa mais forte, e já caminha para os 30. Também ninguém os vai importunar. E em Memphis? Fazem-me lembrar os Detroit Pistons de meados da década passada, que ganharam um título em 2004. Aguerridos, com talento mas sem estrelas. Ficam sempre bem na fotografia, mesmo que percam. Já os Clippers, passaram de burro a unicórnio, mas têm a desculpa de Billups se ter lesionado para a equipa não estar na forma máxima este ano. Este ano, primeiro desta equipa renovada, ainda vai passar ao lado das críticas.
Quem já está blindado às críticas são os San Antonio Spurs. Com Tim Duncan nos 36 anos, Ginobli nos 35 e Parker nos 30, só o facto de terem terminado a época regular em 1º lugar, aparentemente sem grande peso das estrelas (salvo Parker), faz com que uma passagem da primeira ronda pareça fazer-lhes justiça, embora seja Memphis ou Clippers a seguir, e possam muito bem chegar à final. Chicago teve o desaire de Rose se lesionar, e então ninguém espera mais do que uma segunda ronda, ou uma eventual final de conferência. Os Lakers, apesar de rejuvenescidos, já ganharam dois títulos com esta equipa, e Bynum ainda tem muitos anos pela frente. Kobe Bryant já construiu o seu legado histórico como um dos melhores de sempre. E Oklahoma nem se fala. Ridiculamente jovens, ridiculamente bons. Têm uma década inteira pela frente.
E então chegamos a Miami. Dwayne Wade tem 30 anos. Lebron James e Chris Bosh têm 28. Parecem distante dos mais de 6 títulos que prometeram há dois Verões atrás. Parecem bem posicionados para ganhar este ano. Mas se perderem começa-se a questionar esta equipa. Até porque os contratos das 3 estrelas continuam a aumentar, e o espaço para um bom grupo complementar de jogadores torna-se mais apertado com cada ano que passa. E é aí que eles poderão vacilar nos próximos anos. Portanto, o relógio ouve-se em Miami, os segundos a passar, e uma oportunidade de título já lá vai. E se passar esta, será outra. E os críticos eventualmente devoram esta equipa. Claro que se ganharem, tudo está bem. Mas é a única equipa nestes playoffs que não pode perder.

Ao que o futebol português chegou…
Foi com grande tristeza que no passado domingo assisti a um dos espetáculos mais deprimentes do futebol português nos últimos anos.
Foi a primeira vez que vi uma equipa de futebol profissional a entrar em campo com 8 jogadores de início e sem nenhum jogador suplente. Refiro-me, claro, ao União de Leiria.
Oblak, Pedro Almeida, Alhafith, Shaffer, John Ogu, Filipe Oliveira, Nicklas Barkroth e Djaniny vão ficar para a história do futebol português, quer queiramos quer não, como os jogadores que entraram em campo numa equipa com apenas oito jogadores disponíveis. Para mim, estes jogadores foram uns autênticos heróis, na medida em que conseguiram evitar o golo da equipa adversária, o Feirense, durante 44 minutos de jogo.
Mas não é só por isso que são uns heróis. É também porque, pelo menos para já, conseguiram evitar uma grande confusão na tabela classificativa da Liga Portuguesa de futebol, fazendo com que o União de Leiria não fosse desclassificado deste campeonato e que os pontos conquistados pelas outras equipas contra o Leiria não lhes fossem retirados. Porém, a verdade desportiva deste campeonato fica afetada porque tenho muitas dúvidas que o Feirense vencesse facilmente este jogo se o Leiria jogasse com 11 jogadores de início e 7 suplentes.
Contudo, o mais importante de tudo isto é a existência de salários em atraso no futebol português. Na minha opinião, o principal problema do futebol português não é o alargamento ou não dos campeonatos profissionais, mas a questão dos ordenados em atraso. Como é possível que uma equipa profissional de futebol deva 3 ou 4 meses de salários aos seus jogadores, sem ser punida, por exemplo, com a subtração de pontos? Ao que o futebol português chegou. De facto, os clubes podem dever meses e meses de salários aos seus profissionais sem serem verdadeiramente punidos por isso, a não ser, como aconteceu com o Leiria, ficar sem a maior parte dos seus jogadores.
Esta situação acontece com o União de Leiria, porque este é o clube que está mais isolado no nosso campeonato, no sentido em que não tem o apoio do seu município sendo obrigado a “andar com a casa às costas” e a transferir-se para a Marinha Grande. Mas todos nós sabemos que há mais clubes a viverem esta situação, como o Vitória de Guimarães. Será a situação do União de Leiria a abertura de um precedente para que os jogadores dos outros clubes, que têm ordenados em atraso, façam o mesmo e rescindam coletivamente os seus contratos? Não sei, teremos de aguardar para ver o que irá acontecer nos próximos tempos.
No meu ponto de vista, o futebol português não merece situações destas por várias razões: temos três bolas de ouro (Eusébio, Luís Figo e Cristiano Ronaldo), um treinador que já foi considerado o melhor do mundo (José Mourinho), duas equipas que foram à final da Liga Europa na época passada (FC Porto e Braga), uma equipa que foi à meia-final da Liga Europa desta época (Sporting), duas equipas que já venceram a Liga dos Campeões (FC Porto e Benfica), etc. Por estas e mais razões, o futebol português não merece que haja clubes que envergonhem o nome do nosso país com situações destas. Para além de que é preciso não esquecer que a Liga Portuguesa é considerada a quinta melhor liga da Europa, atrás de Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha e à frente da França. Mas se o problema dos salários em atraso persistir em Portugal, a imagem e a reputação do nosso futebol ficará com toda a certeza manchada.
Concluindo, o União de Leiria escreveu um momento negro na história do futebol português, mas ainda assim, evitou uma confusão na tabela classificativa.
Sharapova ganha a Azarenka em Estugarda
Neste último domingo , Maria Sharapova, atual nº2 mundial, levou de vencida a nº1 Victoria Azarenka, na final do Torneio WTA de Estugarda por 6-1 e 6-1. Depois de ter sido derrotada pela bielorrussa, este ano, em outras duas finais (no Open da Austrália e no Torneio de Indian Wells), a russa conseguiu conquistar-lhe a primeira vitória numa final de um torneio (anteriormente, haviam disputado 4 finais).
No 1º set , Sharapova mostrou muito mais agressividade que a adversária, conseguiu impor o seu ritmo de jogo mais facilmente e aproveitou bem todos os break points que teve a favor. Já no 2º set, Azarenka subiu de produção, mas Sharapova manteve o mesmo nível exebicional, factor que contribuiu para que finalizasse o jogo neste set.
É certo que Sharapova não é uma jogadora especialista em pisos de terra batida, mas a sua evolução nestes de há um ano para cá tem sido evidente. A russa é uma jogadora com um ténis de pontos mais curtos, mas hoje em dia, mesmo não o fazendo de forma perfeita, já se move com um relativo à vontade no fundo do court, deslizando um pouco melhor na terra batida. Neste torneio, Maria Sharapova mostrou-se também como sendo uma jogadora com uma exclente fibra mental, uma vez que nos quartos-de-final , num jogo decidido num tie break e que teve um grande equilíbrio, eliminou a australiana Samantha Stosur (atual nº 5 mundial), depois de ter conseguido contrariar um match point.
No geral, Azarenka mostra ser uma jogadora mais completa, mas pode ver o seu lugar de nº1 ameaçado por a russa, que já demosntrou querer conquistar o próximo Grand Slam da temporada (Roland Garros).
Este é um encontro que já vem sendo muito usual, no circuito de ténis feminino, e comprova que são as duas tenistas em melhor momento de forma, actualmente. Caso não sejam atormentadas por lesões, penso que o título em Roland Garros cairá claramente para uma das duas. No entanto, o ténis feminimo já provou que nem sempre os resultados finais vão de encontro ao que era esperado antes do início dos torneios.
Por Cláudio Guerreiro
PARCEIROS
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